Lula é nomeado presidente honorário da juventude do Partido Trabalhista britânico

Lula participa do 3º Congresso Nacional da Juventude do PT

Da redação – A juventude do partido Trabalhista britânico, Young Labour, apontou Lula como seu novo presidente honorário na quarta-feira (3). O comitê nacional da Young Labour denunciou a campanha contra Lula levada adiante pela “elite” brasileira. “Lula foi preso porque ele simboliza a dignidade e o progresso dos trabalhadores, camponeses e despossuídos do Brasil”, declarou o comitê. “É por isso que o estamos nomeando nosso presidente honorário”.

O Young Labour representa os mais de 110 mil membros do partido com menos de 27 anos. Atualmente liderado por Jeremy Corbyn, o Partido Trabalhista refreou o avanço da extrema-direita no Reino unido ao deslocar-se à esquerda. O agrupamento denunciou que “um ataque a Lula é um ataque contra cada socialista e cada democrata por todo o planeta”, e afirmou que “ele tem que ser libertado”. um apoio significativo vindo de um partido que disputa o governo do Reino Unido diante da crise do governo conservador.

Abaixo, segue uma reprodução da tradução livre da nota oficial do Partido Trabalhista britânico publicada no portal de Lula:

“Eles podem matar uma, duas ou três rosas, mas nunca vão conseguir parar a Primavera.”

Desde o início de abril, Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, cumpre uma condenação de 12 anos em confinamento solitário com acesso limitado ao mundo exterior. Ao longo do período que antecedeu sua prisão, ele enfrentou – e continua a enfrentar – um julgamento pela, como parte de uma campanha organizada de difamação dirigida pelas elites dominantes do Brasil contra o movimento trabalhista de Lula.

A sentença de Lula é extremamente desproporcional às frágeis acusações que lhe foram feitas. A principal acusação, baseada em delações premiadas de empresários acusados de corrupção, é que lhe foi oferecido um apartamento (no qual ele nunca passou um dia). A verdadeira razão para punir Lula é que nos próximos dias o Brasil terá uma eleição de profunda importância para o futuro do país.

Nesta eleição, o candidato preferido dos reacionários brasileiros é Jair Bolsonaro, um candidato de extrema-direita, que se apresenta como “anti-establishment”. Bolsonaro, que admite abertamente simpatizar com a antiga ditadura militar do Brasil, promete continuar as políticas neoliberais do presidente Michel Temer, que esteve envolvido no “golpe suave” contra a presidente Dilma Rousseff em 2016.

Depois de atropelar a vontade democrática de 54 milhões de brasileiros removendo Rousseff, Temer colocou em prática sua política de austeridade: impôs um congelamento de 20 anos nos gastos públicos e declarou claramente sua intenção de privatizar a empresa petrolífera brasileira, a Petrobras. Paulo Guedes, o economista-guru de Bolsonaro, treinado em Chicago, pretende continuar essa trajetória, sua solução declarada para o “caos” predominante na economia brasileira é “privatizar tudo”.

Todas as pesquisas de opinião mostravam que Lula era de longe o mais popular candidato em qualquer cenário. Como ex-trabalhador não-universitário, militante sindical e importante figura política no país, Lula teria representado a resistência do povo brasileiro ao horrível futuro oferecido pelo establishment político. Lula foi preso porque simboliza dignidade e progresso para os trabalhadores, camponeses e expropriados do Brasil.

É por isso que estamos fazendo dele o presidente honorário do Young Labour. Aqui na Grã-Bretanha, o movimento trabalhista não ficará calado. Praticamente todos os nossos principais sindicatos se posicionaram firmemente em defesa de Lula e de nossas irmãs e irmãos no Partido dos Trabalhadores (PT).

O Young Labour espera que este pequeno ato simbólico de solidariedade se somará à onda de apoio que o PT já conquistou em todo o movimento global de trabalhadores. Também esperamos que isso ajude a aumentar a pressão internacional sobre o governo brasileiro para libertar Lula. Nós estendemos nossa amizade a todas as forças progressistas no Brasil, e desejamos boa sorte a Fernando Haddad, que todos nós estamos firmemente esperando que conquiste a vitória nas eleições e comece a reverter o ataque neoliberal que o Brasil está enfrentando.

Nossa luta por um mundo socialista nunca é apenas sobre grandes homens ou indivíduos inspiradores. Mas seja Marcos Ana na Espanha fascista, Nelson Mandela no apartheid da África do Sul ou Lula no Brasil do século XXI, nossa luta pela dignidade humana pode ser refletida neles. Lula é uma figura imponente do movimento trabalhador mundial e um ataque a ele é um ataque a todos os socialistas e democratas em todo o planeta. Ele deve ser libertado.

Venceremos! Lula Livre!

Por Marcus Barnett, em nome do Comitê Nacional Young Labour e do Escritório de Assuntos Internacionais Young Labour.