Liberdade para Lula: não vai ser na lei, vai ser na marra

Um amplo setor dos movimentos sociais e da esquerda, incluindo aí, militantes da base do PT, já compreendeu que, a depender da “justiça” brasileira, Lula mofará na cadeia, na melhor das hipóteses, pois a possiblidade de que seja assassinado nas masmorras da Polícia Federal é uma realidade, haja vista as conversas que vazaram nas redes sociais entre policiais federais e controladores de voos durante o deslocamento de Lula de São Paulo para Curitiba.

O propósito do golpe está mais cristalino do que nunca. Varrer o PT e a esquerda do mapa político brasileiro para permitir a política de terra arrasada que os golpistas querem promover no país. A liquidação de Lula, nesse sentido, é um fator fundamental para que o golpe se imponha definitivamente.

Durante pelo menos os últimos 2,5 anos, nossa imprensa tem denunciado sistematicamente que acreditar que as instituições como o Congresso e o Judiciário seriam capazes de barrar o golpe montado pelo imperialismo seria uma ilusão sem tamanho, afinal, faziam parte das engrenagens da máquina montada pelo imperialismo e o grande capital nacional para viabilizar o golpe.

A sucessão de acontecimentos demonstrou de forma absoluta o fracasso dessa crença. O problema é que a fé cega da direção do PT sempre buscava nas mesmas instituições uma nova válvula de escape na tentativa de estancar a política golpista. Primeiro “não havia possibilidade da admissibilidade do impeachment”, mas a Câmara Federal votou a favor. Depois a “Câmara não alcançaria a maioria de 2/3” e nós assistimos ao maior festival de canalhices já produzido pelos deputados em toda história parlamentar do Brasil. Em seguida foi o Senado e novamente as ilusões foram vencidas pela realidade.

Consumada a primeira etapa do golpe com a destituição da presidenta Dilma, as ilusões se transferiram para a eleição de Lula. Nesse âmbito, o festival de horrores foi ainda maior.

Diante do repúdio popular ao golpe, Lula começou a subir nas pesquisas e a “sua vitória eleitoral derrotaria o golpe. Em contrapartida, o golpe e sua imprensa venal trataram de intensificar por todos os meios a operação lava-jato, a partir dos depoimentos forjados.

Novamente “a fragilidade das acusações contra o ex-presidente “não permitiria a sua condenação em 1ª instância”, mas o Mussolini de Maringá, o serviçal do governo norte-americano escolhido a dedo para condenar Lula, não teve clemência. Depois foi a vez do TRF4 de Porto Alegre. Esse foi ainda mais bestial. Condenou Lula antes do Julgamento. O próximo capítulo foi no STJ e, finalmente assistimos o circo de horrores no STF, que não teve pruridos em rasgar a Constituição Federal para garantir a prisão de Lula na 2ª instância.

Esse foi o calvário de Dilma e depois de Lula. As instituições podres e carcomidas da República de bananas mostraram o que realmente são: meros instrumentos dos interesses do imperialismo norte-americano no país que, com seu poder econômico, transformou em meros marionetes todo o corpo de políticos e juízes brasileiros, já bem afeitos a uma “boa molhada de mão”.

Se queremos “Lula livre”, “Lula candidato dos trabalhadores”, “a derrota do golpe’, essa política deve ser mudada radicalmente. Só a agudização da polarização política entre as classes sociais permitirá reverter as derrotas que a esquerda, o PT e Lula sofreram até o momento.

Quando falamos em polarização, queremos deixar claro que não se trata de que exista uma divisão simétrica entre as classes sociais, mas de um país onde a classe trabalhadora e a esmagadora maioria dos explorados se colocam em movimento como classe social em oposição à minúscula classe social da burguesia golpista, que encontra sua força apenas por deter o poder econômico e com isso colocar a seu serviço pequenos grupos absolutamente bestiais da classe média brasileira coxinha.

Para que essa polarização de fato se efetive, os setores realmente conscientes de que não há caminho via justiça ou em outras instituições do aparato do Estado e apenas uma mobilização revolucionária das massas será possível apontar uma saída que seja capaz de reverter o quadro favorável aos golpistas.

Uma efetiva mobilização revolucionária passa pela compreensão que devemos ter uma visão realista da situação política, que nesse momento se expressa numa política defensiva que tenha como eixo a defesa das liberdades democráticas para todo o brasileiro.

Essa luta deve ter como eixo a defesa da liberdade de todos os presos políticos do Estado, a começar por Lula, mas também José Dirceu e outros dirigentes do PT. Para dar corpo a essa luta, a tarefa número 1 de todos os ativistas que lutam contra o golpe é a de constituir milhares de comitês de luta por todo o país. Por cidades, por bairro, por categoria, universidades, etc. Esses comitês devem tirar aos milhões cartazes e panfletos, promover debates, atividades culturais, envolver a comunidade. Enfim, realizar todos os esforços que permitam desenvolver a tendência à mobilização presente no movimento operário e na classe explorada em geral.

Liberdade para Lula: não será na lei, será na marra