Liderança quilombola que denunciava crimes do latifúndio é assassinado no Pará

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O líder quilombola Nazildo dos Santos Brito, de 33 anos, da Comunidade de Remanescentes de Quilombo Turê III, foi brutalmente assassinado com sinais de execução com tiros na cabeça e costas. Nazildo era ex-presidente da Associação de Moradores e Agricultores Remanescentes Quilombolas do Alto Acará, localizada na divisa dos municípios de Tomé-Açu e Acará, no nordeste do Pará.

A execução ocorreu no inicio da noite do último dia 14 (sábado), após receber um telefone e sair da casa do cunhado. Nazildo foi encontrado morto no Ramal da Roda D`água.

A liderança quilombola era conhecida por aglutinar indígenas, posseiros e quilombolas na luta contra o latifúndio e a destruição dos recursos naturais pelas empresas do agronegócio apoiadas por empresários e políticos da região. O fato mais conhecido foi a ocupação organizada por Nazildo, que reuniu indígenas Tembé e quilombolas, na empresa ligada ao latifúndio chamada Biopalma. A ocupação serviu para denunciar os crimes ambientais do agronegócio, que poluía as águas com agrotóxicos e desmatava, acabando com o sustento de centenas de famílias indígenas e quilombolas.

Devido a sua luta em defesa dos indígenas e quilombolas, Nazildo foi perseguido pela polícia, Estado e judiciário do Pará. Para tentar barrar a luta da liderança, o judiciário golpista da Comarca de Acará abriu oito processos de crimes de turbação (perturbação), invasão, ameaças, furto e roubo impetrados pela empresa Biopalma da Amazônia S/A, subsidiária da Vale.

As comunidades que lutam por seus direitos na região sofrem com a violência organizada pelos latifundiários com a ajuda da polícia, “aqui nós vivemos sob constante ameaça e criamos sistema de proteção entre a gente, porque sabemos que há ofertas de dinheiro pelas nossas cabeças. Queremos que as autoridades investiguem o caso, que os culpados sejam presos. O Nazildo era um guerreiro, ele lutava com a gente na região do Vale do Acará”, lamenta a liderança indígena Paratê Tembé.

Apesar de toda as ameaças e violência contra as comunidades tradicionais, a polícia e a Secretaria de Segurança Pública (Segup), e de Nazildo estar inscrito no programa de proteção, não havia segurança para a liderança, o que facilitou seu assassinato brutal.

Esse assassinato, somado aos que vem ocorrendo no Pará, deve ser colocado na conta do governo golpista do tucano Simão Jatene. Já são centenas de denuncias de atuação de forças policiais como esquadrões da morte em defesa dos latifundiários, e na recusa da Secretaria de Segurança de proteger as pessoas ameaçadas de morte por latifundiários, grileiros de terra e mineradoras, seja se recusando a colocar no programa de proteção ou não oferecendo proteção.

Fica clara a necessidade da organização da auto defesa dos indígenas, quilombolas e sem-terra, por meio da criação de comitês locais que impulsionem uma ampla unidade pela defesa das reivindicações desses e de outro setores explorados e e a defesa, pelos meios necessários, para proteger a vida de trabalhadores e suas lideranças e sua luta pela conquista de suas reividicações.