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Por um programa popular

Lula presidente com vice empresário ou com vice do povo?

A candidatura de Lula deve ser um instrumento de uma ampla mobilização popular, em defesa dos interesses do povo

A candidatura de Lula depende da mobilização – Arquivo

Ao jornal Valor Econômico, o ex-governador da Bahia e ex-ministro petista, Jaques Wagner, defendeu um candidato empresário para ser vice de Lula em 2022. Com bastante divulgação na imprensa golpista, a declaração de Wagner procura reforçar a ilusão de que a candidatura de Lula pode ser apoiada pela burguesia.

“Pra mim sempre será poderoso o binômio operário-empresário que houve em 2002. Já em 2018 eu propus o nome do Josué, mas as coisas aconteceram de outra forma, e hoje ele está trabalhando para ser presidente da Fiesp. O Lula inevitavelmente vai buscar uma pessoa que seja complementar: como ele representa o social, vai buscar alguém que represente o empresarial”.

Fica claro que a ala direita do PT procura impor ao movimento pela candidatura de Lula um direcionamento cada vez mais direitista. A justificativa de Wagner, no entanto, deve ser entendido em seu verdadeiro significado. Mas antes, vejamos a ideia de que a burguesia poderia apoiar Lula.

Burguesia quer Lula?

O principal argumento dos que defendem uma aliança com a direita é o de que seria preciso se mostrar pragmático para atrair o apoio de setores da burguesia e garantir a vitória eleitoral. Mas nos perguntemos, há vice sobre a terra que possa fazer Lula deixar de ser Lula? A segurança que é a burguesia quer é a segurança de um duro ajuste fiscal, a segurança de uma política externa servil. Lula, neste momento, pode dar isso aos capitalistas?

A descabida ideia parte do pressuposto de que a burguesia – ou pelo menos um setor importante dela – teria rompido com Bolsonaro e estaria disposta a qualquer coisa para retirá-lo do governo. Já explicamos que isso não tem nenhum fundamento.

Essa política não se leva em consideração a própria experiência da eleição de 2018, quando a burguesia, diante da tentativa fracassada de emplacar seu candidato de confiança, Geraldo Alckmin, se unificou em torno de Bolsonaro. Quando podia com facilidade, unificar-se em torno de Bolsonaro. Não se engane, caro leitor, diferentemente do povo brasileiro, os grandes capitalistas sabiam exatamente o que estavam elegendo.

Bolsonaro não era, como não é agora, um nome de confiança da burguesia. No entanto, preferiu apoiá-lo a entregar o governo de volta ao PT. A mesma coisa está acontecendo para as eleições de 2022. A burguesia busca um candidato que seja de sua confiança e só assim poderá se livrar de Bolsonaro. Bolsonaro é um candidato anti-povo, e antes um candidato anti-povo que você não controla plenamente do que o candidato do povo, este é o cálculo dos capitalistas.

O comportamento da imprensa golpista não deveria deixar dúvida. A linha editorial comum, e, velada, dos principais jornais golpistas é: “nem Lula, nem Bolsonaro, mas Lula de jeito nenhum!” É o que foi feito em 2018.

A busca da direita do PT por um apoio ilusório na burguesia é inversamente proporcional ao nível de mobilização do povo. A função dessa política é retardar um ampla mobilização popular em torno da candidatura de Lula.

O real significado do “vice empresário”

A defesa de um empresário como vice é uma questão política mais profunda do que parece à primeira vista. Não é a presença de um vice direitista que por si só irá atrair o apoio da burguesia. A escolha do vice está ligada a qual política e qual o programa que a candidatura e eventualmente o governo irá seguir.

Quando Wagner defende essa aliança, que ele chama de “binômio operário-empresário”, ele está defendendo um programa político conservador e direitista. Ele quer indicar para a burguesia que um eventual governo do PT não levará nenhuma política contrária aos seus interesses.

Wagner usa o exemplo de 2002. Naquele momento, a burguesia entendeu que para conter a crise era preciso permitir a eleição de Lula, coisa que até agora nada indica que deverá se repetir. A permissão se deu numa situação bastante específica: o governo FHC está liquidado eleitoralmente, o PSDB amplamente repudiado. Não eleger Lula bem poderia ser o estopim de uma movimentação geral do proletariado. Ao permitir a vitória do PT, a burguesia impôs a ele uma política econômica, que ainda que gastasse, não gastaria tanto e não violaria os pilares da política monetária anterior. Outro fator importante era: a situação econômica, com o “boom” das comidities, era favorável, ou seja, permitia algum gasto. Hoje a margem para manobrar é pequena, o Estado está falido. Bolsonaro está longe de estar inviável para eleição. E não há, fora uma possível revolta popular, motivo para aceitar o PT.

De qualquer modo, a presença do capitalista mineiro José Alencar na vice-presidência era uma indicação para a burguesia de que o governo Lula não tomaria nenhuma medida radical e ao mesmo tempo uma garantia para a burguesia.

Tanto é assim que, o primeiro governo de Lula, embora tenha feito pequenas reformas sociais para conter a crise, também levou adiante um política que seguia os interesses da burguesia, como por exemplo, a reforma da Previdência feita em 2004.

O problema do vice empresarial agora é justamente que a burguesia não dá indicações de que apoiaria Lula. A presença de um empresário não fará nenhuma diferença nesse ponto. O que a direita do PT procura é impor à candidatura de Lula um programa conservador, mostrar que não levará adiante nenhuma política popular que coloque em risco os interesses econômicos da burguesia.

Essa política tem um efeito muito negativo no que diz respeito ao apoio popular a Lula. Sua candidatura só tem alguma chance se contar com uma ampla mobilização popular. Para isso, a eleição precisa ser um palco de reivindicações do povo.

Os trabalhadores precisam ter confiança de que vão apoiar uma candidatura que realmente seja capaz de acabar com a catástrofe econômica e social na qual os golpistas jogaram o País.

A candidatura de Lula deve se colocar de maneira enérgica em defesa de um programa popular. Apenas para ilustrar o problema, se o vice de Lula fosse um representante do movimento sindical ou popular, isso indicaria que o eventual governo seria esquerdista.

Uma candidatura popular, com um vice popular, que poderia ser do MST, da CMP ou de algum sindicato, servirá para elevar o moral dos militantes, servirá para impulsionar a mobilização necessária para que sua candidatura possa ser vitoriosa. Serviria de mensagem aos militantes e aos trabalhadores, diria “o governo será de vocês”. Isto é muito mais valioso que o efêmero apoio de algum empresariado menor, sem transcendência na disputa.

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