Monopólio da terra
Latifúndios: Muito lucro e terra para poucos. Miséria para a maioria.
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Contra a concentração de terras em latifúndios. | Instituto de estudos Latino-Americanos - IELA/UFSC
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Contra a concentração de terras em latifúndios. | Instituto de estudos Latino-Americanos - IELA/UFSC

Sabe-se que o agronegócio é setor econômico de grande lucratividade para poucos e muito prejuízo ambiental para toda a sociedade. Os latifúndios destroem terras, arrasam o meio ambiente, promovem genocídios em regiões de moradia e pertencentes aos povos tradicionais – como indígenas e quilombolas – ou de povos que lutam pelo direito de democratização da terra, como o MST.

Todo o desastre social e econômico promovido pelos latifúndios têm sua raiz na alta concentração de terras rurais pertencentes a poucas famílias, donas de grandes empresas do agronegócio. De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, estima-se que cerca de 3% das propriedades rurais são latifúndios, mas elas ocupam em torno de 56% das terras usadas para agricultura no país. Ou seja, muita terra na mão de poucos. Por outro lado, quase 5 milhões de famílias lutam incansavelmente para ter o mínimo espaço de cultivo de suas plantações e sofrem na pele, diariamente, as consequências de não ter dignidade em um sistema tão desigual.

Os estados com maior concentração de latifúndios são o Mato Grosso, com o maior número de propriedades rurais que ocupam espaços acima de 10 mil hectares e cerca de 900 fazendas. Logo em seguida, o Mato Grosso do Sul, que aglomera cerca de 350 latifúndios. O terceiro estado com maior número de latifúndios no país é o Pará, que concentra quase 200 fazendas. Estados como Minas Gerais, São Paulo e Bahia abarcam, todos eles, mais de 100 latifúndios em seus territórios.

Os latifundiários crescem, em produtividade, cerca de 2% ao ano, ou seja, quatro vezes mais que a média de crescimento atual do país. Mas o crescimento do agronegócio não reflete, ou não é repassado, para outros setores da economia. Ao contrário, é um setor econômico composto de abastados sociais que vivem de benefícios fiscais e perdões de dívidas estatais, tanto é que no congresso nacional este setor é muito bem representado pela bancada dos ruralistas, formada por políticos de direita extremamente conservadores. Não por acaso são apelidados de bancada do boi, bala e bíblia, uma vez que vivem do agronegócio, usam fundamentos religiosos para camuflar os constantes roubos e abusos estatais e frequentemente fazem uso da bala contra pessoas menos favorecidas que vivem no campo e lutam pelo direito a terra.

Essa bancada ruralista, entre outros fatores, assegura ao agronegócio frequentes benefícios fiscais com cargas tributárias baixíssimas e altas cartas de crédito, o que favorece a exportação de sua produção e garante grandes lucros aos donos dos grandes latifúndios do país. Com o apoio da bancada ruralista, que também é golpista e bolsonarista, o agronegócio é um dos setores econômicos mais dependente do estado, o que os garante, anualmente, cerca de 80% de todo o orçamento do plano SAFRA, enquanto o pequeno agricultor, o feirante que vive da agricultura familiar, recebe quase nada de recursos e ainda é, frequentemente, vítima de violências no campo impulsionadas pelos donos dos latifúndios e a bancada ruralista.

Os latifúndios não estimulam o setor industrial, não potencializam tecnologias no país e boa parte de seus lucros são somados na massa da especulação financeira, ou seja, é um setor que não incentiva o crescimento econômico. Mesmo com os lucros exorbitantes, são praticantes de sonegação fiscal, com o aval da bancada ruralista, pois quase não pagam imposto de renda e sonegam o restante, não pagam tarifas e taxas em bancos públicos e sempre que precisam recebem uma lei do congresso para renegociar suas dívidas quando o mercado está desfavorável.

Vale ressaltar que a bancada ruralista e os latifundiários nunca estiveram tão à vontade no Brasil pós-Golpe como estão agora, no governo Bolsonaro. Vemos os números de mortes e violência no campo alcançarem números nunca antes atingidos. Povos indígenas e quilombolas têm perdido seus direitos elementares à terra e trabalhadores do campo e o MST sofrem com falta de alimento, sem ter terra para produzir, sem contar que estão sempre na mira de pistoleiros financiados pelos latifúndios.  Por conta disso, é preciso promover a palavra de ordem “Fora Bolsonaro e todos os golpistas”, pelo fim da bancada ruralista, pela reforma agrária e o fim da violência no campo e que tenhamos um governo de trabalhadores, não dos patrões.

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