Ditadura: governo ameaça com Lei de Segurança quem comenta na Internet

Protesto contra a censura

Nesta quarta-feira (14), o golpista ilegítimo Jair Bolsonaro fez uma visita ao estado do Piauí. Em uma rede social, um internauta comentou uma notícia sobre o fato de que essa visita aconteceria dizendo: “Dessa vez a faca não vai ser de mentira não”. Segundo uma notícia publicada dia 14 no sítio Meio Norte, sob o título “Inteligência investiga ameaça de morte a Jair Bolsonaro no PI”, o autor do comentário, Antoni Mendes, seria morador da cidade de Altos, a 42 km da capital do estado, Teresina. E por causa dessas palavras, Antoni Mendes estaria sendo investigado pela “Inteligência da Presidência” (o sítio não esclarece qual órgão de Inteligência realizaria a investigação, que parece se tratar do GSI).

Esse caso mostra a que ponto a ditadura que a direita golpista está construindo pode chegar em sua perseguição contra a população para manter a sociedade sob controle. Agora qualquer comentário sem importância contra Bolsonaro pode ser tratado como uma ameaça de morte feita a sério, e como crime passível de punição pelo Estado. Trata-se de uma forma de censura e de intimidação contra a população como um todo, até que ninguém possa falar mais nada contra o governo. É um complemento ao processo de perseguição política contra dirigentes de esquerda, sindicatos e movimentos populares, que inclui o asfixiamento financeiro, a perseguição judicial e uma intensa propaganda.

Recentemente, o próprio ministro da Justiça, Sérgio Moro, ex-juiz que condenou Lula sem provas, ordenou que a Polícia Federal abrisse um inquérito contra um jornalista filiado ao PDT, Vina Guerreiro, que fez um comentário em vídeo na Internet dizendo que Bolsonaro deveria ser assassinado. O PDT desfiliou o jornalista, em uma criminosa omissão diante do avanço do autoritarismo. Ninguém deveria ser perseguido pelo Estado por causa de algo que falou. Falar não deveria ser crime.

Nesse mesmo caso, Moro pede ao diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, em ofício pedindo abertura de um inquérito, que analise se Vina Guerreiro poderia ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional, da época da ditadura, por causa de seus comentários em um vídeo na Internet. Além dos crimes de incitação e ameaça. Como se um comentário feito na Internet implicasse efetivamente no planejamento de algum crime. Não consta que Moro tenha pedido inquérito contra Bolsonaro por ter dito que iria “metralhar a petralhada” ou mandar “petistas” para “a ponta da praia” [executá-los].

A tendência do regime é fechar-se cada vez mais, tornando-se cada vez mais antidemocrático, diante da resistência popular que seu programa político irá provocar. Por isso a repressão está se tornando cada vez mais intensa, indo dos assassinatos no campo à perseguição a usuários de internet, passando por prisões arbitrárias de militantes políticos. Por isso é preciso mobilizar já pelo fim do governo, de modo que se possa impedir a direita golpista de continuar esmagando os trabalhadores e suas organizações.