A lei contra o racismo servindo contra o negro

O Royal Vallecano, time de futebol da segunda divisão da Espanha, conhecido pelo seu engajamento e posições de esquerda, foi multado pela Comissão contra a Violência, o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância no Esporte. O time espanhol foi penalizado e terá de pagar uma multa no valor de 30 mil euros (cerca de  R$ 120 mil).  O motivo de penalidade foi justamente pelo fato de o time ter denunciado e  combatido o racismo.

No dia 11 de fevereiro, no Estádio Vallecas, o Royal venceu por 2×0 0 Sevilla B, em uma partida da segunda divisão do campeonato espanhol. Na ocasião o time espanhol entrou em campo com uma faixa com os seguintes dizeres “Goleando o racismo. A torcida também se manifestou com um mosaico escrito “ Unidos contra o Racismo”. Um grupo de refugiados foi convidado a acompanhar a partida em um setor de honra do equipe. Essas ações faziam parte da Jornada contra o Racismo de Vellacas.

O órgão responsável pelo “combate” ao racismo e outras coisas alegou que o clube cometeu uma infração grave por não ter avisado e a Comissão não ter podido avaliar previamente a manifestação. Ou seja, só se pode combater denunciar o racismo com a e da forma que o Estado e suas instituições considerarem adequadas, o que significa de nenhuma forma.

Este fato escabroso serve bem para elucidar um debate que se tem no Brasil e no mundo, e que este jornal tem se posicionado e denunciado. Para setores inclusive da esquerda é necessário combater o preconceito, a discriminação e “racismo” por meio do Estado e suas instituições, ou seja que o Estado capitalista exerça a função de regular as relações entre os setores oprimidos e os opressores,todavia, pendendo sempre para a defesa dos primeiros. Acreditam, portanto que se deve punir com o rigor da lei todos aqueles que se manifestem de maneira preconceituosa, racista, contra os oprimidos, logicamente, que no caso concreto, quem decide o que é preconceito ou racismo é o Estado capitalista por meio de suas instituições.

O que vemos no mundo real, porém é sempre o contrário do que desejam as ilusões pequeno burguesas, as leis que supostamente deveriam combater a discriminação contra setores oprimidos, como no caso dos negros, sempre se voltam em primeiro lugar contra os oprimidos mesmos. Essa contradição entre realidade e intenção (supondo que esses setores tenham intenção de defender os setores oprimidos)  um problema político, de classe. Tem uma concepção burguesa, liberal do Estado como sendo um imparcial na luta de classe e não como o principal instrumento da burguesia para sua dominação.

O que nos leva a seguinte sentença, um movimento que defenda os setores oprimidos não deve apoiar nenhuma lei repressiva, que significa o fortalecimento do Estado contra o povo. No caso dos negros como ficou demonstrados em vários casos que sofre a perseguição do Estado são sempre as vitimas da opressão racial e os defendem os direitos democráticos do povo.