Lei Anticomunismo: falar sobre a ditadura golpista nas redes sociais será considerado “terrorismo”

algema

Da redação – Um like ou um compartilhamento de um post no Facebook, por exemplo, em defesa de professores grevistas que decidiram ocupar a Secretária de Ensino contra a destruição da educação pública, poderão transformar qualquer trabalhador em um “terrorista” caso a Lei Antiterrorismo seja aprovada no Congresso pelos golpistas da extrema-direita.

O projeto pode ser aprovado nas próximas semanas, tipificando qualquer revolta da população contra toda a destruição do Golpe de Estado, como crime terrorista contra o “estado democrático de direito” que, é claro, não existe desde o golpe. É uma verdadeira ditadura que avança abertamente para o militarismo.

Tudo começou, como sempre, vindo de uma campanha dos EUA contra o “terrorismo”, impulsionado e pressionado pelo imperialismo. A revista Veja lançou uma matéria sobre um suposto recrutador de brasileiros para o Estado Islâmico. Através desse pretexto absurdo, pois o Brasil não oferece perigo algum na guerra que é levada à cabo pelos EUA para dominar os países do Oriente Médio e roubar seu petróleo – gerando uma reação violenta dos povos da região, e mais, sabendo que foi o próprio EUA que financiou o Estado islâmico -, o senador gaúcho Lasier Martins, do PSD, apresentou em julho de 2016 um projeto para endurecer a Lei Antiterrorismo, que havia sido aprovada pela presidenta Dilma Rousseff três meses antes, sob ataque de fogo massivo da direita golpista na preparação para o impeachment.

A proposta sancionada por Dilma continha vetos. Inclusive, nesses parágrafos onde o senador fascista, Magno Malta (PR), agora modifica, trazendo de volta a perseguição aos movimentos sociais. O “novo projeto” caiu no colo do senador ultraconservador Malta, aquele mesmo que conduziu a reza da vitória depois do resultado do segundo turno e agora, aproveitando o terreno para o novo governo – esperando para assumir como ministro -, já articula a aprovação do projeto às pressas na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Caso passe, o governo de Bolsonaro, controlado pelos militares em diversas áreas estratégicas e assumindo diversos ministérios, irá começar como uma verdadeira caça aos trabalhadores. Os golpistas estão preparando o terreno para isso, e, desde o início os argumentos giraram em torno de que era preciso endurecer a “caçada aos terroristas”. Agora vemos claramente a retórica histórica da burguesia: esses “terroristas”, dentro da luta de classes, são os trabalhadores, os esquerdistas, sindicalistas, socialistas e comunistas. O perigo contra a burguesia é a organização de massas dos trabalhadores. É preciso reagir imediatamente e organizar as bases dos movimentos sociais, sindicatos, partidos, todos na luta contra o golpe.

Os trabalhadores, suas organizações operárias e camponesas, como bem disseram os fascistas da família Bolsonaro, serão criminalizados por se organizarem para enfrentar a destruição das leis trabalhistas, da aposentadoria, do Ministério do Trabalho, contra a entrega das empresas estatais, contra o genocídio do povo negro nas cidades e dos sem terra no campo pelos ruralistas. É para isso que a direita quer transformá-los em “terroristas” e puni-los.