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Concentração de renda

As contradições do maior PIB per capita do mundo

Uma riqueza que não é repassada aos cidadãos do Grão-Ducado de Luxemburgo

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População de rua cresce 38% no país onde o capitalismo, supostamente, teria dado certo – Foto: Reprodução

Luxemburgo, oficialmente Grão-Ducado de Luxemburgo, é um pequeno estado soberano que fica espremido entre a Bélgica, a França e a Alemanha. O adjetivo “pequeno” não é um exagero. O menor estado Brasileiro, Sergipe, é quase 8,5 vezes maior que Luxemburgo. O mesmo adjetivo pode ser usado no que diz respeito à população, 618 mil habitantes. Se o Grão-Ducado fosse uma capital brasileira, estaria na 21º posição, atrás de Cuiabá. De acordo com o site do governo, 45% da população residente em Luxemburgo é composta por estrangeiros, principalmente portugueses. Para se ter ideia da dependência do Grão-ducado da mão de obra estrangeira, 70% dos habitantes da capital são imigrantes e cerca de 145 mil pessoas cruzam as fronteiras de seus países para trabalhar em Luxemburgo (Public.lu, 05/02/2021). 

A economia de Luxemburgo já foi fortemente industrial, mas hoje está totalmente ligada ao setor financeiro, abrigando cerca de 152 bancos em seu território. Além disso, o pequeno país recebe mais “investimento estrangeiro” que a China. Entretanto, de acordo com o FMI, “grande parte desse dinheiro está estacionado em empresas de fachada constituídas por multinacionais, sem qualquer atividade empresarial real no Luxemburgo […] ‘o tratamento fiscal favorável’ é um dos principais motivos para a criação destes veículos financeiros” (Reuters, 14/05/2020). Esse alto montante de recursos atraídos aliado a uma pequena população faz do país o maior PIB per capita do mundo (FMI, 2019), além de ter, também, o maior salário mínimo da União Européia (UE): 2.149 euros.

Acontece que toda essa riqueza não é repassada para os cidadãos ou residentes de Luxemburgo. Observemos, inicialmente, o índice Gini, que nos dará uma ideia de como o PIB é distribuído entre a população. O último valor calculado para Luxemburgo é de 35,8, e está em franca ascensão. Por exemplo, a desigualdade na distribuição das riquezas é parecida com a de países muito atrasados, como a Libéria, o Vietnam e Serra Leoa, e superior ao de seus vizinhos França, Bélgica e Alemanha. Sabemos a limitação da utilização desse índice, mas ele nos dá uma visão geral da concentração de renda no Grão-Ducado (Banco Mundial, dados de 2018).

Segundo dados do Gabinete de Estatísticas da União Europeia, os trabalhadores de Luxemburgo têm a segunda maior chance na UE de entrar na pobreza, perdendo apenas para a Romênia, além de ser o país onde essa possibilidade mais cresce. No final do ano de 2019, antes dos efeitos da pandemia de Covid-19, cerca de 105 mil residentes, algo em torno de 18% da população luxemburguesa, viviam na pobreza. No Grão-ducado, muitas vezes o trabalhador ganha um salário se comparado com os da França ou Portugal, mas esse salário não é suficiente para viver (RTL.lu, 17/10/2019). Por exemplo, de acordo com o site Numbeo, que calcula o custo de vida de diferentes lugares do mundo, viver em Luxemburgo é tão caro quanto viver em Londres. Exemplificando esse custo, uma família com dois filhos precisa, em média, de 1.600 euros apenas para pagar o aluguel, e o aumento de salários não acompanha o aumento no preço da habitação (Wort.lu, 9/12/2019).

Com um custo de vida tão alto sobra muito pouco para outras despesas, como alimentação, saúde e lazer. Nos últimos anos, cada vez mais pessoas estão dependendo de instituições de caridade, como os supermercados da Cruz Vermelha, para comer. A riqueza desse país, por exemplo, não ajuda a população a ter uma saúde que poderia ser chamada de verdadeiramente gratuita. Para alguns procedimentos, é necessário, inicialmente, adiantar o valor integral e esperar meses a fio pelo reembolso de uma fração dos gastos. Acontece que a realidade de muitos residentes do Grão-ducado não permite tal coisa, e muitos cidadãos igualmente dependem da caridade para se consultar com um médico. É evidente que a situação é ainda mais difícil para os imigrantes ilegais.  “Uma pessoa não espera que uma associação como a nossa tenha de intervir no país mais rico da Europa”, declarou Sylvie Martin, diretora de uma das ONGs que fornecem cuidados médicos aos que não podem pagar (Idem, 25/09/2019, 12/03/2020).

No que diz respeito ao controle da pandemia, Luxemburgo manejou a situação de uma forma melhor que seus três vizinhos. O Grão-Ducado possui uma taxa de mortes por milhão de habitantes bem menor que a da Bélgica e da França. As testagens em massa realizadas gratuitamente tornaram o país o sétimo no mundo em testes por milhão e, aparentemente, ajudaram o país a contornar a situação. Enquanto os países vizinhos ainda estavam em confinamento, em Luxemburgo já era possível trabalhar presencialmente e frequentar restaurantes. Entretanto, esse mesmo país que se dedicou em testar não tem muita preocupação em vacinar a população. Apesar do seu tamanho, apenas 21% da população está completamente vacinada. 

Por fim, é de certa forma difícil encontrar informações da situação da classe trabalhadora de Luxemburgo após mais de um ano de pandemia. No site do governo é possível ver que imediatamente após o início da pandemia a taxa de desemprego oficial (chômage) aumentou de 5,3% para 6,8%, mantendo-se estável em 6,1% desde o último trimestre de 2020. Ou seja, a taxa de desemprego ainda não voltou aos patamares pré 2020, o que indica que a economia não se recuperou. Portanto, os dados apresentados, já alarmantes no período pré-pandemia, provavelmente mostrarão uma realidade ainda mais difícil para a classe trabalhadora no país com o maior PIB per capita do mundo.

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