Crise Ambiental
Incêndio criminosos destroem reservas naturais, matam animais e expulsam povos traducionais de suas terras, abrindo caminho para exploração predatória em todo o Brasil.
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queimada
Cicatriz de queimada no Pantanal com mais de 1000 km2. | Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE

Recentemente as queimadas provocadas no Pantanal tem causado grande comoção na imprensa nacional e internacional. Imagens que mostram a grande escala dos incêndios, a devastação causada e a grande quantidade de animais silvestres mortos contribuiram para criar um clima de perplexidade e comoção popular. A fala do presidente brasileiro na ONU, minimizando e naturalizando as queimadas, além de atribuí-las a índios e caboclos causou revolta e indignação a todos que se sensibilizam com as questões ambientais.

Nessa sexta feira (25/09), o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e o Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT), entidades do estado do Mato Grosso, acusaram o grileiro Marcello Bassan, que ocupa ilegalmente terras da União, de causar incêndios propositais com a finalidade de expulsar famílias de Sem-Terra do Pré-Assentamento Boa Esperança. Em nota, as entidades informaram que a intenção de Bassan era queimar “tudo”, plantações, cercas, casas, sem nenhuma preocupação com pessoas ou animais. A destruição atingiu 90% da área ocupada pelas famílias que é de cerca de 4.500 hectares.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os incêndios provocados em 2020 aumentaram 220% em relação ao ano passado e já representam um recorde histórico. Somente no Pantanal 12% da área foi atingida.

Outra área afetada por incêndios propositais em 2020 e que causa grande preocupação é a ilha do Bananal, no estado do Tocantins, que está sendo devastada há dias por um incêndio de grandes proporções. Bananal é considerada a maior ilha fluvial do mundo situada entre dois grandes rios, Javaés e Araguaia nas divisas de Tocantins com Goiás e Mato Grosso. A área mais afetada é a Mata do Mamão ao sul da ilha onde vive o povo Inawebohona.

Em 2019 foi identificada por um helicóptero, uma tribo de isolados, povos originários que não mantiveram contato com a dita “civilização” brasileira, fugindo de incêndios na região. Eliane Franco Martins, coordenadora regional do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) para os estados de Goiás e Tocantins, disse que a região é o último refúgio de um grupo de indígenas em isolamento voluntário no Brasil.

No ano passado uma decisão da Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), determinou que o acesso à Mata do Mamão fosse restringido, o que obrigou a FUNAI e o ICMBio a produzirem um relatório apontando os riscos. Ainda assim, a decisão não provocou nenhum efeito prático e o atual incêndio mostra a determinação dos fazendeiros de intensificar a ocupação da região.

O crescimento dos crimes ambientais como queimadas, grilagem, ataques a terras indígenas, exploração ilegal de madeira e minério é resultado da política predatória e do discurso pró agronegócio adotados pelo governo Bolsonaro. Os órgão governamentais de proteção ao meio ambiente e ao índio foram aparelhados e sucateados pelo governo para inviabilizarem seu trabalho. Não é de se estranhar portanto, o crescimento dos conflitos agrários com consequente aumento de assassinatos de líderes sem-terra, indígenas e quilombolas em todo o Brasil.

Nesse momento a Força Nacional encontra-se no interior Maranhão reprimindo indígenas que entraram em conflitos com fazendeiros e madeireiros, o que demonstra claramente a posição do governo contra a proteção do meio ambiente e os direitos dos povos originários. Posição esta que Bolsonaro nunca negou, nem mesmo durante a campanha eleitoral quando disse abertamente que não demarcaria um único centímetro de terra para índios ou quilombolas.

O agronegócio é o setor mais atrasado da burguesia nacional, que aceita passivamente a imposição do imperialismo em manter o Brasil como um país agrário produtor de commodities. A escalada da destruição das reservas naturais brasileiras e os ataques às comunidades tradicionais abrem terreno para a expansão desse setor da burguesia e consolidação dos interesses imperialistas.

A defesa das comunidades tradicionais e consequentemente dos recursos naturais brasileiro é fundamental para garantir nossa soberania, pois apesar de sermos um país industrializado, temos a maior fronteira agrícola do mundo, com capacidade de produzir excedente alimentício numa época de profundas mudanças climáticas.

A política exploratória e predatória da burguesia nacional, que só atende aos interesses imperialistas, deve ser combatida duramente pelo conjunto das forças de esquerda, sobretudo pelos trabalhadores rurais e sua principal organização, o MST. Sem isso, colocamos em risco nossa soberania e grandes reservas naturais importantes para a manutenção do equilíbrio ambiental em escala mundial.

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