Não há nada de institucional
Mostrando na prática como foi o golpe e a intervenção dos militares. Temer lança livro sobre 2016.
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Odiado pelo povo, um exemplo contra a Frente Ampla. | AFP

Michel Temer (MDB) lançou no mês de outubro o livro A Escolha, Como um Presidente Conseguiu Superar Grave Crise e Apresentar Uma Agenda Para o Brasil, que reúne conversas do mesmo com o filósofo Denis Lerrer Rosenfield, que é jornalista de jornais como Estadão, O Globo, e cofundador do Instituto Milenium.

No livro, Temer fala a respeito de todo o processo golpista que foi responsável por derrubar Dilma em 2016, um processo que iniciou-se logo com as eleições de 2014. Temer revela que manteve contato com militares, como o general Eduardo Villas Boas, e o general e chefe de Estado, Sérgio Etchegoyen entre os dois anos que seguiram após as eleições.

O articulista da burguesia ainda revela no livro, o forte desgaste entre o Partido dos Trabalhadores e as Forças Armadas, devido à Comissão Nacional da Verdade, que levantava diversos crimes promovidos pelos militares durante a ditadura que iniciou-se em 1964.

De acordo com a reportagem do Estadão, feita por Marcelo Godoy com o filósofo que escreveu o livro, os militares tinham receio de que Dilma mudasse a Lei da Anistia e alterasse também o acesso de oficiais ao generalato, e a sua formação nas academias. Assim, os militares passaram a buscar aproximar Temer, para o mesmo ser uma base de apoio dentro do governo Dilma.

O autor informa que “não foi uma vez. Foram vários encontros” durante todo esse período, para discutir como deveria ser organizado o trabalho para garantir o interesse dos militares. O resultado veio logo após o golpe, onde Villas Boas foi mantido no cargo e Etchegoyen tornou-se novo ministro do recém inaugurado Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Temer, em todo livro, busca desviar-se das principais acusações de que ele teria conspirado contra Dilma, e não cometido nenhum crime, como os colocados na operação Lava Jato, quando a mesma virou-se contra ele. Já na introdução, assinada pelo economista Delfim Netto, coloca-se “Não tenho a menor dúvida de que, quando chegar o julgamento – sem ideologia e sem oportunismo -, Temer será classificado como um presidente inovador e reformista”.

Porém, se por um lado o livro busca retratar o golpista como um grande interventor na situação política, Temer expõe a crise no interior da burguesia, e informa que um dos principais fatores da ofensiva se deu por Eduardo Cunha (MDB), do seu mesmo partido, que voltou-se contra o PT após o mesmo ter negado apoio ao deputado.

Em outros trechos do livro, Temer vai revelando pouco a pouco a relação com os militares, a total aliança política com este setor e toda a intervenção golpista realizada contra Dilma. Destaca-se em meio a tudo isso, a participação na embaixada dos Estados Unidos, as conversas com a oposição anterior ao golpe, e toda a aliança proposta por Temer após a derrubada de Dilma.

O livro no fim, torna-se um grande escândalo nacional, que evidência a fraude do processo de impeachment contra Dilma Rousseff. É praticamente um atestado de admissão de um golpista após quatro anos de governo da extrema-direita e controlado pelos militares.

Todos estes fatores, revelam para onde caminha o Brasil: uma verdadeira ditadura. Temer coloca que enquanto estava em plenos 3% de “aprovação”, buscou aliança com diversos partidos e chegou a pontuar, que fazia quase um “semi-presidencialismo”. As mudanças na constituição, o não cumprimento dos direitos democráticos, passaram a serem defendidos abertamente como uma maneira de solucionar a crise política e econômica.

O reino de terror para o povo brasileiro iniciou-se a todo vapor, a ditadura piorou drasticamente com a repressão dos militares em protestos e greves, como a dos caminhoneiros. Por fim, todo este processo foi o responsável por hoje colocar no poder o fascista Jair Bolsonaro, e organizar um dos piores governos para o povo brasileiro em toda sua história.

O momento que vivemos é um reflexo do golpe de Estado. Temer hoje foca-se nos livros e textos, devido à completa falência política dele e de seu partido. Não há um único brasileiro que não reprove seu governo. O golpe de Estado hoje é visto por todo o povo como um dos mais gritantes ataques aos direitos dos trabalhadores, e Temer pode apenas se sustentar graças à imprensa golpista, que ainda busca levantar sua figura.

De resto, o mesmo ficará marcado pela história como o traidor de um governo nacionalista. O golpista que entrou o Brasil para o imperialismo e os fascistas, o vampiro da previdência, o inimigo dos trabalhadores. E também tornou-se um exemplo concreto de por que não devemos nos aliar com a burguesia.

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