Lutar contra a “reforma”, pela liberdade de Lula e contra o golpe ou por uma “nova CLT”

paim

Diante da “reforma” trabalhista aprovada pelo governo e congresso “golpistas” para liquidar  com conquistas que resultado de décadas de lutas dos trabalhadores e que constitui um dos objetivos fundamentais do golpe de estado e visa criar melhores condições de exploração dos trabalhadores brasileiros pelo grande capital estrangeiro e “nacional”, o senador Paulo Paim (PT-RS) vem defendendo o trabalho realizado em uma subcomissão na Comissão de Direitos Humanos do Senado que teria como propósito “construir, com a participação da sociedade, uma nova CLT, o chamado Estatuto do Trabalho”.

Essa subcomissão é presidida pelo senador Telmário Mota (PTB-RR) e tem como relator o próprio senador Paim.

Em artigo intitulado “Estatuto do Trabalho: nova CLT“, o senador gaúcho procura explicar esta empreitada e apresentá-la como uma alternativa para “revogar a Reforma Trabalhista”, por ele condenada, e “avançar na efetivação de todos os direitos”.

O texto não explica, em uma única linha, no entanto, como seria possível que um congresso dominado pela direita, que aprovou – de forma fraudulenta – a derrubada da presidenta Dilma Rousseff e impôs a própria “reforma” trabalhista, dentre outras medidas (como a terceirização sem limites, o congelamento dos gastos públicos etc.) aprovasse tal Estatuto ou qualquer outra medida que representasse um mínimo avanço para os trabalhadores, em uma situação em que o golpe se aprofunda, destacadamente, com a prisão ilegal da maior liderança popular do País, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Em pleno ano eleitoral, Paim faz a mais tradicional demagogia, que consiste em apresentar soluções e promessas inviáveis fazendo campanha de um suposto e inútil trabalho parlamentar: “o debate iniciou na subcomissão, em agosto do ano passado, com a participação de um grupo técnico de estudos. Foram realizadas 20 audiências públicas. Vários especialistas nacionais e internacionais foram ouvidos, além de ministros do TST, juízes do Trabalho, procuradores, auditores, juristas, servidores públicos, aposentados, centrais sindicais e representantes do empresariado…”.

Parlamentar há mais de 30 anos e candidato à reeleição ao senado, o ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, parece querer semear a ilusão de que seria possível reverter uma derrota fundamental dos trabalhadores por meio de um trabalho parlamentar sem qualquer vinculo real com a situação política, desvinculado da luta real das organizações dos explorados, como a CUT, sindicatos, partidos de esquerda, comitês etc. contra o golpe de estado. Isso quando no atual congresso golpista os trabalhadores não tiveram uma única vitória de algum significado. Mesmo sabendo que se for votada, agora ou em um congresso eleito nas eleições fraudulentas que a direita está organizando, uma “nova CLT” estas seria ainda mais reacionária e desfavorável para os trabalhadores do que o que sobrou do estraçalhamento da legislação trabalhista aprovado pelos golpistas.

Como os candidatos-abutres que se reivindicam da esquerda e se lançam na campanha fazendo “promessas”, apresentando “projetos” e fazendo discursos anunciando “mudanças” etc., Paim oculta que não outro caminho para derrotar a “reforma” trabalhista e toda a ofensiva imposta pela direita por meio do golpe de Estado que não seja a mobilização dos próprios trabalhadores que ponha abaixo o golpe e toda a sua ofensiva contra os trabalhadores.

Enquanto discursa e escreve semeando ilusões, Paim nem de longe figura como um dos mais ativos militantes da luta real contra o golpe que, nesse momento, se concentra na defesa da liberdade de Lula. Depois de ter ameaçado abandonar o PT e atuar como ferrenho crítico do governo do PT, quando a direita o atacava e preparava a sua derrubada, o senador opta por uma campanha com pretensões claramente eleitorais que nada tem a ver com a luta por reconquistar o que foi retirado pelo golpe – o que só será possível por meio de uma intensa mobilização operária e popular e, nunca, através de esquemas parlamentares no congresso dominado pela direita; o que tende a se aprofundar, caso não haja um grande mobilização revolucionária que liberte Lula, derrote o golpe, impeça as eleições fraudulentas que estão sendo preparadas com um certo apoio (ainda que inconsciente) de setores da esquerda que endossa com suas campanhas o verdadeiro “circo das eleições”.