Lula diz em carta confiar na justiça, mas o Judiciário é golpista

Na noite da última segunda (16), a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) leu para a militância acampada em Curitiba uma carta ditada pelo presidente Lula:

Eu ouvi o que vocês cantaram. Estou muito agradecido pela resistência e presença de vocês neste ato de solidariedade. Tenho certeza que não está longe o dia em que a Justiça valerá a pena. Na hora em que ficar definido que quem cometeu crime seja punido. E que quem não cometeu seja absolvido. Continuo desafiando a Polícia Federal da Lava Jato, o Ministério Público da Lava Jato, o Moro e a segunda instância a provarem o crime que alegam que eu cometi. Continuo acreditando na Justiça e por isso estou tranquilo, mas indignado como todo inocente fica indignado quando é injustiçado.

Lula teve sua prisão decretada pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro – o Mussolini de Maringá – no último dia 5 de abril. O ex-presidente recolheu-se então ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. Acorreram ao local dezenas de milhares de manifestantes de esquerda de todo o País determinados a cercar e não deixar prender – conforme as palavras de ordem de então.

A direita do PT – ou o “PT jurídico” – porém aconselhou Lula a se entregar à Polícia Federal (PF). Segundo esses sábios conselheiros, a capitulação resultaria num possível habeas corpus mais célere, e em melhores acomodações na carceragem da PF em Curitiba. As lideranças esvaziaram as ruas na manhã de sábado (7), diminuindo o transporte e a convocação dos movimentos sociais. Somente três mil manifestantes assistiram diante do Sindicato a uma liturgia católica, ao final da qual o líder maior do PT faria um discurso de uma hora. Vendo a mobilização das ruas reduzidas, a pressão atenuada pela claque de Manuela D’Ávila, Lula optou por entregar-se à PF.

A militância do próprio PT, em seguida apoiada pelo PCO e outros movimentos, fez então barreiras na saída do Sindicato, impedindo a saída de Lula. Uma manobra da burocracia sindical logrou desimpedir um portão, e no fim do dia Lula partiria rumo à prisão em viaturas da Polícia Federal. A caminho de Curitiba, um controlador de voo chegou a sugerir aos pilotos do avião que o atirassem pela janela. Já na carceragem da PF em Curitiba, nada de condições mais favoráveis de detenção: Lula foi para uma solitária chamada tranca – a pior masmorra do lugar –, ficando completamente isolado, praticamente sem comunicação com o exterior. Como se sabe, a maioria dos agentes da PF – os carcereiros do local – é composta por direitistas e bolsominions, o que coloca a própria vida do ex-presidente em risco.

É sabido que o processo pelo qual Lula foi acusado foi fraudulento e completamente carente de provas desde sua origem na Operação Lava Jato – assim como o foram os de José Dirceu, José Genoíno ou João Vaccari Neto. A esquerda foi derrotada em todas as instâncias judiciais em que qualquer dessas lideranças políticas de esquerda recorreu.

O judiciário – o poder menos democrático e mais reacionário da República – é um dos principais instrumentos do golpe. Os juízes, promotores e policiais federais envolvidos nas operações golpistas receberam treinamento e orientação norte-americana. O Supremo Tribunal Federal (STF) chancelou todo o processo ilegal de impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Qualquer crença no pode judiciário como tábua de salvação para as instituições brasileiras não passa de ilusão. Do ponto de vista político, não se pode esperar então do martelo do judiciário qualquer justiça real. O judiciário é golpista.

A garantia de direitos de Lula e de todos só será reconquistada de fato quando a classe trabalhadora se mobilizar massivamente, num movimento com características revolucionárias, exigindo a imediata libertação de Lula e  o  im . Talvez no fundo seja a essa justiça que o texto faça menção, manifestada na carta em forma de agradecimento à militância. Somente este movimento, político e não judicial, trará a justiça a que almeja a maior liderança popular do Brasil.