Caso Battisti
Uma análise sobre as recentes falas de Lula a respeito de Cesare Battisti
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Cesare-Battisti
Battisti foi preso no início de 2019 e enviado para as masmorras italianas | Foto: Reprodução

Antonio Gramsci era infinitamente mais perigoso para o fascismo tradicional do que Battisti era para o neofascismo. Não obstante, quando Gramsci adoeceu de pneumonia, Mussolini o indultou e providenciou atenção médica para ele.

No dia 20 de agosto, o programa Tertúlia, apresentou uma live onde vários comunicadores questionaram o ex-presidente Lula sob diversos temas. No instante 1:32:16, Lula foi abordado pela jornalista Gina Marquês, correspondente da revista Comunità Italiana, cujo estilo está bem representado neste artigo.

A jornalista escolheu um tema bem conhecido: o caso Cesare Battisti, e formulou uma pergunta também nada original: se pediria desculpas aos familiares das vítimas. Apesar da reiteração do assunto durante os últimos doze anos, é relevante comentá-lo com cuidado, porque este tema foi o mais usado para tentar vincular o governo Lula com os movimentos populares que a direita qualifica como “terroristas”.

A resposta de Lula sobre sua frustração com o caso Battisti, por causa do que ele acredita ter sido uma mentira dita por Cesare aos brasileiros, já havia sido formulada durante sua primeira entrevista desde que foi preso, em 27/04/2019.

É evidente que Lula, como ele mesmo reconhece, foi o melhor presidente do Brasil, mas também ultrapassou em muitos aspectos outros chefes de estado das Américas, com programas sociais que, nas condições do Brasil, foram muito mais difíceis de desenvolver que em outros países. Ele não podia transformar uma sociedade medieval, escravocrata e estratificada, num paraíso igualitário, como pretendia um setor da esquerda que se considerava ofendido por não ter sido convidado a integrar o governo do PT. Mas, dentro dos limites estreitos da América Latina, Lula e Dilma tentaram humanizar as relações entre trabalho e capital mais que qualquer outra figura histórica dos países latinos do continente, salvo Cuba.

Eles impulsionaram a cultura, os direitos humanos, a educação, o direito à moradia e à saúde pública, o respeito pela diversidade e a absoluta liberdade de opinião, falhando só naqueles aspectos em que as velhas tradições sabotaram suas propostas, como no caso do aborto. Tudo isso foi feito sem alarde, sem culto à personalidade, sem demagogia e, sobretudo, sem violência.

Houve erros, mas eles não foram a causa do golpe de 2016. Aliás, os mais graves foram de índole internacional e não são relevantes a esta nota. A causa do golpe foram, justamente, os numerosos acertos.

Não era possível criar condições de sobrevivência para dúzias de milhões de miseráveis e, ao mesmo tempo, formar futuros quadros para liderar uma transformação estrutural, que demoraria várias gerações. Parecia inevitável que a direita reagiria com a maior força possível, usando inclusive a ajuda dos Estados Unidos, a despeito da popularidade do PT, que foi deturpada pela mídia corporativa.

Voltando ao caso Battisti, também é verdade que Lula foi o único chefe de Estado que deu refúgio formal a Cesare. A oferta de François Mitterrand não foi totalmente oficializada e ficou apenas como um compromisso de honra com todos os perseguidos pelo neofascismo e o neostalinismo italianos.

Mitterrand queria proteger os perseguidos sem ofender os perseguidores. O primeiro ministro francês dessa época, Lionel Jospin, antigo militante trotskista, havia prometido que protegeria oficialmente os perseguidos italianos caso ele ganhasse as eleições para presidente em 1994. Não existe a mínima dúvida de que teria cumprido sua promessa, mas ele obteve só 47,5% dos votos. Então, foi Lula o único que garantiu a Battisti as condições legais perfeitas para sua permanência no Brasil, um ato de fidelidade ao melhor do direito internacional, que contribuiu a exacerbar o ódio neofascista contra o PT.

A decepção de Lula com a “traição” de Battisti faz parte de seu direito de consciência, um direito que não pode ser criticado, pois é parte essencial de nossa subjetividade. Entretanto, algumas conclusões que ele tira da conduta de Battisti se projetam em fatos objetivos, que talvez não estejam sendo apreciados com exatidão.

Já o próprio Lula, na reportagem da prisão de Curitiba, havia sugerido que a “confissão” de Battisti poderia ser produto de tortura. Aliás, um pensamento semelhante foi manifestado por Eduardo Suplicy, quando mostrou ceticismo por confissões emitidas por prisioneiros. Então, é impossível saber se Battisti foi ou não o executor das vítimas.

Se Cesare foi punido muitíssimo mais que qualquer um dos verdadeiros executores, não foi por senso de justiça. Foi porque os algozes encontraram, pela primeira vez, alguém que não vendia sua consciência, alguém que pôs sua liberdade em risco para denunciar na França os crimes contra a humanidade cometidos pelo neofascismo, e fazer conhecer a milhões de franceses fora do âmbito político e intelectual a realidade italiana, por meio de vários livros que se venderam até em bancas de jornais.

Durante minha longa amizade com Battisti, que também incluiu confraternização entre nossas famílias, jamais tentei formar uma opinião sobre se ele seria culpado ou inocente. No meio familiar e no círculo de amigos, falávamos muitas vezes de Battisti, mas não lembro que alguma vez tenhamos manifestado a mínima curiosidade sobre sua verdadeira responsabilidade nos fatos. E não era porque ele nos tivesse enganado. A questão era simples: este homem estava totalmente pacificado. Então, qual é o sentido atual do que ele fez há 40 anos, sejam simples assaltos ou atos violentos? Será que 5 mil anos depois continuamos julgando a humanidade com a mitologia vingativa dos antigos patriarcas? A posição do estado italiano refutava a crença tão apregoada de que se tentava fazer justiça e não, como realmente acontecia, aplicar uma vingança.

Em meu livro sobre Battisti, uso mais de 50 vezes a palavra “culpa” e suas derivadas, mas sempre são referidas a situações do tipo “a culpabilidade nunca foi provada” ou “pretenderam colocar a culpa nele”. Nunca digo algo equivalente a “Battisti merece refúgio porque ele não é culpável”.

Respondendo a Gina Marques, Lula disse que toda a esquerda italiana o havia pressionando para que entregasse Battisti. É verdade que a palavra “esquerda” foi muito manipulada e, em algumas partes do mundo, perdeu o sentido de ideologia igualitária, que defende a solidariedade, o pacifismo o secularismo e os direitos humanos. A confusão entre membros de partidos que foram de esquerda em sua fundação, como o PCI é compreensível pela tendência humana a identificar símbolos com os objetos que estes designam, mas a realidade é outra.

Os movimentos e partidos de esquerda na Itália são muito poucos e com poucos militantes. No total, Sinistra Italia, Federazione dei Verdi, Partito Radicale e Articolo Uno têm apenas uma pequena porcentagem de votos. A maioria de seus membros são intelectuais, estudantes ou operários das novas gerações, mas inclui uma minoria mais velha que sobreviveu às purgas dos anos 1970 e 1980.

Os grandes partidos italianos, herdeiros do stalinismo, do socialismo decadente, e das políticas de cambalachos e corrupção são tão “esquerda” como são, no Brasil, o PSDBPSBPDT, a Rede, ou o MDB. Quem duvida, pode comparar os históricos de Fassino e FHC, ou de Renzi e Aécio Neves.

Lula disse que toda a esquerda brasileira queria que Battisti ficasse. Isso é verdade, até porque seu amigo, Mino Carta, não pode ser considerado de esquerda, embora Carta Capital faça espaço para artigos progressistas. A maioria da esquerda popular brasileira (a dos movimentos, sindicatos e grupos sociais) nunca se deixou perturbar pelos rancores incubados há 40 anos, a milhares de quilômetros de distância, numa sociedade com perfil oposto ao Brasil. O nosso é um país de afrodescendentes, indígenas e miscigenados, que foram vítimas e não “compatriotas” dos colonizadores mediterrâneos.

Os militantes que lutaram pela proteção de Cesare, o receberam em suas casas, lhe ajudaram a arrumar emprego, e o protegerem duas vezes de ser sequestrado, nunca lhe pediram um atestado de “ficha limpa”. É verdade que a esquerda institucional conseguiu para Cesare o visto de permanência. Mas, a esquerda popular, mesmo tendo fracassado, arriscou sua pele para tirar Cesare do país no momento de maior fúria fascista. Por sinal, um grupo grande de amigos me enviou recentemente um e-mail para fazer saber a Cesare que eles o continuam apoiando a despeito de qual seja a opinião dos centros de poder.

Não tenho dúvida de que Lula, ao objetar que Cesare tivesse saído do Brasil para ir a Bolívia, acreditava sinceramente que ele poderia obter justiça, mesmo após o golpe de Temer. Eu considero Lula uma das pessoas públicas mais sensíveis e inteligentes entre aquelas cujas informações acompanho desde há décadas. Mas é um erro muito comum acreditar que a ingenuidade é falta de inteligência. Muitas grandes mentes, como Albert Einstein e Gilo Pontecorvo eram pessoalmente ingênuos. No fundo, Lula parece pensar que “o bem sempre triunfa”, o que é compatível com sua fidelidade a um cristianismo idealizado, mas que é aquele em que o povo acredita.

No entanto, Lula se equivoca ao pensar que Battisti prejudicou a relação do Brasil com a esquerda italiana e europeia. No caso da Itália, a verdadeira esquerda não têm qualquer poder e, com frequência, nem sequer tem emprego. Os mais jovens sempre admiraram o PT e alguns o tiveram como modelo a seguir. Quanto à suposta “esquerda” do PD, seu desgosto com o Brasil estava baseado em paranoia narcisista e seus ameaças foram apenas bravatas. Eles obtiveram apenas 6% de quórum no Parlamento Europeu quando quiseram prejudicar o Brasil e nunca levaram a sério sua denúncia à Corte Penal Internacional, que nunca aceitaria uma queixa-crime deste tipo.

O objetivo central do PD e de outros setores da nova centro-direita foram os negócios e, nem a amizade com o povo brasileiro, nem sua indignação imperialista, tinham tanto valor quanto as transações comerciais. Essa pseudo-esquerda não parece ser muito polida com uma pessoa do tamanho de Lula, que se considera seu amigo. Uma prova disso é a nota que Napolitano enviou a seu colega brasileiro, após tê-la divulgado na imprensa italiana. Nem o embaixador do rei Átila teria cometido tal afronta diplomática.

Quanto ao resto da esquerda europeia, foi sempre favorável a Battisti, como no caso da França, da Escandinávia ou da Holanda, ou foi indiferente, como o Reino Unido. O caso de Cesare não tem nenhum peso na maior ou menor proximidade da esquerda europeia com o PT brasileiro, pois essa relação está definida por variáveis mais substantivas. O grande problema da verdadeira esquerda civilizada é derrotar o avanço de uma política mais cruel impiedosa que o fascismo, o neoliberalismo.

É importante a defesa que Lula faz da verdade. Neste momento, ele se coloca fora do espectro político e jurídico e assume uma condição plenamente humana. Ele acha que Battisti deveria ter dito a “verdade” (supondo que ele houvesse realmente mentido), porque estava entre amigos, e as pessoas não mentem aos amigos.

Continuo pensando que Lula é totalmente sincero, e que sua decepção não é pela possível execução, há 42 anos, de um grupo de torturadores e delatores, no meio a uma repressão duríssima, uma guerra civil não declarada e atos de mega-terrorismo (stragi) financiados pelo empresariado, municiado pelas forças armadas e executados pelos neofascistas.

A decepção de Lula é porque Battisti não tratou os políticos brasileiros como amigos, sendo que para Lula, a amizade e a família são valores muito importantes, mais que as formalidades burocráticas. Com uma modéstia incrível numa pessoa de seu tamanho ele imagina que Battisti não se aproximou dele “porque não o considerava suficientemente de esquerda”.

O único lamentável é que, talvez, apesar de sua enorme generosidade, Lula não conseguiu perceber que, em muitos aspectos, a solidariedade da “esquerda” institucional brasileira com Battisti não foi tão profunda como talvez ele acreditou. Os defensores sinceros de Battisti nos círculos políticos foram muitos, sem dúvida, mas não maioria. Aliás, nem todos defenderam o escritor italiano por senso de justiça, mas também por cálculo político.

Se Battisti tivesse sido realmente o executor dos homicídios e ele tivesse contado isso a seus verdadeiros amigos do governo, estes o teriam protegido da mesma maneira. O problema é que esses amigos eram minoria, e muitos membros dos poderes públicos que apoiaram Lula na concessão do refúgio teriam deixado de fazê-lo.

Lula foi muito criticado, ofendido e humilhado pelo pior da sociedade brasileira racista, classista e truculenta. Ele sofreu a perseguição dos mais tortuosos elementos do judiciário, do Congresso, das mídias e de figuras nefastas como a gangue de Curitiba, que o condenou com absoluta iniquidade a 580 dias em prisão. Isso não é pouco, ainda mais se a vítima foi o ex-presidente que deixou seu segundo governo com 87% de aprovação popular e o maior reconhecimento da comunidade internacional como o grande transformador da sociedade brasileira. Ele tirou o Brasil do Mapa da Fome, elevando o país a se apresentar como a sexta economia mundial, e obteve de Barack Obama a espontânea frase: “este é o cara!”.

Sim, Lula foi vítima de uma injustiça mórbida e perversa que daria inveja ao maior grupo criminoso do planeta, mas sua perseguição foi diferente da que sofreu Cesare Battisti.

Os inimigos de Lula procuravam humilhar um trabalhador, um filho do povo, que havia subido ao governo graças a sua liderança na luta dos trabalhadores, a seu caráter e a sua inteligência. Todavia, o principal objetivo de juízes, procuradores, militares e políticos de direita não era apenas esse prazer sádico, embora existisse e fosse intenso. O objetivo principal era fincar os dentes nos trilhões de dólares do patrimônio brasileiro e alimentar sua ânsia de poder.

Os inimigos de Battisti foram diferentes.

Eles estavam guiados pela vingança, pelo ódio, pelo espírito mafioso, pelo fracasso na dominação da África, pela sede de sangue, e por delírios místicos sobre a purificação pelo tormento. Um papel enorme na cultura da Itália, já estudado várias vezes, porém não tanto como merece, é o do fascínio pela tortura, que tornou temíveis as práticas dos procuradores, fossem neofascistas, maçônicos ou neo-estalinistas. Eles simplesmente odeiam a inteligência, o saber, o desafio, a coragem e querem a submissão e a omertá (a lealdade do silêncio que os plebeus devem aos chefões).

Esse ódio é mais letal que qualquer outro porque não obedece a nenhum projeto racional. Ele pertence a um setor da cultura etnocêntrica (hoje hegemônica) que perseguiu ou desprezou seus maiores gênios, como Galileu, Giordano Bruno, Leonardo da Vinci, Pontecorvo, Pavese, Antonio Gramsci, e muitos outros e exaltou a Cosa Nostra, a Inquisição e o Fascio.

Esse ódio foi o que sofreu Battisti. Por isso, mesmo tendo sido vitoriosos em sua perseguição, os algozes não ficam tranquilos. Ainda precisam falar sobre ele. Nem a tão reclamada “reparação” que seus familiares exigiam do Brasil foi capaz de acalmar seu desejo de vendetta, porque ainda hoje continuam levantando aquele ódio em todos os espaços onde podem falar.

Recaem numa atitude tão medonha como seguir usando o infortúnio de um rapaz descapacitado que foi ferido por uma bala disparada erradamente por seu próprio pai. Com efeito, Alberto Torregiani volta a ser usado pela mídia italiana para recriar o ressentimento de uma ralé doente que já não têm pão e circo, como na Antiga Roma. Na Itália de hoje, até o pão está caro.

Cesare continua preso em isolamento relativo, tendo que escolher entre comer a comida quente ou tomar sol, apesar de ter assumido culpas alheias em troca de um tratamento penitenciário mais digno e para não ser levado ao isolamento absoluto do sistema 41 bis, repudiado pelos países civilizados e pela ONU (que, não obstante, continuam reconhecendo a Itália como “estado de direito”).

Na política brasileira, o ressurgimento de toda esta patológica vendetta tem duas finalidades:

– criar ressentimento contra Lula, mantendo, com qualquer pretexto, a lembrança de que foi ele quem protegeu o “terrorista”.

– gravar na cabeça das pessoas desinformadas que nunca mais devem votar pelo PT.

Já em um nível internacional, o interesse é consolidar a vingança contra Battisti e, se for possível, torná-la mais truculenta. Em soma, os “justiceiros” objetivam legalizar os crimes jurídicos dos togados italianos:

– condenação sem provas. Isto é bem sabido e não precisa ser relembrado.

– confissão forçada sob ameaça de tortura. A declaração de Cesare ao Procurador Alberto Nobile, coordenador de seção distrital antiterrorismo da Procuradoria de Milão, foi negociada sob a “sugestão” de que, se Battisti não reconhecia seu envolvimento naqueles propagandeados quatro crimes, só cabia considerá-lo como terrorista e não como homicida. Observe-se, de passagem, que a ONU não reconhece nenhuma definição oficial de “terrorismo”.

Neste caso, Cesare seria colocado no sistema 41 bis, sob isolamento absoluto. Hoje, Cesare pode receber visitas (fora do período de quarentena), escrever e telefonar e possui uma cela do tamanho de um quarto normal, embora não possa entrar em contato com outros detentos. Aliás, tem um dos melhores advogados da Itália, Davide Steccanella. As queixas de Cesare contra o sistema são publicadas frequentemente pela revista Carmilla. Mas, isto está muito aquém do que os procuradores prometeram, pois não há previsão próxima de novo análise de sua situação penal. Ainda assim, no 41 bis, a situação teria sido muito pior.

Descumprimento dos requisitos de isonomia que os “estados de direito” devem cumprir. (O Caso Battisti é formalmente idêntico ao Caso Colozza de 1983, como pode ver-se no link abaixo.)

Quem se beneficia desta psicopática reutilização do caso de Battisti?

Por um lado a mídia marrom em qualquer língua. Seus leitores, aqueles que esperam que a fogueira de hereges em praça pública seja restaurada, devoram a notícia com uma mistura de prazer, indignação e “síndrome de abstinência”.

Mas também há finalidades mais práticas. É possível que essa propaganda sobre o arrependimento de Lula possa aumentar a popularidade da direita não fascista italiana como Cinco Estrelas e o PD. Eles querem provar que tiveram tanto mérito como Salvini na captura do perigoso “terrorista”. Eles podem argumentar que não fracassaram na conquista da amizade de Lula, pois ele se declara arrependido.

Finalmente, parece-me que há uma tentativa da direita brasileira dita “democrática” (PSDB, DEM, PDT, MDB, etc) de atrair parte do PT ao centro, e incluí-lo em suas alianças. Não tenho qualquer prova, mas encontro muitos indícios na mudança de linguagem dos antigos “anti-petralhas”. No começo de agosto, Bolsonaro tinha 33% de intenção de voto, enquanto outros candidatos que se fingem seus inimigos nem atingiam os dois dígitos.

A população mais pobre e isolada (que não Brasil é maioria), se tiver de escolher entre duas formas de direita, escolhe a populista. Com as novas formas de comunicação, a popularidade dos aristocratas engomados abertamente antipopulares, cujas esposas jogam ração com validade vencida desde seus jatinhos e humilham em público os moradores de rua, parece ultrapassada. Falsos intelectuais e marqueteiros metidos a estadistas estão em baixa no mercado.

Como em 2018, a opção popular está entre o PT e Bolsonaro. Mas, desta vez, a direta tradicional, os Novos, Witzels e Guedes da vida, como também os coronéis progressistas e os ambientalistas de mercado não têm candidatos com carisma. Mesmo brutal e inqualificável, o capitão reformado expressa com a maior rudeza o pouco que sua cabeça pensa. O cinismo dos gentleman que se fingem seus opositores não pega. A única possibilidade destes é enganar uma parte dos eleitores do PT, uma tarefa que será mais difícil do que imaginam.

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