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A burguesia deve estar nos atos Fora Bolsonaro da esquerda?

O pobre sempre é a bola

Lockdown permite avanço da repressão sobre trabalhadores

A opção por atacar a população revela o caráter opressor do Estado nacional e também a necessidade de uma política independente à classe trabalhadora

Trem da CTPM durante a pandemia. Foto: Arquivo/DCO –

As medidas de severa restrição ao direito de se locomover livremente pelos espaços públicos, popularmente conhecidas pelo anglicismo lockdown (confinamento), vão se alastrando pelo país. Sob a cobertura da pandemia do coronavírus, o regime político vem ensaiando a implementação de uma ditadura aberta no Brasil, arrastando consigo não apenas os setores tradicionais, isto é, a direita interessada em esmagar a população das mais amplas formas possíveis, mas também de um setor particularmente desorientado da esquerda pequeno-burguesa.

10 estados brasileiros já têm cidades sob os efeitos do lockdown. São eles Amapá, Amazonas, Ceará, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. Pernambuco não entrou na lista mas desde o último 12 de maio tem medidas de restrição ao direito de circulação mais rígidas, na amplitude da restrição e também pelo uso do aparato de repressão para policiar a população de Grande Recife. Além disso, desde o sábado (16), as restrições deixam de ter um caráter educativo e passam a ser obrigatórias.

São Paulo ainda não implementou o endurecimento por prudência do governo, tanto do estado quanto da capital. Por um lado, Doria (PSDB) demonstrou interesse em liberar as cidades para decretarem o lockdown, “apoiando” os municípios que decretarem o confinamento com a fiscalização da PM, enquanto o prefeito Covas (PSDB) defende que Doria feche o estado, alegando dificuldades relacionadas às conurbações da Grande São Paulo, o que na prática se traduz em um jogo de batata-quente onde ninguém quer assumir o custo político.

Pioneiro, o estado do Maranhão, governado por Flávio Dino (PCdoB) foi o primeiro a adotar o confinamento total, com previsão de multas variando entre R$2 mil até R$1,5 milhão. Situação similar vem ocorrendo em outros estados, que até o momento tem optado por atingir o bolso da população, caso do Pará, estado com 17 cidades sob medidas de endurecimento do isolamento forçado e que, neste final de semana, aplicaram 16 advertências e duas multas, cada uma no valor de R$10 mil, pelo descumprimento do isolamento. Já o Rio Grande do Sul, do fascista Eduardo Leite (PSDB) partiu para o extremo da prisão em flagrante a quem for capturado descumprindo o confinamento.

Um dado destacado por quase todos os adeptos do lockdown é que a política de quarentena não surtiu efeito, nem para o controle do surto de contágios pela pandemia e nem no sentido de manter a população em casa, o que em grande medida é chover no molhado. Sem meios de garantir a segurança sanitária e também alimentar (o que não pode ser desprezado em um país próximo a atingir 10,5 milhões de vítimas da fome), amontoar seres humanos em suas casas, muitas em condições de pobreza extrema, é uma política sem a menor chance de cumprir um papel, mínimo que seja, no combate à pandemia. Ainda, a pressão econômica pela paralisia e a criminosa indiferença dos governos, todos, em garantir a subsistência da população em um momento tão delicado, não teria como resultar em algo diferente de um amplo e majoritário setor da população tendo que se deslocar, enfrentando condições de insalubridade sanitária mortais (especialmente aos mais pobres, afinal, a pandemia pode não fazer distinção entre ricos e pobres mas o capitalismo faz).

Incapaz de assumir o erro da política, especialmente por não se tratar de erro mas de interesse, a esquerda pequeno burguesa segue em frente amplíssima com a direita (num leque político que vai de PCdoB ao PSDB) pelo incremento da repressão ao povo. O problema do país, na confortável ilusão destes setores profundamente reacionários, não está na falta de EPI’s, na falta de profissionais de saúde, no isolamento parcial feito com recorte de classe (excluindo a classe trabalhadora, obviamente), na falta de leitos, na falta de equipamentos, na falta inclusive de alimentos e mesmo na falta de vontade política para enfrentar o coronavírus com seriedade. O problema está naqueles que mais sofrem com a falta disto tudo: o povo.

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O Diário Causa Operária atravessa um momento decisivo para o seu futuro. Vivemos tempos interessantes. Tempos de crise do capitalismo, de acirramento da luta de classes, de polarização política e social. Tempos de pandemia e de política genocida. Tempos de golpe de Estado e de rebelião popular. Tempos em que o fascismo levanta a cabeça e a esquerda revolucionária se desenvolve a olhos vistos. Não é exagero dizer que estamos na antessala de uma luta aberta entre a revolução e a contrarrevolução. 

A burguesia já pressentiu o perigo. As revoltas populares no Equador, na Bolívia e na Colômbia mostraram para onde o continente caminha. Além da repressão pura e simples, uma das armas fundamentais dos grandes capitalistas na luta contra os operários e o povo é a desinformação, a confusão, a falsificação e manipulação dos fatos, quando não a mentira nua e crua. Neste exato momento mesmo, a burguesia se esforça para confundir o panorama diante do início das mobilizações de rua contra Bolsonaro e todos os golpistas. Seus esforços se dirigem a apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe, substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular. O Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra a burguesia, sua política e suas manobras. 

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