Presidente da CUT denuncia “fraude na eleição” e chama a lutar pela liberdade de Lula e para derrotar Bolsonaro nas ruas

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O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prestou depoimento à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sergio Moro, durante cerca de três horas dessa quarta-feira (14), na sede da Justiça Federal em Curitiba.

Lula chegou ao local, por volta das 13h30, sob forte escolta de agentes da Polícia Federal e da PM, que se desviaram das manifestações de militantes da esquerda pelo Manifestantes se concentram para acompanhar depoimento de Lula no caso do sítiocaminho. Foi a primeira vez que o ex-presidente deixou a Superintendência da PF, onde está preso desde abril por conta da condenação sem provas no do caso tríplex, que serviu de pretexto para sua prisão ilegal (por cima da Constituição) e cassação arbitrária de sua candidatura presidencial, apoiada pela maioria do povo trabalhador.

Seguindo o rito persecutório, o interrogatório se apoiou nas delações premiadas de empresários, feitas sem quaisquer provas e – como declarou Lula em seu depoimento – sob forte coerção e intimidação de outros réus, ameaçados de mofarem na prisão caso não acusassem Lula por ser o beneficiário no caso de obras realizadas em um sítio, em Atibaia (SP), que nunca foi de propriedade do ex-presidente.

Devidamente, Lula além de negar as acusações, como a de não ter de pagar pela obra que foi feita em uma propriedade que nunca foi sua, teve de responder sobre supostos “bens” seus encontrados na propriedade, que ele nunca negou que frequentasse, por ser convidado do legítimo dono do local. Tais bens eram, por exemplo, camiseta e cuecas deixadas no local ou até mesmo aventais usados pela ex primeria dama, Marisa Letícia, falecida no ano passado, por conta da brutal perseguição política promovida contra Lula e sua família.

O julgamento se realizou sob intensa pressão da juíza substituta que buscou, sem sucesso, acuar e intimidar o ex-presidente e afirmou claramente que sua pergunta visava “sentenciar Lula”, no sentido claro de promover a sua condenação. Todo o processo ilegal desde a sua existência e submissão à Comarca de Curitiba, sendo que o imóvel se localiza em Atibaia (SP), se encaminha claramente no sentido d garantir uma nova condenação de Lula, de forma a reforçar e ampliar a pena imposta de forma fraudulenta no caso do triplex.

O regime de perseguição e tortura do próprio ex-presidente chegou a tal ponto que após o depoimento, o ex-presidente voltou à sua cela e terá de ficar isolado durante o feriado prolongado, de quinta (15) a domingo (18), por conta de que as visitas estarão proibidas nesses dias, sob alegações do funcionamento burocrático da carceragem. De acordo com publicação da PF, por conta do feriado, as visitas da família e de amigos, sempre às quintas, foram canceladas.

Centenas de ativistas acompanharam em frente à PF e na Justiça Federal o depoimento de Lula, protestando contra sua prisão política.

Falando na manifestação, ao lado da presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, corretamente assinalou que houve fraude na eleição e que a entidade não reconhece o presidente eleito Jair Bolsonaro”  e apontou que o caminho para conquistar a liberdade de Lula é nas ruas. O companheiro Vagner conclamou,“vamos libertar Lula. Vamos realizar caravanas. Vamos derrotar Bolsonaro nas ruas”.

A declaração reforça o posicionamento do próprio Lula, que dias atrás reclamou a alguns dos seus visitantes que sentia a necessidade de um “enfrentamento”.

Toda experiência demonstrou que não será nas barras do judiciário golpista ou por meio de um acordo com os golpistas que a liberdade de Lula será conquistada. E que o caminho para enfrentar e derrotar os golpistas que fraudaram a eleição e preparam uma nova ofensiva contra o povo brasileiro é o da mais ampla mobilização popular, que precisa ser organizada pelos comitês de luta contra o golpe e pelas organizações de luta dos trabalhadores, como a CUT, ocupando as ruas pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas e pela liberdade de Lula.