Lula diz que Bolsonaro foi colocado no poder para destruir o PT: é preciso derrotar a direita

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encarcerado sem provas numa masmorra da Polícia Federal (PF) em Curitiba, teria alertado a presidente do PT, Gleisi Hoffmann e a ex-presidente Dilma Rousseff na última quinta (3) que, “diferentemente de todos os outros desde a redemocratização, Bolsonaro não foi eleito para governar, mas sim para destruir adversários políticos, em especial o PT e seu legado”.

A consciente análise de Lula decorre dos discursos e pronunciamentos de Jair Bolsonaro (PSL) após sua posse na Presidência da República no dia 1º. Durante a campanha, seus pronunciamentos haviam mantido a linha fascista de extermínio das organizações e lideranças políticas, tal como externado com todas as letras num discurso transmitido pela internet em 21 de outubro de 2018 para manifestantes na avenida Paulista, em que Bolsonaro ameaçava:

Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão pra cadeia. Petralhada, vai tudo vocês pra ponta da praia. (…) Será uma limpeza nunca vista na história do Brasil. (…) Vocês, petralhada, verão uma polícia civil e militar, com retaguarda jurídica pra fazer valer a lei no lombo de vocês. Bandidos do MST, bandidos do MTST, as ações de vocês serão tipificadas como terrorismo.

Eleito, o militar manteve as ameaças, afirmando em seu discurso de posse:

Me coloco diante de toda a nação neste dia como um dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto. Nossa bandeira jamais será vermelha. Só será vermelha se for preciso nosso sangue para mantê-la verde e amarela.

A “libertação do socialismo” a que ele se refere não é outra senão a perseguição às organizações sociais, aos movimentos populares, aos partidos de esquerda. Não é outra senão a extinção total de todas as políticas sociais estatais e a implementação progressiva de um regime político e econômico cada vez mais predatório, cada vez mais a serviço do imperialismo e contra o povo.

Tais promessas alinham-se com os propósitos clássicos do fascismo, em 1931, Leon Trotsky alertaria que “o fascismo tem por função principal e única destruir todos os bastiões da democracia proletária até os seus fundamentos”.

Foi essa ameaça que Lula acertadamente divisou no discurso de Bolsonaro.

Em todo caso, o próprio regime golpista tem mostrado continuamente suas contradições internas. É possível tirar proveito de tal vulnerabilidade para dar combate ao fascismo antes que se instale definitivamente na máquina estatal num processo brutalmente repressivo. Nesse sentido, a única força de que dispõe a classe trabalhadora é sua capacidade de organização e sua mobilização. Somente por meio da luta as organizações populares e de esquerda lograrão sobreviver ao feroz ataque que se anuncia.

Tal luta, tal mobilização não pode ter outras palavras de ordem senão aquelas que negam qualquer traço de legitimidade ao governo golpista de Jair Bolsonaro, baseado em eleições fraudadas em que o principal candidato, Lula, estava preso e impedido de concorrer pelo atual ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro – o Mussolini de Maringá.

Por isso, é preciso conclamar todas as organizações populares a uma resoluta mobilização nas ruas exigindo a imediata Liberdade para Lula e Fora, Bolsonaro!