Escalada Fascista no Pará
Lideranças de luta pela terra na região norte brasileira estão sendo atacadas de diversas formas, perseguição, ameaças e assassinatos.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Aumenta os números de mortes ligadas a questão agraria na região norte do pais. Indígenas, lideranças rurais, o MST e até professores e alunos das universidades e escolas da região sofrem com ameaças, espancamentos e assassinatos derivado de milicias armadas de fazendeiros madeireiros grileiros e latifundiários.

Segundo a Agência Publica de noticias, após dois assassinatos em uma semana, um líder rural ameaçado a mais de três anos teve que  fugir de Anapu (PA), o líder que luta pela reforma Agrária na região prefere não se identificar com medo de represálias, Romildo (nome fictício) contou a Agencia Publica sobre a escalada de violência que passa o município, ‘desde de 2015 já foram 15 mortes’.

As mais recentes são a do líder sem terra Márcio Rodrigues dos Reis e a do conselheiro tutelar Paulo Anacleto, assassinados nos dias 4 e 9 de dezembro de 2019 e ainda não contabilizados pela Comissão Pastoral da Terra.

o líder sem terra Marcio Reis  reivindicava o assentamento em uma terra grilada em Anapu, na Gleba Bacajá, quando passou a sofrer ameaças, ele chegou a ser preso duas vezes acusado de invasão de propriedade e porte ilegal de arma, saiu de Anapu em setembro de 2018 após sua segunda prisão e as seguidas ameaças de morte.

Voltou a cidade em 2019 para rever as quatro filhas e recuperar o emprego mototaxista.Em uma emboscada Márcio foi esfaqueado no pescoço por um passageiro pistoleiro, não teve chance de reação e morte foi instantânea.

Horas antes da confirmação do óbito do líder sem terra, Anacleto que estava junto de Romildo recebeu uma ligação de um conhecido fazendeiro da região que perguntava sobre a morte de Marcio, segundo ele indicava que o fazendeiro tinha conhecimento da emboscada.

Paulo Anacleto, assassinado na frente do filho de 5 anos.

No dia seguinte o ex-vereador e conselheiro tutelar Paulo Anacleto,  teria sugerido no velório de Marcio que o autor da ligação poderia ser o mandante do crime aos presentes. Cinco dias depois Anacleto foi assassinado próximo ‘a praça central de Anapu dentro do carro, o filho de cinco anos viu tudo, um homem desceu da garupa de uma moto e disparou contra ele.

De acordo com CPT em 2019 foram assassinados 28 pessoas em todo país relacionadas a disputa de terra, no caso de Anapu “existe uma milicia rural composta por pistoleiros, organizada por madeireiros e grileiros de terras publicas” afirma a pastoral. Em outro trecho do comunicado da CPT diz que, “quem contraria seus interesses está sentenciado a morte. No governo Bolsonaro esse grupo tem tido apoio e total liberdade de ação”

Na semana passada o Diário da Causa Operária denunciou uma tentativa de assassinato a um casal ambientalista também no estado do Pará pelo bolsonarista presidente do Sindicato Rural de Anapu Silvério Fernandes  que teria tentado matar Eduardo Modesto que é esposo de Maria Ivonete Silva coordenadora da Universidade Federal do Pará (UFPA) quando jatavam em restaurante na cidade de Altamira. (https://www.causaoperaria.org.br/latifundiario-tenta-matar-esposo-de-coordenadora-do-campus-da-ufpa/)

Em outro episódio noticiado pela Agência Publica, dois docentes da UFPA com atuação em Anapu passaram a receber ameaças após gravarem um vide-o em apoio as famílias camponesas que buscam ser assentadas. Anderson Serra e Gilberto Marques que é diretor da associação de docentes da UFPA questionam a prisão arbitrária de um agricultor e também o assassinato do trabalhador rural Márcio dos Reis.

Em áudios e mensagens em grupos de WhatsApp, os professores são chamados de”bandidos graduados” e “vagabundos”, seguidos de ameaças de morte, em um áudio especifico uma pessoa afirma que os docentes deveriam ser enquadrados na Lei de Segurança Nacional por “insuflar a violência e promover a desordem no campo”.

Alguns meses atrás o governador do Maranhão pediu socorro ao ministro da justiça Sergio Moro que mandasse a força nacional de segurança para protegerem os indígenas e investigar conflitos agrários na região norte do brasil. Além de ser ignorado pelo ministro, é importante salientar que esse governo estimula a violência contra os povos do campo e em nada vai ajudar os movimentos de luta pela terra, pelo contrario servirão como escudo dos latifundiários e fazendeiros contra a população rural pobre e desarmada em geral.

É preciso que os movimentos sem terra e de defesa da Amazônia estejam armados e organizados em milicias populares para revidar e se defender dos ataques dos grileiros e fazendeiros que já estão armados e matando pessoas. Não devem esperar nada desse governo que os trata como inimigos.

 

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