Caso Trump e redes sociais
Os monopólios da internet censuraram Trump e uma parte da esquerda aplaudiu. É preciso, no entanto, combater a censura porque muito em breve ela será usada também contra a esquerda
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O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Lusa
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O presidente dos EUA, Donald Trump | Foto: Lusa

A invasão do Capitólio em Washginton, DC, por parte de apoiadores do presidente Donald Trump, ocasionou uma série de novas ofensivas por parte do imperialismo contra os direitos da população. Primeiramente, houve o enfrentamento direto com os manifestantes, o que inclusive levou à morte de cinco pessoas. Posteriormente, houve também a ameaça da criação de uma nova Lei Patriótica, uma espécie de lei antiterrorismo que irá aniquilar todos os direitos que a população norte-americana tem diante do aparato repressivo do país, que é gigantesco. Outra medida extremamente repressiva e quase ditatorial partiu dos monopólios das redes sociais e atingiu, em primeiro lugar, o próprio presidente dos EUA, Donald Trump. Foi a censura de suas postagens e a suspensão de sua conta de forma definitiva em várias dessas redes. O mesmo foi feito com cerca de 70 mil de seus seguidores.

Essa censura criminosa foi feita sob o pretexto de que Trump teria insuflado as manifestações em frente ao Capitólio e sua posterior invasão, o que não ficou provado de nenhuma forma, mas mesmo que fosse verdade, não seria justificativa de forma alguma. Em primeiro lugar, o Twitter suspendeu a conta de Trump e exigiu que ele apagasse alguns de seus tweets para que ele pudesse recuperá-la, o Instagram e o Facebook excluíram um vídeo que ele carregou com um pronunciamento que ele havia feito para os seus apoiadores. O Youtube, da Google, também excluiu o vídeo. Posteriormente, sua conta foi suspensa de todas essas redes sociais e mais outras tantas. A rede social Parler, que é utilizada por esse setor da extrema-direita norte-americana, e que procurava ser a rede em que não há nenhum tipo de censura, logo foi excluída das lojas de aplicativos da Apple e também da Google, impedindo a sua utilização por todos e aniquilando a sua existência, mostrando também que os monopólios aproveitaram a situação para acabar com a concorrência. Todas essas medidas extremamente fascistas feitas sob o pretexto da luta contra o fascismo.

Para variar, um setor da esquerda pequeno-burguesa totalmente confuso ou oportunista apoiou os monopólios em sua ação de censura, por essa estar acontecendo contra alguém de quem eles não gostam. Alguns ainda pediram que fizessem o mesmo aqui no Brasil, contra Bolsonaro. Além disso, muitos desses setores atacaram diretamente o PCO por criticar a ação ditatorial desses capitalistas. A Revista Fórum chegou a distorcer o posicionamento do partido, acusando-o de ser uma defesa de Trump e fascistas norte-americanos, uma verdadeira falsificação com a intenção de caluniar o partido. Portanto, é necessário explicar a importância desse posicionamento.

Um movimento classista formado pela classe operária e que luta pela sua emancipação deve sempre defender que os direitos universais sejam, efetivamente, para todos. A partir do momento que se restringe a liberdade de expressão, mesmo que contra um fascista como Trump, ela pode ser restrita para qualquer outra pessoa. Um direito restrito a apenas alguns setores da população passa a ser um privilégio e o movimento de luta da classe trabalhadora deve sempre lutar para acabar com os privilégios. Desse modo, lutar contra a censura feita pelos monopólios é uma questão de princípios e não de conveniência – não se deve defender um direito apenas quando é aplicado aos seus aliados e amigos. O PCO, sendo um partido comunista, luta para que os direitos valham para toda a sociedade e não para uma pequena parcela dela, pois isso é o que a burguesia procura fazer. Nesse sentido, o partido se coloca como inimigo dos privilégios e não defensor deles.

Além disso, é preciso ter clareza de que o que foi feito contra Trump não demorará muito para ser feito com a esquerda e com as lideranças dos grupos sociais. É preciso compreender que os EUA e o resto do mundo enfrentam uma crise gigantesca e que isso tem gerado na população uma disposição para a revolta e para a luta, o que precisa ser reprimido de todas as formas possíveis pela burguesia, e uma delas é através da censura de suas lideranças nos meios de comunicação. Esse é aquele tipo de medida que se faz primeiramente contra a extrema-direita, por esta ser mais impopular e defender posições absurdas. Posteriormente, isso também é aplicado para a esquerda e para os setores populares.

A intenção do imperialismo é que, eventualmente, não se possa defender nas redes sociais nada que vá contra os seus interesses, da mesma forma como é feito com os grandes jornais e emissoras de televisão. A internet, por ser um meio de comunicação mais recente, ainda apresenta características democráticas e de liberdade, no entanto, é importante para a burguesia combater essas tendências e procurar “domar” o ambiente virtual o máximo que puder. É preciso, portanto, combater essas tendências e exigir que haja uma liberdade de expressão total nas redes sociais. Ninguém deve ser censurado, nem Trump e nem a esquerda. Um partido revolucionário jamais defenderá as medidas repressivas do regime burguês e nem a censura.

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