Perseguição a muçulmano
O imperialismo francês busca sufocar a cultura dos povos explorados em seu território.
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Protesto contra as reformas neoliberais de Macron | Jeanne Menjoulet
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Protesto contra as reformas neoliberais de Macron | Jeanne Menjoulet

O governo de Emmanuel Macron fechou nove mesquitas ou salões de oração nas últimas semanas. O anúncio foi dado nessa sexta-feira (15) pelo próprio ministro do Interior, Gérald Darmanin, que admitiu via Twitter, ter pessoalmente determinado a vigilância de 18 locais de culto no país. Em dezembro do ano passado o ministro já havia anunciado uma “ação massiva” e o monitoramento de “76 mesquitas” em toda a França.

Darmanin justificou a ação como uma medida de combate ao “separatismo islâmico”, termo constantemente repetido pelos integrantes do governo após Macron apresentar um projeto de Lei que tenta intervir no culto muçulmano. Segundo Macron, há a necessidade de criação de um “Islã do Iluminismo”. A lei é alvo de controvérsias, pois representa uma interferência do Estado na liberdade religiosa da população.

O presidente francês que se apresenta ao mundo como um político modelo, defensor da democracia liberal, um civilizado, científico, que não é negacionista a respeito do coronavírus, o típico político “limpinho e cheiroso”, defensor da liberdade e dos valores iluministas, é no entanto revelado pela realidade de suas ações um político antidemocrático e reacionário que governa para os bancos e contra o povo trabalhador. A perseguição aos muçulmanos revela a face fascista de Macron, que busca, assim como seus antecessores, sufocar a população islâmica na França.

A presença de muçulmanos na França tem origem no período colonialista francês quando os povos do norte da África, do Oriente Médio e da Ásia foram colonizados, dominados e explorados pelos franceses. Durante mais de um século de colonialismo houve a miscigenação dos povos e hoje muitos franceses têm origem nas antigas colônias francesas e conservam sua cultura e religião, da mesma forma que nas colônias há remanescentes dos colonizadores.

O tal “separatismo” do qual o governo acusa os muçulmanos é na verdade a política aplicada pelo governo Macron e todos os seus antecessores, uma espécie de Apartheid social contra os imigrantes. Durante os últimos 30 anos, os sucessivos governos da França legislaram sobre a forma do culto muçulmano no país, tentando estabelecer regras e deformar os princípios desta religião. Isso denota a tentativa de homogenizar a cultura no país na base do que a burguesia julga aceitável. Esta prática estatal verdadeiramente fascista estimulou o preconceito e constantemente explode em violência.

Um exemplo desta violência estimulada pelo Estado francês ocorreu em outubro de 2020 na cidade de Conflans-Saint-Honorine, onde um professor foi decapitado por um jovem de 18 anos. O professor constantemente criticava o Islã, religião que considerava extremista. Durante uma aula sobre liberdade de expressão provocou os alunos muçulmanos exibindo charges do profeta Maomé. Após o crime a polícia localizou o jovem em Éragny, a cerca de 3km do local. Segundo as autoridades o suspeito usava um colete de explosivos e os ameaçou, de modo que foi morto no local.

A impressa francesa apresentou o caso como um caso de extremismo religioso. Durante a investigação a polícia prendeu várias pessoas apontadas como apoiadores de extremismo, dentre eles Abdelhakim Sefrioui, que teria tido participação na emissão uma “fatwa”, ou decreto religioso, contra o professor. A prova seria um vídeo postado no Facebook criticando o professor e pedindo sua demissão.

O colonialismo francês acabou na maior parte do mundo, mas não a exploração das antigas colônias que seguem oprimidas e exploradas pela nova forma de dominação, o imperialismo. Para a burguesia francesa é preciso subjugar as nações exploradas. Nesse sentido, a expansão do islamismo em território francês passa a ideia perigosa de igualdade entre os povos, o que certamente levaria os povos oprimidos a contestarem sua condição.

O fechamento das mesquitas e a Lei de Macron não reduzirão a fé islâmica na França, pode inclusive ter efeito contrário. Quanto mais se aterroriza e oprime os povos já muito oprimidos, maior a tendência à reação a esta opressão, como foi o caso do aluno com o professor. E, à medida que os conflitos sociais tendem a se acirrar, a direita se radicaliza (e Macron é um exemplo disso, de acordo com as necessidades da burguesia), mas também os trabalhadores e todos os oprimidos.

Quem diria, o modelo de civilização, representado por Macron, está ruindo na França. E o próprio Macron é prova disso: antes um “antifascista”, agora apresenta cada vez mais claras características fascistas.

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