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Na savana africana, hienas e abutres dividem os restos da caça do leão. É o que os biólogos chamam de “comensalismo”, relação ecológica entre duas espécies diferentes em que uma delas obtém um benefício sem que a outra seja prejudicada. Depois de o leão caçar e comer a carne de suas vítimas, as hienas comem o que sobrou, seguidas pelos abutres, que comem as migalhas, o resto do resto. A situação política no Brasil é parecida com essa no campo da esquerda, diante da grande possibilidade de prisão de Lula.

Do ponto de vista do imperialismo, da direita e do golpe, o ex-presidente é a caça. A direita é o leão. Lula é o único político brasileiro que pode ser propriamente chamado de popular e é reconhecido por amplas massas operárias como seu representante político dentro do regime burguês. Por isso a perseguição do golpe contra ele é um passo fundamental para o regime golpista.

A operação política do golpe consiste precisamente em excluir os trabalhadores de qualquer participação no regime. Para isso precisam esmagar seus representantes políticos, começando precisamente pela esquerda moderada que participava de um pacto que foi desfeito durante a campanha golpista. O ataque contra Lula mira não só o PT mas a esquerda de conjunto, as organizações operárias em geral e os movimentos populares.

Nesse quadro, o papel de abutre cabe à esquerda que vem procurando aproveitar o “espólio” eleitoral de Lula. Com o ex-presidente preso, esses setores esperam abocanhar parte de seus votos. São candidatos como Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Em palavras, todos esses candidatos dizem ser contra a perseguição a Lula. É difícil, no entanto, identificar uma ação concreta da parte desses candidatos contra a perseguição da direita.

Por outro lado, esses candidatos apresentam declarações ambíguas quando o assunto é justamente essa perseguição. Ciro Gomes diz que as eleições deveriam acontecer sem Lula. Manuela D’Ávila chegou a dizer o seguinte sobre o “julgamento” de Lula: “eu não sou juíza, mas, se ele cometeu crimes, é preciso que haja provas.” Muito longe de denunciar o golpe, a falência das instituições sob o golpe e o fim de qualquer fachada de democracia depois do impeachment fraudulento e comprado de Dilma Rousseff em 2016.

Os abutres estão ansiosos esperando o leão triturar a caça e ir embora de barriga cheia. Esperam se alimentar de resíduos no final. O que significa, nesse caso, ampliar um pouco os próprios votos. É possível que essa esperança até tenha algum fundamento. Pode ser que ganhem alguns votos a mais, em uma eleição sem Lula. E pode até ser que consigam uma bancada parlamentar um pouco maior.

Lula e os abutres à espreitaO problema é que, mesmo que consigam votos a mais, estão sacrificando algo muito maior para alcançar um objetivo muito pequeno. Sacrificam o fundamental, os interesses dos trabalhadores, em troca de um benefício muito secundário, seu próprio desempenho eleitoral. A perseguição contra o PT e Lula visa desorganizar a classe trabalhadora. Se os golpistas conseguirem levar seu plano até o fim o saldo será uma situação de extremo retrocesso e de difícil reação popular, em meio à desorganização e à fragmentação. É preciso evitar esse desfecho com uma ampla mobilização em defesa de Lula, contra sua prisão, contra a direita, contra os golpistas.

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