Laranja do PSDB: advogada do NOVO que impediu entrevista de Lula é ligada ao tucano Anastasia

No Brasil do golpe, as falsificações grotescas, as fraudes, as trapaças, as manipulações e tramoias assumiram o lugar dos fatos reais, objetivos, como se estivéssemos numa realidade imaginária, num  país de faz de conta. Imersa talvez na mais profunda crise de toda a sua história, as classes dominantes – representadas no terreno político pela direita pró-imperialista – buscam, a todo o custo, uma saída que lhes garanta algum fôlego adicional para levar adiante a brutal ofensiva contra as massas populares e à economia nacional.

Desde o advento do golpe de estado de 2016 a burguesia e a direita nacional deixaram de lado qualquer veleidade democrática, escancarando a sua postura abertamente golpista e antidemocrática, sem reservas e pudores. Completamente em frangalhos, despedaçados pela crise e totalmente desmoralizados aos olhos do conjunto da população, os partidos representantes do grande capital, da burguesia e do imperialismo se camuflam em “novas” siglas, buscando ocultar das massas populares o seu compromisso histórico com a política de ataques e de terra arrasada contra a população e os interesses nacionais.

Todas as falsificações, manobras e manipulações do regime burguês – antes mesmo do golpe de 2016 – foram articuladas e sempre estiveram dirigidas a tentar evitar o naufrágio completo da burguesia e seus partidos, junto às outras instituições que dão sustentação ao regime anti-operário e pró-imperialista de fome e miséria contra as massas. Esta situação se agravou e foi aprofundada de forma exponencial como resultado do golpe que derrubou o governo eleito do PT, onde uma perseguição implacável foi desencadeada contra a esquerda, concomitantemente à entrega dos ativos econômicos do país ao grande capital e a um brutal ataque dos golpistas às condições de vida da população explorada do campo e da cidade.

O alvo principal de toda esta investida da direita reacionária é a esquerda nacional, em particular o PT e sua maior liderança, o ex-presidente Lula, que vem sendo objeto de uma devastadora campanha de ataques e calúnias de todo o consórcio golpista (imprensa, judiciário, Polícia Federal, Congresso Nacional, partidos de direita, imperialismo, etc.) que tem como propósito desmoralizar e abater o principal representante da luta e da resistência popular ao golpe. Lula está encarcerado para não concorrer às eleições, num processo totalmente fraudulento e persecutório, onde os golpistas têm plena consciência do que a sua candidatura pode representar como alavanca para colocar os explorados em pé de guerra contra os exploradores golpistas.

As arbitrariedades e ilegalidades do judiciário contra o ex-presidente chegaram a um ponto tal que até mesmo o elementar direito ao voto está sendo negado pela “justiça” eleitoral à Lula. Neste momento agora, onde o processo eleitoral se afunila e entra na reta final, num processo totalmente fraudulento, prostituído e controlado pela camisa de força das instituições antidemocráticas do regime golpista, também se aprofundam as manobras torpes para atacar e amordaçar a mais importante voz que se levanta contra o golpe e os golpistas. A última e mais recente ofensiva do judiciário  (Supremo Tribunal Federal) é a tentativa de impedir o ex-presidente de conceder uma entrevista a dois jornalistas da imprensa nacional.

À ofensiva do judiciário para impedir Lula de ser entrevistado juntaram-se partidos golpistas, advogados direitistas e “laranjas” dos partidos burgueses representantes do grande capital internacional (PSDB). Isto fica claro na iniciativa da advogada “Marilda de Paula Silveira, autora do requerimento do Partido Novo, para a proibição da entrevista do ex-presidente Lula aos repórteres Mônica Bergamo (Folha) e Florestan Fernandes (Rede Minas/El País), que é sócia do escritório de advocacia de Flávio Henrique Unes Pereira, assessor do senador Antônio Anastasia e já operou em escritório do qual o ministro Gilmar Mendes é sócio” (site VIOMUNDO, 02/10).

Anastasia é candidato ao governo de Minas Gerais pelo PSDB, partido que liderou o golpe de estado de 2016 e que teve na figura sinistra do senador Anastasia o relator do impeachment no Senado. O candidato Antônio Anastasia é um “puxadinho” do senador Aécio Neves, candidato derrotado às eleições presidenciais de 2014, golpista de primeira hora e articulador principal do golpe de estado que derrubou o governo eleito pelo voto popular. O PSDB, todavia, não está sozinho nesta cruzada antilulista, a favor do golpe e contra as forças populares. Na verdade, os tucanos terceirizam sua política pérfida, se valendo de sublegendas que lhe prestam serviço, como é o caso do “Partido Novo”, autor do requerimento para a proibição da entrevista do ex-presidente Lula. O “Partido Novo” é uma (sub) legenda que dá abrigo político a banqueiros e especuladores, surgida no ambiente sombrio e direitista do golpe de estado, que sustenta a candidatura de João Amoêdo.

A profusão de partidos direitistas no pós-golpe e agora nas eleições é uma manobra da direita não só para atacar a esquerda, mas principalmente para levar adiante a ofensiva dos golpistas e do imperialismo contra os interesses nacionais e o conjunto da população explorada do país.