Diretos democráticos
A esquerda abandonou esse programa que faz parte da tradição do movimento operário.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Henrique Áreas

Henrique Áreas

Militante do PCO desde 2007, é secretário de Agitação e Propaganda e membro do Comitê Central do partido. Formado em Ciências Sociais pela Unicamp, é trabalhador demitido dos Correios e foi diretor da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios). Membro do coletivo cultural do PCO, o GARI (Grupos por uma Arte Revolucionária e Independente), e vocalista da banda Revolução Permanente

A defesa intransigente do PCO sobre as liberdades e direitos democráticos da população causou reações muito interessantes tanto por parte da esquerda pequeno-burguesa como da direita e extrema-direita.

Da parte da esquerda pequeno-burguesa, que ficou raivosamente a favor do STF no caso da prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira e de outros casos parecidos, sua posição oportunista em relação ao problema está se distanciando cada vez mais de princípios que fazem parte das tradições de luta da esquerda.

Pudemos ver uma demonstração de muita ignorância da esquerda pequeno-burguesa acusando o PCO de ser “liberal” por conta da defesa dos direitos democráticos. Por exemplo, no caso da liberdade de expressão, setores da esquerda afirmam que não se deveria defender esse direito porque se trata de um direito burguês. Essa é uma demonstração do profundo antimarxismo que tomou conta da esquerda.

Fundamentalmente, as lutas pelos direitos democráticos é uma luta que diz respeito ao Estado burguês, não ao socialismo. Trata-se da luta da classe operária por melhores condições dentro do Estado capitalista, uma forma de evitar que as conquistas democráticas da revolução burguesa não retrocedam para a Idade Média. Abandonar essa luta, na prática é defender esse retrocesso.

A esquerda defende os direitos democráticos, o direito de organização, o direito de greve, a liberdade de imprensa e de expressão. Essa luta não pode ser meramente oportunista, ou seja, essa defesa não pode se dar apenas para os amigos e para os inimigos, defendemos o máximo de rigor do Estado capitalista. É uma ideia absurda e que só pode ter como resultado o fortalecimento da ditadura desse Estado.

Com essa concepção antimarxista, a esquerda está entregando a defesa das liberdades democráticas para a extrema-direita. A extrema-direita, que nesse momento se sente acuada pela ofensiva de setores que dominam as instituições repressivas do Estado, faz demagogia com a questão democrática, mas aparece na propaganda como grande defensora dessa política.

A extrema-direita, por sua vez, atacou o PCO dizendo que não defendemos de fato as liberdades democráticas, que tudo não passa de uma manobra ocasional para gerar confusão entre os apoiadores da direita.

Essa consideração mostra que a extrema-direita está preocupada com a posição do PCO justamente porque ela desmascara que a sua política é meramente demagógica. Na realidade, a extrema-direita não defende de fato nenhum direito democrático. Ela está preocupada, assim como faz a esquerda pequeno-burguesa, em defender os amigos.

Os revolucionários defendem os direitos democráticos como uma questão de princípios. Por isso o PCO manteve essa posição tanto no caso de direitistas perseguidos como no caso da esquerda. O melhor exemplo é a defesa dos direitos políticos de Lula.

Em suma, a esquerda abandonou a luta pelos direitos democráticos e agora defende a ditadura do Estado burguês. A direita adotou demagogia em relação a essas questões, mas não defende de fato essas reivindicações a não ser quando se trata de defender os amigos. Ambos, esquerda pequeno-burguesa e direita, mostram-se totalmente sem princípios.

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