“Macaco”: casos cotidianos de racismo aumentam com o golpe

Davi Zambelli Jr contou que foi com uma amiga à lanchonete e, quando recebeu a nota fiscal que registrava o seu pedido, estava identificado como “macaco” no campo que era para constar seu nome. O caso aconteceu na lanchonete Burger King, em São Paulo.

“Racismo é crime, fui chamado de ‘macaco’. O preconceito racial é uma ‘doença’ que deve ser eliminada da sociedade brasileira. É inadmissível que em pleno século XXI, em 2018, ainda possa acontecer esse tipo de atitude racista”, escreveu Zambelli.

Davi registrou um boletim de ocorrência por injúria racial nesta segunda-feira (26) na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). A Polícia Civil informou que o crime será apurado.

A situação de racismo no Brasil é algo antigo, mesmo que a maioria de nossa nação seja de negros e mestiços, e é produto efetivamente da situação econômica do negro na sociedade capitalista. Aos negros os empregos de menor remuneração, menor escolaridade, as piores habitações, nos presídios brasileiros a grande maioria são de negros. As maioria vítimas da violência policial e urbana.

Recentemente foi ao ar um vídeo nas redes sociais, feito por um  grupo de jovens negros, moradores de periferia da cidade do Rio de Janeiro, orientando jovens negros de que maneira deviam se comportar durante a intervenção militar, não andar sozinho à noite, filmar as abordagens de polícias e militares não portar ferramentas ou algo que se pareça com uma arma, como um furadeira.

Essa situação que Zambelli sofreu é mais um  desdobramento da situação que o negro tem que enfrentar no sua rotina diária.

Com o golpe de Estado, que foi dado, pelos que disseminam o racismo pelo país, e as reformas que atacam de maneira muita mais intensa os negros, como a reforma da CLT, previdência, a PEC da morte, que retira investimentos dos serviços públicos durante 20 anos, que vai deixar ainda pior do que está, a saúde e educação pública, que são usados de fato pela população pobre e negra.

A luta contra o racismo é também a luta contra o golpe e sua consolidação, por que quanto mais consolidado o golpe de Estado estiver, mais intensos serão os episódios de intolerância racial.