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Capa do livro 'Chutando a escada' de autoria de Ha-Joon Chang
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Da redação – Chutando a Escada, do escritor Ha-Joon Chang, é um livro bem interessante para rebater a falácia do neoliberalismo, política econômica defendida pelos golpistas que vão de Temer, FHC, MBL até Bolsonaro.

O livro mostra, ao contrário do que é divulgado, como os países desenvolvidos enriqueceram, através da proteção de seus mercados (protecionismo) até serem poderosos o suficiente para adotarem o liberalismo (laissez-faire).

Esses países imperialistas assim que alcançaram seu amadurecimento industrial, começaram a impedir que países subdesenvolvidos como o Brasil entre outros adotassem as mesmas medidas de proteção estatal de sua indústria, impedindo o desenvolvimento da economia.

“Atualmente, os países em desenvolvimento estão sofrendo uma enorme pressão, por parte das nações desenvolvidas e das políticas internacionais de desenvolvimento controladas pelo establishment, para adotar uma série de “boas políticas” e “boas instituições” destinadas a promover o desenvolvimento econômico. Segundo essa agenda, “boas” são as políticas prescritas pelo chamado Consenso de Washington em geral. Entre elas figuram políticas macroeconômicas restritivas, a liberalização do comércio internacional e dos investimentos, a privatização e a desregulamentação.”

Desta forma esses países simplesmente impedem, através da pressão política ou da força, que haja um desenvolvimento industrial robusto que ameasse os países desenvolvidos. Os países subdesenvolvidos são obrigado a adotarem uma política econômica neoliberal, que acaba por enfraquecer ou mesmo a arruinar a indústria local, como podemos ver hoje em dia com os países da América Latina como exemplo da Argentina e do Brasil.

Chang usa como exemplo a Grã-Bretanha, um dos países centrais e mais importantes do liberalismo econômico, para mostrar que no começo da sua indústria as barreiras protecionistas foram decisivas para o fortalecimento da sua indústria.

“Em 1700, impôs-se uma barreira a importação dos produtos de algodão da índia (o morim), também de qualidade superior, debilitando aquele que, na época, era considerado o setor manufatureiro de algodão mais eficaz do mundo. Subsequentemente, em 1813, a indústria indiana de algodão acabou sendo destruída, com o fim do monopólio comercial da Companhia das índias Orientais, quando a Grã-Bretanha passou a ser uma produtora mais eficiente do que a índia.”

Sendo assim Chang mostra que:

“Qualquer nação que, valendo-se de taxas protecionistas e restrições à navegação, tiver levado sua capacidade industrial e sua navegação a um grau de desenvolvimento que impeça as outras de concorrerem livremente com ela não pode fazer coisa mais sábia do que chutar a escada pela qual ascendeu à grandeza, pregar os benefícios do livre-comércio e declarar, em tom penitente, que até recentemente vinha trilhando o caminho errado, mas acaba de descobrir a grande verdade.”

O livro é pequeno, pouco mais de duzentas páginas, que com uma abordagem histórica mostra claramente a sabotagem dos países imperialistas em impedirem o desenvolvimento capitalista completo das nações subdesenvolvidas o que explica, em parte, as crises políticas e econômicas e o domínio imperialista em países como o Brasil.

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