O fogo deveria ser no Alvorada
Estão expandindo o agronegócio e criação de gado para exportação, e acabando com a produção de alimentos para os brasileiros pobres e trabalhadores.
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Focos na Amazônia em 2018 | Foto: Ria Sopala/Pixabay

O Pantanal do Mato Grosso arde em chamas. É destruída a biodiversidade e pequenos animais, plantações e ainda expulsam o homem do campo de suas terras para a ocupação pelos grileiros. A partir de terras do estado invadidas, provocam incêndios com o objetivo de expulsar os indígenas, os trabalhadores rurais e limpar a área para em seguida colocar a criação de gado e o agronegócio no local, que serão protegidos a bala, pelas milícias.

A consequência, além da destruição do meio ambiente e das condições de vida no planeta, é a redução da produção de alimentos de consumo do brasileiro, já que o agronegócio destina sua produção apenas para a exportação. Com menor produção, os preços aumentam. O fogo faz diminuir a qualidade e a quantidade produzida. Colaboram assim para a expansão da fome e miséria para o povo, a classe operária. E com isso, engordam a conta bancária dos 10% mais ricos.

Essa situação é comprovada pelas notícias divulgadas no sítio da Comissão Pastoral da Terra, que relatam que tanto o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) como o Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT), ambos do Mato Grosso, acusam o grileiro Marcelo Bassan de atear fogo em terras da união, Fazenda Araúna, no município de Novo Mundo, onde o fogo se espalha em direção ao pré-assentamento Boa Esperança no mesmo município.

Há fortes suspeitas que a intenção do grileiro é de assassinar as dezenas de famílias assentadas. Como a decisão da justiça federal, confirmada pelo Tribunal Regional Federal 1ª Região, foi a de que a fazenda pertence à união e obrigando o grileiro Marcelo Bassan a desocupar a área, este tentou várias vezes através da justiça estadual o despejo das famílias, sem sucesso.

O histórico de violências desse grileiro com essas famílias vêm de cerca de dez anos. Em 2015 a Comissão Pastoral da Terra (CPT) denunciou que ele pôs fogo em 80 casas das famílias, teve impunidade e até colaboração de autoridades do estado. Foram registrados vários boletins de ocorrência pelas famílias denunciando que o fogo vinha da fazenda Araúna. Inclusive os moradores denunciaram que ele colocaria fogo no mato seco e alto e culparia as famílias, dito e feito. E sem nenhum tipo de ação por parte do estado.

A CPT também informa que há dias outro incêndio atinge a Mata do Mamão na Ilha do Bananal no Tocantins, nas divisas entre Goiás e Mato Grosso. Essa área corresponde à parte sul da Terra Indígena Inãwébohona, em isolamento. Desde o ano passado o fogo vem causando problemas à tribo. Sem que o governo tome alguma ação em benefício dos indígenas.

Como a área tem pasto nativo, os fazendeiros colocam o gado lá, por arrendamentos. Hoje são 100 mil cabeças de gado na Ilha, diz a CPT.

O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelou que em 2019 foram desmatados quase 10 mil km 2 da floresta amazônica. É o pior número desde 2008 e a Amazônia está fora de controle.

Isso dá uma dimensão da política do estado fascista, que permite que os latifundiários do agronegócio, através do fogo ou de motosserras, destruam a floresta para abrir campo para criação de gado e monoculturas do agronegócio. Queimam as plantações dos pequenos agricultores, indígenas e de assentados do MST que alimentam o brasileiro. 

Além disso, as milícias dos latifundiários, queimam as casas dos assentados, pequenos proprietários e matam as principais lideranças que se atreverem a reagir a essas ações. E o estado promove o mesmo com o aparato policial militar e judiciário. Tudo isso é amplamente noticiado na imprensa burguesa apoiadora desse governo.

O governo fascista não se resume ao Bolsonaro, é toda a direita que apoia essa política. Como estão atacando todos os direitos sociais conquistados com muita luta pela classe trabalhadora, o esperado é que haja reação dos trabalhadores, e por esse motivo usam os cachorros loucos fascistas, para conter a revolta popular.

Foi por esse motivo que fizeram todas as manobras eleitorais, impedindo que Lula participasse das eleições e assim poderem com mais tranquilidade colocar o fascismo no governo. Só têm o trabalho de segurar esse governo com um enforcador forte para não perderem o controle sobre ele. O Bolsonaro não foi eleito, foi colocado no governo por manobras da burguesia, que precisa conter o movimento popular.

Pior é que acabam tendo a ajuda da esquerda pequeno burguesa, que não querem mobilizar os trabalhadores e o povo, para enfrentar o fascismo. Assim o povo terá duras penas a passar nos próximos anos, se não reagir.

Por esse motivo é necessário que a população do campo e da cidade criem conselhos populares, criem grupos de autodefesa, estabeleçam políticas de ação contra a política fascista e saiam em luta da sua sobrevivência. Porque o futuro que nos aguarda será muito duro e cruel, fome, miséria e pandemia e com o maior desemprego já visto neste país. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

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