Lula está certo, “não há razões para crer na justiça”. É preciso organizar a mobilização

Former Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva attends a protest in front of the metallurgic trade union in Sao Bernardo do Campo

Em Carta lida na reunião da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, pela presidenta do PT, senadora Gleise Hoffman, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conclamou Chegou a hora de todos os democratas comprometidos com a defesa do Estado Democrático de Direito repudiarem as manobras de que estou sendo vítima, de modo que prevaleça a Constituição e não os artifícios daqueles que a desrespeitam por medo das notícias da televisão”.

No documento, Lula denuncia a armação que levou à sua condenação sem provas, desde a denuncia fraudulenta publicada pelo jornal O Globo, e os últimos lances no judiciário golpista em que o ministro Edson Fachin e outros golpistas do STF armaram uma “tocaia” para impedir o devido procedimento legal requerido pela defesa de Lula. Afirma, pela primeira vez, que “tudo isso me leva a crer que já não há razões para acreditar que terei Justiça” e assinala que “não estou pedindo favor; estou exigindo respeito”.

Líder nas pesquisas eleitorais encomendadas e produzidas por institutos, empresas e entidades que apoiaram o golpe e que não querem ver Lula candidato, com mais de 50% dos votos válidos que, se confirmados nas urnas, poderiam levar à sua eleição no primeiro turno, o ex-presidente, reapresenta o desafio público aos seus perseguidores: “desafio meus acusadores a apresentar esta prova até o dia 15 de agosto deste ano”, deixando claro que nesta sua “candidatura será registrada na Justiça Eleitoral”.

O pronunciamento do presidente reveste-se de enorme importância  e se deu no mesmo dia em que representantes do PT, PDT, PSB, Psol e PC do B se reuniram em Brasília para lançar o manifesto “Por uma frente no Parlamento compromissada com a reconstrução e o desenvolvimento do Brasil”, em ação coordenada pelas respectivas fundações das legendas, como parte de uma operação na qual os partidos abutres (que querem tirar proveito da prisão e perseguição a Lula), com apoio da imprensa golpista, buscam pressionar Lula e o PT a desistirem de sua candidatura e adotarem em nome de um suposta “unidade das esquerdas”, e apoiar candidaturas minoritárias, sem apoio popular e que sequer são de esquerda, uma vez que buscam se aliar com partidos golpistas, apoiaram a deposição da presidenta Dilma Rousseff, não lutam contra o golpe e contra a prisão de Lula, não querem um governo de esquerda etc. etc. Como explicamos aqui no Editorial em que nos opomos a tal “frente-armadilha“.

A conclusão de Lula, de que não se deve crer na justiça, é a mesma a que chegaram milhões de pessoas. É preciso partir dessa conclusão para outra: o único caminho para defender não só os direitos democráticos de Lula, como de todo o povo brasileiro e derrotar as “reformas” e ataques golpistas contra o povo brasileiro, não é esperar pela justiça, tampouco por eleições fraudulentas. É preciso levantar os explorados e suas organizações de luta, em um mobilização revolucionária para por abaixo o regime golpista, derrotar os violadores da Constituição e usurpadores do povo brasileiro em favor dos interesses dos tubarões imperialistas.

Para aprofundar o debate sobre esta mobilização necessária, deliberar um programa de luta e organização um grande mobilização amparada em milhares de comitês espalhados por todo o País é que está sendo convocada a Conferência Nacional Aberta de Luta Contra o Golpe, convocada para os dias 21 e 22 de julho próximos, em São Paulo.

Lula não poderá estar presente, mas os companheiros do PT, do PCO, da CUT, MST, CMP e tantas outras organizações de luta contra golpe, os militantes dos comitês de luta podem e devem encarar a tarefa de fazer desse encontro um eixo para aglutinar a esquerda classista que rejeita o “plano B” e todo o tipo de capitulação diante da política de baixar a cabeça para os golpistas e aceitar as decisões fraudulentas do regime golpista, vindas do judiciário ou de onde vierem.

Será também um verdadeiro momento de unidade da esquerda que luta contra o golpe para impulsionar mobilizações que terão de vir na inscrição de Lula como candidato (em 15 de agosto) e na “guerra” que precisa ser levada adiante para derrotar o golpe e fazer vitoriosa, pelos meios que forem necessários, a alternativa apoiada pela maioria dos trabalhadores e pela juventude e suas organizações de luta.