Lei “antiterrorismo”: Orlando Silva (PCdoB) ataca PT e sai em defesa da Frente Abutre

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O governo Bolsonaro, herdeiro do golpe de Estado que destitui Dilma Rousseff ilegalmente em 2016, vem aprofundando os ataques contra as organizações operárias e populares. Na esteira dessa campanha (na qual se destaca a campanha pelo Fora Bolsonaro!) os parlamentares da esquerda pequeno-burguesa oportunista aproveitaram para mostrar serviço através da sua tradicional demagogia.

Dessa vez a demagogia ficou a cargo da “frente abutre” composta pelo PCdoB, PDT e PSB que atua no Congresso Nacional para isolar o PT e fazer uma oposição meramente de fachada ao bolsonarismo. A tal frente, da qual participam elementos intimamente ligados à burguesia e que participaram ao lado da direita da derrubada do governo petista em 2016, anunciou ontem teria sido responsável por retirar do projeto da chamada “lei antiterrorismo” os elementos que possibilitaria a perseguição dos movimentos sociais. Pura demagogia.

Na sua conta no Twitter o deputado federal do PCdoB Orlando Silva chegou a declarar que o “feito” evitaria “consequências à democracia” e que isso só foi possível graças à política da frente abutre. De forma indireta o parlamentar do PCdoB ataca o PT por não se aliar aos golpistas para fazer a demagogia tradicional da esquerda pequeno-burguesa.

“Graças à construção política capitaneada por PCdoB, PDT e PSB foi possível retirar a criminalização dos movimentos sociais da lei antiterrorismo. Se tivéssemos ficado na tática fácil de só ‘marcar posição’, teríamos perdido e a democracia sofreria as consequências.” Foi isso que declarou Orlando Silva em sua conta oficial.

Caberia perguntar para os membros da frente fajuta por que não se mobilizaram contra todos ataques anteriores contra a “democracia”, como a derrubada ilegal de Dilma, a prisão política de Lula, etc.?

A perseguição e criminalização dos movimentos sociais continua sendo o objetivo da chamada “lei antiterrorismo” mesmo que tenham sido suprimidos seus elementos mais abertamente fascistas, principalmente pelo fato de que a lei permite que os órgãos de repressão apliquem critérios subjetivos para categorizar o terrorismo, podendo ser enquadrados dessa forma militantes e movimentos sociais.

Mais do que isso, a demagogia que a “frente abutre” leva adiante apenas contribui para desmobilizar a luta real da militância que combate o golpe de Estado e o avanço do fascismo no Brasil. As ações de oposição meramente formal ao governo Bolsonaro levantam uma cortina de fumaça e escondem a luta necessária para derrotar a direita golpista, traficando para dentro da esquerda elementos notoriamente direitistas que inclusive contribuíram ativamente para a vitória de Rodrigo Maia (DEM) para a Presidência da Câmara dos Deputados. Rodrigo Maia era o candidato de Bolsonaro para a Câmara e os mesmos que o apoiaram agora tentam se travestir de defensores dos movimentos sociais.

Além disso, a lei antiterrorismo é apenas uma das ferramentas da direita para atacar a população. A polícia, as Forças Armadas e a justiça burguesa já vem sendo sistematicamente utilizadas para a perseguição política e tal situação não será barrada sem que haja uma intensão mobilização popular capaz de derrotar os golpistas e derrubar o governo da extrema-direita.