2º turno
Oportunismo da esquerda pequeno-burguesa chega ao ponto de recorrer ao mais importante teórico da história do movimento operário para defender a “frente ampla”
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Guilherme Boulos | Foto: Divulgação

Na medida em que o segundo turno do circo de horrores das eleições municipais vai se aproximando, os defensores da política reacionária da “frente ampla” vão se mostrando cada vez mais entusiasmados com as “maravilhas” do regime político. E, em meio ao entusiasmo, vem também o desespero, fruto da total desorientação política frente a um regime em que a esquerda está sendo sistematicamente excluída. Desse desespero, acabam surgindo, por um lado, a histeria de tipo fascista, e, de outro, uma produção intelectual decadente e profundamente irracional, de modo a dar conta da cada vez mais difícil tarefa de explicar porque a colaboração entre os explorados e os seus inimigos seria uma política correta. Um dos expoentes dessa produção decadente é Valério Arcary, dirigente do PSOL/Resistência.

Em artigo de título “Marx e Boulos”, publicado no dia 23 de novembro no portal A Terra é redonda, Arcary, de maneira muito forçosa, tenta provar que Karl Marx, o fundador do socialismo científico, apoiaria a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo. Uma espécie de piada, que servirá por muito tempo para descontrair os marxistas no futuro. Neste momento, no entanto, o desespero em torno das eleições faz com que alguns setores acabem aceitando tamanha bizarrice. Afinal, valeria tudo para eleger Boulos…

Durante a maior parte do texto, confuso e pomposo, Valério Arcary explica que Karl Marx não seria sectário ou dogmático. Isto é, que o seu método para alcançar o socialismo passaria por estabelecer uma ponte entre a situação imediata dos trabalhadores e o programa revolucionário. Essa concepção, contudo, é óbvia, e já é dada como estabelecida em toda a tradição marxista. Causa estranheza, inclusive, Arcary dedicar tantos parágrafos para explicar o óbvio…

Mas a intenção de Arcary ficaria explícita nos parágrafos finais de seu artigo. Trata-se, finalmente, de uma operação de tipo stalinista para tentar justificar a política podre da colaboração de classes por meio de uma interpretação vulgar do marxismo. Segundo ele, as considerações sobre o marxismo e a luta contra o sectarismo seriam suficientes para que a esquerda apoiasse incondicionalmente Guilherme Boulos:

“A acusação dirigida contra Boulos por uma parte da esquerda radical brasileira de que teria entrado em modo ‘paz e amor’ é injusta, e até um pouco estudantil, ou politicamente, infantil”.

“A passagem da candidatura do PSOL ao segundo turno, dois anos depois da eleição de Bolsonaro, é uma façanha política: os bolsonaristas foram excluídos do segundo turno”.

“Mais importante é que em cada luta contra a injustiça, Marx permanece presente. Ele está aqui nas ocupações dos que não têm casa para morar; nas greves de trabalhadores que reivindicam aumentos de salários; nas mobilizações dos professores pela defesa do ensino público (…) Ele está aqui na luta por levar Boulos à Prefeitura de São Paulo”.

Como pode ser facilmente visto, a relação entre Boulos e Marx não passa de uma manipulação barata. Ora, não é porque os marxistas devem estabelecer uma ponte entre as reivindicações dos trabalhadores e o socialismo que absolutamente qualquer política deve ser apoiada pela esquerda. É preciso estabelecer critérios bem definidos. Dito de outra forma: se o dever do revolucionário é elevar a consciência dos trabalhadores, as lutas parciais só devem ser apoiadas quando tiverem esse fim. A política transitória que leva à confusão, à dispersão e à mobilização não deve ser vista como uma ponte, mas sim como um peso contra a revolução.

E, no caso de Guilherme Boulos, é muito claro que sua candidatura que é um fator de dispersão da mobilização, e não um fator para favorecer a luta pelo Fora Bolsonaro. Boulos não chegou ao segundo turno por meio de uma “façanha”: em todo o País, os candidatos mais abertamente bolsonaristas não tiveram um papel protagonista, uma vez que a burguesia fraudou as eleições para favorecer os partidos do chamado “centrão”. Acusar Boulos de “paz e amor” não é uma infantilidade, mas uma caracterização. Na verdade, não só Boulos se tornou “paz e amor”, como sempre foi “paz e amor” com a burguesia: é um carreirista, um político burguês que não tem nada de revolucionário. Sua trajetória inteira foi construída com base no antipetismo e na política que a burguesia queria levar adiante durante o golpe de Estado. Basta para isso citar sua atuação na campanha golpista “Não vai ter Copa” e na construção da Frente Povo sem Medo para dividir a luta contra o golpe.

A candidatura Boulos-Erundina não representa um avanço na luta dos trabalhadores e, portanto, não pode ser considerada uma ponte para qualquer programa minimamente progressista. Neste momento, a chapa psolista representa nada menos que uma tentativa da burguesia de constituir uma frente entre setores falidos da burguesia com setores direitistas da esquerda nacional. Uma espécie de “frente popular” sem o PT — ou, pelo menos, sem sua ala lulista. E seu objetivo é claro: assim como no caso de Joe Biden nos Estados Unidos, reciclar todo o lixo da direita golpista às custas de uma figura pintada como esquerdista.

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