Racismo governamental
Levantamento registra o dobro de falas racistas de autoridades públicas brasileiras em comparação com novembro de 2019
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Grafitti anti-racista | Foto: Daniel Lobo

Em levantamento realizado pelas organizações  Terra de Direitos (organização de Direitos Humanos que atua na defesa, na promoção e na efetivação de direitos, sediada no Paraná) e a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), em novembro de 2020, mês celebrado como mês da Consciência Negra, foi registrado o dobro de falas racistas de autoridades públicas brasileiras em comparação com novembro de 2019. Nos primeiros 21 dias de novembro de 2020, foram assinaladas oito falas discriminatórias de autoridades públicas, em contraposição às quatro em todo o mês de novembro de 2019. No período de janeiro de 2019 a novembro de 2020, as organizações relataram 55 discursos racistas originados de 22 autoridades públicas.

 

As informações foram obtidas através de monitoramento realizado pelas entidades entre 01 de janeiro a 21 de novembro. Foram monitoradas, a partir de notícias, redes sociais e publicações oficiais, manifestações de autoridades como vereadores, prefeitos, deputados, presidente e juízes. Os dados ainda apontam que a maior parte das falas monitoradas reforça estereótipos racistas (33%), logo depois no ranking vem a incitação à restrição de direitos (27%). As organizações destacam que as falas de negação do racismo cresceram em relação ao mesmo período do ano passado.

 

Embora as falas racistas estejam distribuídas pelas mais diversas esferas do poder público, são marcantes os seguidos ataques a população negra oriundos de membros do Governo Federal. Após o assassinato brutal de João Alberto, perpretado as vesperas do dia da Consciência Negra, por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre, o vice-presidente da República Hamilton Mourão, declarou:  “No Brasil não existe racismo”. Na cúpula do G20, o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, emitiu a seguinte fala: “Enxergo todos com as mesmas cores: verde e amarelo”. Já Sérgio Camargo, presidente da Fundação Cultural Palmares, que deveria trabalhar para “promover uma política cultural igualitária e inclusiva” (como declarado no site da Instituição), dá um verdadeiro show de declarações racistas na mídia e redes sociais, entre elas:

 

“O único ‘genocídio de negros’ no Brasil é o de policiais, que ocorre ante a indiferença do movimento negro, da mídia e dos artistas militantes. Vidas Honestas Importam!”

 

“As táticas extremistas e criminosas do Black Lives Matter, importadas para o Brasil, igualam o movimento negro aos neonazistas – objetivos e métodos de sinais trocados.”

 

“Não existe racismo estrutural no Brasil; o nosso racismo é circunstancial – ou seja, há alguns imbecis que cometem o crime. A ‘estrutura onipresente’ que dia e noite oprime e marginaliza todos os negros, como defende a esquerda, não faz sentido nem tem fundamento.”

 

A verdade é que os dados e as declarações não deveriam nos surpreender, são apenas manifestações normais da elite branca e fascista, junto com os traidores da raça e da classe trabalhadora que os acompanham e ajudam a fornecer validação social. A violência racial, a violência de classe não aumentou, ela apenas parou de se disfarçar. Não existe mudança de cultura, essas declarações são fruto da práxis normal da burguesia, que discrimina e marginaliza quem não pertence a classe para dominá-los. O racismo faz do modus operandi do sistema capitalista, apenas organizados enquanto classe e maioria política podemos nos defender das agressões da burguesia fascista.

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