Oportunismo subiu à cabeça
Ricardo Capelli, funcionário de Dino, diz que Lula corre risco de “tombar” se não aderir à desastrada política de acordo com a direita
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Sem Lula, a frente ampla é um fracasso total para a direita. | Foto: Reprodução

O funcionário de Flávio Dino (PCdoB), Ricardo Capelli, ex-presidente da UNE e também do PCdoB, escreveu uma curiosa coluna no Brasil 247.

No artigo intitulado “Lula que não muda, não muda a maré”, Capelli diz: “Por que Lula está criticando os manifestos amplos contra o fascismo? Qual o motivo de insistir na demarcação de um campo, pagando o preço do isolamento? Ele não sabe o que faz?”

Acusa Lula de preservar Bolsonaro para viabilizar sua própria candidatura, e diz que tudo o que Lula conquistou estaria em risco pela recusa de Lula de entrar em acordo com FHC e o resto da Frente Ampla.

“Impérios caem pela impossibilidade de parar o relógio dos acontecimentos, e pela incapacidade – mesmo tendo consciência da necessidade – dos líderes de fazerem manobras drásticas” diz o pecedobista.

O texto realmente surpreende qualquer leitor. Iremos ao primeiro argumento de Capelli para demonstrar o absurdo. Lula está isolado? isolado de quem? Qual é “o preço do isolamento”?

No Brasil hoje existem 3 campos políticos, com diversas correntes, a esquerda, a direita tradicional e a extrema-direita. Desses, apenas dois têm poder nas ruas, e, de forma desigual, a esquerda é muito maior nas ruas do que a extrema-direita.

A direita tradicional está em franca decomposição. Seu candidato, Alckmin, teve apenas 5% dos votos nas últimas eleições. Os governadores eleitos desse setor, cada vez mais, se parecem com Bolsonaro e se elegeram apoiados na base de Bolsonaro, e perderam a identidade, o dinamismo e o eleitorado para a extrema-direita.

Pensemos da seguinte forma: em 1994, FHC venceu no 1º turno, Lula teve 24% dos votos, Enéas ficou em 3º, com 7%; este último era uma espécie de candidato de extrema-direita. Nesse caso, vemos que o voto da direita foi polarizado por FHC, que ganhou com folga.

Em 2006, Lula teve 48% dos votos no 1º Turno, Alckmin teve 41%, o resto da esquerda teve quase 10%. Na direita, apenas Alckmin teve votos significativos. Claramente Lula ganharia mesmo sem o apoio do PMDB, afinal Lula ganhou com 60% dos votos no 2º turno.

Acontece que Lula hoje é infinitamente mais popular do que o era 14 anos atrás. Em 2018, as pesquisas davam conta de que ele teria mais do que o dobro de votos que Bolsonaro, e 82% dos votos de todos os candidatos juntos. Isso sem apoio da Globo, dos grandes capitalistas e fazendo campanha dentro da cadeia, com a ameaça de ser cassado durante a campanha eleitoral e sem nenhum partido com controle de nenhuma máquina eleitoral importante. Contra tudo e contra todos. Se fosse sacramentado candidato, Lula teria vencido com folga a eleição, em condições muito piores do que em 2006, e talvez com um resultado ainda maior.

A situação é muito melhor para ele hoje do que em 2018. Ele está solto, Moro desmoralizado, seu processo é uma farsa consagrada, Bolsonaro é um dos presidentes mais odiados de todos os tempos.

Nesse sentido, qual o preço do isolamento de Lula perante FHC e o Centrão? Nenhum, pois não se isola a maioria. Se Lula não entrou na Frente Ampla, ela deveria se chamar frente restrita, pois é um ajuntamento de políticos fracassados dos mais diversos matizes, com uma coisa em comum: a falta de votos e de dinamismo diante da crise. Os polos neste momento são Bolsonaro e Lula; a “Frente” de Campelli é apenas um nome e uma tentativa de usar a esquerda, que tem capital político, para reviver políticos falidos.

 

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