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Está em curso uma nova tentativa de sequestrar as manifestações contra o governo e a direita golpista, como aconteceu em 2013. Dessa vez, a operação parece mais complicada, mas a imprensa burguesa já está em campanha, com a colaboração de setores confusos da esquerda, e por isso essa tentativa precisa ser combatida energicamente. Neste momento, o golpe consiste em tentar apresentar os protestos como se fossem simples e vagamente “pela educação”.

É uma reciclagem das manifestações contra a Copa, quando se pedia “educação padrão FIFA”, palavra de ordem que na verdade significava “fora Dilma!”, mas dito assim abertamente espantaria muitos manifestantes que foram manipulados na época. Agora o sentido é o contrário, a palavra de ordem que está nas ruas é o “Fora Bolsonaro!”, mas a burguesia se esforça para escondê-la atrás de exigências vagas ou muito restritas e pontuais. Querem esvaziar politicamente os protestos para usá-los a favor de seus próprios objetivos.

 

Por que setores de esquerda se alinham à Rede Globo?

Essa campanha despolitizante é feita sutilmente por meio da política editorial da Rede Globo (e seus jornais impressos, rádios, sites etc.), como por toda a imprensa burguesa e golpista. É uma campanha dos grandes capitalistas, que decidiram substituir Bolsonaro mas não podem deixar que as manifestações apareçam inequivocamente como de esquerda e que possam se desenvolver nesse sentido, agrupando amplos setores da população em torno das palavras de ordem da esquerda.

No entanto, setores da própria esquerda se alinham à família Marinho e aos outros capitalistas da comunicação para tentar apresentar os protestos como simples encontros “pela educação”. Por que isso acontece? O que significa? Há o falso pretexto de que determinadas pautas “afastariam” as pessoas, como diria Marcelo Freixo, “Lula Livre não unifica”. Mas o fato de não quererem levantar a palavra de ordem que é de muita longe a mais popular do país, o “Fora Bolsonaro!”, revela que esse argumento é falso.

Na verdade, esses setores da esquerda pequeno-burguesa são pressionados pela burguesia, porque esse é seu ambiente. O problema não é ser impopular de verdade, mas ser impopular no meio da pequeno-burguesia mais ou menos esquerdista. Por disso, essa esquerda coxinha está em retrocesso, pois não coloca em questão as reais necessidades da população. A luta que voltou às ruas no dia 15 é uma continuidade das lutas anteriores contra o golpe.

 

A luta é para derrubar Bolsonaro e derrotar a direita golpista

Ao contrário do que dizem a Globo e a esquerda pequeno-burguesa, a tendência dos atos é extremamente favorável para as palavras de ordem políticas da esquerda (relativas ao poder). Nesse sentido, deve-se levantar a palavra de ordem “Fora Bolsonaro!”, junto com as massas, nas manifestações.

Essa palavra já ecoa em cada esquina, em cada grande reunião de pessoas pelo país, seja um evento cultural ou político. A novidade é que tenha sido levantada em grandes atos políticos dessa vez. E isso coloca a necessidade de apresentar uma política positiva, uma proposta de saída para a crise nacional pela perspectiva da esquerda e favorável aos trabalhadores.

Por isso, além de pedir a saída de Bolsonaro, para derrotar a direita golpista é preciso apontar os próximos passos. É preciso exigir novas eleições. E com liberdade para Lula, para que ele possa participar das eleições. Fora Bolsonaro! Eleições Gerais! Liberdade para Lula! Lula candidato!

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