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A Operação Lava Jato, que já completou mais de meia década de atividade, se tornou um dos principais pilares do regime político golpista. Por meio da operação, a burguesia criou condições para derrubar uma presidenta da República eleita por mais de cinquenta milhões de votos, destruir setores importantes da indústria nacional e, acima de tudo, trancar o maior líder popular do país em um presídio. A operação nunca foi, durante um segundo sequer, imparcial, como diziam seus defensores, mas sim uma verdadeira conspiração contra a esquerda e toda a população.

Os grandes responsáveis pela Operação Lava Jato não são seus juízes, promotores e investigadores – são os bancos, que, empurrados pela crise capitalista, organizaram uma ofensiva em toda a América Latina para saquear todos os países do continente. E os vazamentos mais recentes divulgados pelo portal The Intercept Brasil não deixa qualquer dúvida sobre isso: a Lava Jato tinha acesso a uma série de informações que vinculavam os bancos à atividades criminosas, mas preferiu poupá-los de qualquer investigação.

Um dos casos que foi revelado pelo Intercept foi o do empresário e lobista Adir Assad. O procurador Roberson Pozzobon, em mensagens trocadas com seus colegas, afirmou que o Bradesco sabia que as movimentações de Assad seriam ilícitas – o Compliance Officer, setor responsável por fazer o banco cumprir normas legais, teria o tornado ciente. Segundo o próprio Pozzobon, “o Banco, na verdade os bancos, faturaram muuuuuuito com as movimentações bilionárias dele”.

O caso de Adair Assad é só uma de muitas demonstrações de que a Lava Jato protege os bancos. A operação, por exemplo, devastou empresas gigantescas, como a Odebrecht, levando inclusive alguns de seus diretores à prisão. No entanto, apenas em maio de 2019 que a Lava Jato finalmente atingiu um banco, quando prendeu três executivos do Bancos Paulista, acusados de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta para beneficiar a Odebrecht.

O procurador Deltan Dallagnol, responsável por acusar o ex-presidente Lula pelo Ministério Público, recebeu dinheiro diretamente dos bancos. No dia 17 de outubro de 2018, Dallagnol recebeu R$ 18.088,00 da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) para realizar uma palestra sobre prevenção e combate a lavagem de dinheiro. Entre os convidados, estavam representantes do Itaú, Bradesco e Santander.

O ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, que foi utilizado pela direita para fazer uma série de acusações contra o PT e contra o ex-presidente Lula, apresentou, em suas propostas de delação premiada, uma série de denúncias relatando a atividade ilegal dos bancos. Palocci relatou ter relações com vários banqueiros, como Joseph Safra (Banco Safra), Pedro Moreira Salles (na época, do Unibanco), Lázaro Brandão e Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), dentre outros.

Segundo Palocci, o então economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, e Júlio Siqueira, vice-presidente executivo do banco, o procuraram em 2009, quando ainda atuava como deputado federal. Em troca, os executivos exigiam informações adiantadas do Banco Central sobre a mudança da taxa básica de juros, a Selic. Palocci também afirmou que, enquanto deputado, fez de tudo para impedir que a fusão dos bancos Unibanco e Itaú fosse prejudicada, em 2008.

As informações de Palocci sobre os bancos foram, obviamente, rejeitadas pela Lava Jato – a delação só serviu para aprofundar os ataques ao PT, e não aos donos da operação. O procurador Januário Paludo, em mensagem escrita em outubro de 2018 e divulgada pelo Intercept, deixou claro que os bancos não poderiam ser atingidos pelas investigações: “o que nós temos a favor e que é uma arma que pode explodir é que uma operação sobre um grande banco pode gerar o tal do risco sistêmico. Podemos quebrar o sistema financeiro. Essa variável tem que ser considerada para o bem e para o mal. E eles certamente vão levar em conta em eventual mesa de negociações. Por isso, estrategicamente, medidas ostensivas tem que ser tomadas em relação a pequenas instituições para ver o quanto o mercado vai reagir”.

O envolvimento dos bancos, embora fosse um fato perceptível, uma vez que esses são os grandes financiadores da ofensiva da direita contra os direitos democráticos dos trabalhadores brasileiros, se tornou escancarado com os vazamentos. Por isso, é preciso organizar um movimento que seja capaz de enfrentar a direita e dissolver o regime político golpista. Fora Bolsonaro, o governo capacho dos bancos! Fora todos os golpistas que querem acabar com o país! Liberdade para Lula!