É Lula ou nada!
Em sua entrevista para o UOL Lula denunciou a política da frente ampla com os golpistas “esse negócio da terceira via é conto de fadas, nem as crianças acreditam mais”
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Ex presidente Lula, preso e retirado ilegalmente das urnas em 2018, candidato mais popular do Brasil | Foto: Reprodução.
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Ex presidente Lula, preso e retirado ilegalmente das urnas em 2018, candidato mais popular do Brasil | Foto: Reprodução.

Em sua entrevista ao portal UOL o ex presidente Lula criticou a posição direitista daqueles que negam tanto o PT e quanto o bolsonarismo e advogam por uma terceira via, afirmou que as mesmas figuras que tinham essa posição em 2018 apoiaram Bolsonaro contra o PT nas eleições. O fato é que os defensores da tal terceira via sãos os mesmos que defendem a frente ampla “sem petista na cabeça”, como afirmou a jornalista golpista Vera Magalhães. São os que defendem a manutenção do regime do golpe que vem destruindo o Brasil desde 2016 e que escondem por detrás da retórica de terceira via sua defesa da “primeira via”, ou seja, dos mesmos setores que dominam o Brasil há décadas, os partidos tradicionais da burguesia apoiados pelo imperialismo.

A polarização que existe atualmente entre a extrema direita, encabeçada por Bolsonaro, e a esquerda, liderada pelo PT, principalmente na figura de Lula, se intensificou em 2018 após 2 anos de regime golpista que acabaram com qualquer resquício de popularidade dos partidos tradicionais da direita, que deram o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma e assumiram o governo por meio de Michel Temer e os partidos tradicionais da direita golpista (MDB, PSDB, DEM etc.).

Na realidade essa popularidade já havia desaparecido desde a década de 1998, quando o último presidente de direita foi eleito no País. Em 2002, a burguesia percebendo que mais um governo neoliberal de destruição nacional ao estilo de FHC poderia causar uma explosão social, teve de aceitar que Lula vencesse as eleições. É bom lembrar que ele já era o candidato mais popular desde 1989 e teria vencido todas as eleições presidenciais caso elas não fossem completamente controladas pela burguesia.

Depois do governo Lula, a direita não conseguiu emplacar mais nenhum candidato e perdeu mais três eleições presidenciais, por isso organizou o golpe de Estado de 2016 estimulando o crescimento da própria extrema direita para usar de base golpista. Contudo esse setor da direita sofreu tamanho desgaste  que com apenas dois anos de governo perdeu completamente sua base eleitoral, todos os candidatos da direita com exceção de Bolsonaro quase desapareceram no primeiro turno, apenas Ciro Gomes cresceu justamente por ser apresentado como esquerdista para tirar votos do PT. O candidato principal da burguesia, Alckmin do PSDB, saiu de mais de 12 milhões de votos só no estado de São Paulo em 2014 para menos de 5 milhões nacionalmente em 2018.

É importante destacar que Bolsonaro representa uma base social real de extrema direita, muito menor que a do PT e da esquerda como um todo, mas que de fato existe. Ao contrário dos setores da direita tradicional, como por exemplo Dória, que são completamente impopulares. Contudo Bolsonaro continua não sendo o candidato preferencial da burguesia, que tenta a todo custo criar um candidato viável, realiza todo uma gigantesca manobra em defesa de Dória, ameaça lançar Luciano Huck dentre outros. Mas, mesmo com todo esse esforço, não há indícios reais de que essa manobra terá sucesso.

Para tentar restaurar alguma popularidade da direita tradicional, a burguesia lança a tática da frente ampla, que consiste em subordinar a esquerda a essa direita em um suposto combate ao bolsonarismo e em defesa de uma democracia abstrata. A esquerda pequeno burguesa caiu quase que por completo nesta manobra e agora se encontra completamente a reboque dos golpistas que vem destruindo o país desde de 2016. Essa esquerda apoia os maiores inimigos da classe operária, os candidatos tradicionais da burguesia nacional e do imperialismo.

A esquerda possuiu uma alternativa real ao regime golpista que é justamente aquele que foi o principal alvo do golpe de Estado, preso político por 580 dias e ainda com seus direitos cassados, o companheiro Luís Inácio Lula da Silva. Conforme se desenvolve a crise econômica e política cresce a polarização que leva ao fortalecimento de Bolsonaro – por um lado –  e, de forma mais intensa, do ex-presidente Lula. Esse fator crucial deve ser aproveitado por toda a esquerda que deva lançar um gigantesco movimento em defesa da restituição dos direitos políticos de Lula e de sua candidatura nas próximas eleições. A frente ampla existe justamente para paralisar esse movimento e fazer a esquerda abandonar a luta contra o golpe.

Sendo assim a declaração de Lula é importantíssima pois é um ataque direto à frente ampla, ele começa atacando a candidatura de Huck, mais um dos possíveis candidatos desta frente, e termina justamente afirmando que esse setor da direita defende a mesma política econômica de Bolsonaro, ou seja, a política de fome e miséria de milhões de pessoas.  Além disso Lula se pôs a disposição para ser o candidato da esquerda em 2022 se colocando frontalmente contra os golpistas que não querem aceitar Lula de forma alguma.

Contudo apenas por meio da mobilização popular se poderá reconquistar os direitos políticos de Lula, está claro que o ditatorial STF se manterá como um dos principais baluartes de sustentação do regime golpista e não devolvera seus direitos, sem que haja uma ampla mobilização popular.

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