Festival Lula Livre em Recife
O ex-presidente Lula, em discurso na noite do último domingo (17), declarou que é necessário anular todos os processos em que se encontra envolvido.
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Festival Lula Livre
Festival Lula Livre em Recife. Foto: Ricardo Stuckert |

No último domingo (17), milhares de pessoas foram até o Pátio do Carmo, no centro do Recife, para participar do Festival Lula Livre. O evento, que já havia sido marcado antes de o ex-presidente Lula sair da cadeia, acabou por se tornar o primeiro festival com Lula livre, de modo que o próprio petista veio até a capital pernambucana. Mais de quarenta artistas se apresentaram, totalizando cerca de dez horas de festival.

O festival começou por volta do meio-dia, quando começaram a chegar os primeiros ativistas e as primeiras caravanas para o festival. Poucas horas depois, o Pátio do Carmo inteiro estava tomado pela multidão. No fim da tarde, quando já se aproximava o momento em que Lula discursaria, todas as ruas no entorno do pátio também estavam bloqueadas por uma manifestação gigantesca.

O tamanho do festival mostrou, mais uma vez, a fortíssima tendência à mobilização a qual o povo brasileiro se encontra submetido. Foi essa tendência à mobilização, em conjunto com os demais levantes na América Latina e o fracasso da política econômica do governo Bolsonaro, que encurralaram a burguesia e forçaram-na a libertar o maior líder popular do país. Diante dessa tendência, sentindo o apoio da esmagadora maioria da população, o ex-presidente Lula declarou, em seu discurso no festival:

Eu estou aqui para dizer para vocês, companheiros e companheiras, que o show vai continuar quando eu sair daqui. Agora a campanha “Lula Livre” tem que se transformar em uma campanha muito maior porque o que nós queremos é a anulação da safadeza dos processos contra nós!

Ao dizer isso, Lula, com precisão, colocou o programa que os trabalhadores devem seguir em torno de sua figura. Se a mobilização popular foi capaz de tirá-lo da cadeia, agora é hora de partir para cima e acabar com toda a perseguição política do regime golpista. Afinal, Lula continua condenado a 8 anos e 10 meses de cadeia, conforme decidido pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Sua liberdade só estaria garantida até o momento em que os recursos impetrados por sua defesa em relação a essa condenação fossem esgotados. Além disso, há outros oito processos contra o ex-presidente e um movimento da direita parlamentar para aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permita a execução de pena antes do esgotamento de recursos.

Em resumo, há muitas manobras das quais a burguesia pode lançar mão para trancafiar novamente o maior líder popular do país. Mas também não é só isso: mesmo em liberdade, Lula continua privado de seus direitos políticos. Lula não poderá ser candidato nas eleições presidenciais de 2022, nem muito menos em uma eleição antecipada no caso cada vez mais provável de o governo Bolsonaro ser posto abaixo. A anulação de todos os processos – que são todos eles fraudulentos – enterra, portanto, a possibilidade de uma nova prisão e restitui Lula de todos os seus direitos políticos.

Em outra parte de seu discurso, Lula já havia deixado claro que não está disposto a fazer um acordo com a direita para ter a sua liberdade garantida:

A minha casa não é uma prisão, a minha casa é o meu lugar de liberdade. Minha canela não é canela de pombo, e eu não sou pombo correio para colocar tornozeleira. Não aceito negociação, eu quero a minha inocência!

Como dito pelo próprio Lula, a restituição de seus direitos não virá por meio de um acordo com a direita, que acabou de dar um golpe militar na Bolívia e que está devastando toda a América Latina. É preciso, para isso, organizar um movimento amplo, que dê à mobilização popular o poder de colocar o regime político contra a parede e exigir que os processos sejam anulados.

Ao mesmo tempo em que os trabalhadores lutam contra o Judiciário e o Congresso Nacional, instituições pilares do golpe de 2016, para ter os direitos políticos de Lula restituídos, é preciso intensificar a mobilização pela derrubada imediata do governo Bolsonaro. Ilegítimo, resultado de uma fraude eleitoral, Bolsonaro é um fascista que está disposto até mesmo a impor uma ditadura militar ao país para que a mobilização dos trabalhadores não avancem.

Até agora, Lula nunca falou claramente que era preciso derrubar o governo Bolsonaro. No entanto, como uma liderança bastante sensível às reivindicações do movimento operário, o ex-presidente tem criticado diretamente o governo e apontado que a extrema-direita no poder não é compatível com os interesses da população. No final de seu discurso no festival em Recife, Lula disse:

Vou terminar dizendo para você uma coisa. Tenho certeza absoluta que cada minuto de vida que eu terei pela frente será dedicado pela libertar esse país da quadrilha de milicianos que tomou conta desse país!

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