Caso Robinho
Após a composição do Tribunal, o Inquisidor proferia um sermão exortando todos à conversão e à colaboração.
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Robinho | Foto: Santos

Após sete anos do ocorrido, surgiu uma denúncia de abuso sexual contra uma moça e que o jogador de futebol Robinho teria participado. A imprensa salivou e, do lado da esquerda, a disposição é justamente a mesma que da imprensa: que ele seja processado e julgado pela super democrática justiça italiana, que, de longe, é muito mais sinistra que a brasileira.

Como qualquer caso criminal, não se sabe ao certo o que aconteceu, e o Estado italiano atua contra Robinho, que precisa ter todos os seus direitos democráticos, justamente porque enfrenta a máquina do Estado, o mesmo que deveria acontecer em qualquer estado que se diz democrático.

Mas é preciso alertar que a esquerda pequeno-burguesa se anima com o processo inquisitorial, que defende que é preciso penas duras imediatamente. Como se isso fosse, em alguma vez na história da humanidade, promover a libertação das mulheres, que o sistema penal, justamente o sistema penal, fosse acabar com a opressão que a mulheres sofrem no sistema capitalista.

A moda da esquerda, e isso faz algum tempo, é passar procuração para o estado, controlado pela burguesia, para que ele promova as mudanças sociais, para que o negro, a mulher, e os outros setores oprimidos consigam ser absorvidos pelo regime. 

Essa parcela da esquerda que pede penas, prisão, etc, promove uma incoerência política profunda. Essas questões de punições não modificam a sociedade e não melhoram a situação de ninguém. Esse método não libertará ninguém. A mulher, assim como os demais setores oprimidos da sociedade, não serão libertados pela PM, por juízes ou pelo sistema carcerário brasileiro. Qualquer apoio dado a esse sistema repressivo, desumano, caminha no sentido oposto da libertação das pessoas.

Essa libertação só virá através da destruição do estado burguês e da modificação revolucionária das relações sociais, políticas e econômicas.

É preciso, no entanto, desconfiar dos que levam adiante essa política. Nesse momento nos EUA toda esquerda identitária, um determinado tipo que diz defender os direitos das mulheres, apoia o candidato Joe Biden que também foi acusado de estupro. Mas, nessa ocasião, não levam em consideração a denúncia e se mantém na campanha para que o candidato seja eleito.

Leias também:

Os métodos bolsonaristas da esquerda identitária

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