Não existe quarentena no campo
Mais do que nunca, latifúndios e agronegócio avançam sobre os trabalhadores rurais e populações indígenas, incentivando sua contaminação em meio à pandemia
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Visita da CIDH na aldeia Guyraroka, no município da Caarapó, com índios Guarani Kaiowá. | Foto: Christian Braga / Farpa / CIDH

Enquanto parte da esquerda ainda acorda sonolenta do #FiqueEmCasa, os trabalhadores de setores mais precarizados nunca tiveram condições de aderir à campanha e vêm sofrendo duramente as consequências do ilegítimo governo de Jair Bolsonaro.

Nessa semana, 24 indígenas Guarani Kaiowá foram resgatados por uma fiscalização trabalhista em uma fazenda no Mato Grosso do Sul. Completamente expostos à contaminação por COVID-19, a fiscalização definiu suas condições de trabalho na colheita de mandioca eufemisticamente como “degradantes”.

É preciso ter clareza que estamos falando de trabalho escravo em pleno século XXI. Além de dormir em alojamentos sem higiene, em colchonetes no chão, os trabalhadores sofriam descontos no referentes a itens como alimentação, moradia, garrafas térmicas e ferramentas de trabalho. Basicamente, trabalhar pra pagar as despesas geradas no trabalho, trabalhar de graça.

Segundo reportagem do site Campo Grande News, o Ministério Público do Trabalho do Mato Grosso do Sul abriu inquérito para investigar a fazenda e informou que os indígenas retornaram às suas aldeias de origem. A dúvida que fica é em quais condições. Depois de tudo o que passaram, poderão se tornar transmissores de COVID-19 às suas tribos?

Os latifúndios são um dos sinais do atraso no desenvolvimento capitalista brasileiro, uma estrutura arcaica, pouco dinâmica e, por isso mesmo, conservadora. Não são poucos os casos de trabalho escravo que vêm à tona no Brasil, mesmo com as manobras legais operadas pelos governos golpistas de Temer e Bolsonaro para descaracterizar legalmente o trabalho escravo.

Além da exposição ao trabalho escravo ou “em condições degradantes”, os indígenas estão sofrendo um acentuado ataque nos últimos anos com o avanço dos latifúndios e do agronegócio. O atual presidente é um grande entusiasta do avanço desses setores tanto sobre territórios indígenas quanto sobre assentamentos de trabalhadores rurais sem terra.

Em abril o MPT-MS já havia recebido mais de 10 mil denúncias relativas à COVID-19, um número que impressiona especialmente porque a maioria dos abusos patronais nem chega a ser denunciado.

Se a subnotificação de denúncias já é alta nas cidades, no campo é muito maior. E se os trabalhadores rurais chegam a ser expostos a “condições degradantes” imagine à COVID-19. É preciso combater o latifúndio e o agronegócio centralizando o fogo no seu representante imediato que é o governo Bolsonaro. Na cidade e no campo a palavra de ordem imediata é “Fora Bolsonaro”!

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