stalinismo
Após a morte de Stálin, a burocracia stalinista procurou se apresentar como não stalinista
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Joseph_Stalin_and_Nikita_Khrushchev,_1936
Stálin e seu pupilo na época dos criminosos "Processos de Moscou" | Foto: Reprodução

Existe uma campanha para “ resgatar”  Stalinismo, com uma intensa empreitada de “neostalinistas” apresentando Stálin como sendo uma “necessidade histórica”, e que os crimes promovidos pelo secretário-geral do Partido Comunista da antiga URSS não teriam sido “bem assim”.

Uma versão apresentada pelos seus antigos e novos defensores do stalinismo é que as denúncias contra Stálin teriam sido inexistentes ou pelo menos exageradas pelos chamados revisionistas, entre os quais, o principal teria sido o sucessor de Stálin, Nikita Khrushchev, Primeiro Secretário do Partido Comunista da URSS.

Em 1956, o setor dominante da burocracia soviética, para manter o seu poderio após a morte de Stálin, seu principal patrono e líder, procurou promover um processo controlado de descompressão, ao mesmo tempo, apagando as responsabilidades dos principais dirigentes dessa burocracia com o período stalinista.

Dessa forma, a burocracia stalinista que dominava a URSS empreendeu um processo chamado de “desestalinização”, que teve como principal peça política o Relatório ao XX Congresso do Partido Comunista da URSS. Esse relatório apresentado aos delegados por ninguém menos do que Nikita Khrushchev, um dos principais líderes da ala reformista da burocracia, mas que tinha sido um dos principais promotores dos crimes por ele mesmo denunciados.

Na verdade, a burocracia stalinista tinha fomentado a mitologia do “grande guia” e do “demiurgo” Stálin, responsável por tudo que acontecia na URSS, uma exaltação mística do personagem histórico, apresentando, por exemplo, que Stálin, o “generalíssimo”, teria praticamente sozinho derrotado as tropas nazistas na II Guerra, entre outras façanhas, que ainda hoje são repetidas pelos “neostalinistas”. Pois bem, essa burocracia que no fundamental era stalinista por seus métodos e interesses, passou a usar Stálin como uma espécie de bode expiatório das atrocidades cometidas pela burocracia de conjunto, enquanto camada que impunha uma feroz dominação na URSS.

Então, Nikita Khrushchev passou a identificar o “culto à personalidade” de Stálin como o problema fundamental, para com isso promover um expurgo na luta interna pelo poder.

Khrushchev apresentava-se como um opositor, como algo diferente do stalinismo, o que era na verdade uma profunda falsificação. Ele sempre foi um dos principais capachos do próprio Stálin.

Assim, a burocracia em torno de Nikita Khrushchev criou uma nova mitologia, a de que havia um processo de “reforma”, o que posteriormente acabou sendo desmontada, pois a burocracia fracassou em fazer modificações no regime, sem provocar uma crise ainda maior, o que levou ao estabelecimento de um processo mais lento, tentando manter as contradições sociais e econômicas da URSS sob controle, o que também não foi possível.

Um setor dos PCs que se sentiram desprestigiados com a nova política de “desestalinização” promovida por Khrushchev alimentou a “nova mitologia”, apresentando a “desestalinização” como uma espécie de “traição” e Khrushchev como um “revisionista anti-stalinista”.

Na verdade, ocorreram golpes e contragolpes, mesmo nas diferentes etapas de dominação da burocracia, quando Stálin ainda estava vivo. Uma das características de Stálin era o centrismo como política, e uma oscilação permanente, não tendo de forma alguma uma política ideologicamente coerente. Nesse sentido, Khrushchev expressava um setor da burocracia, e não propriamente um “opositor” ou adversário intransigente de Stálin.

O revisionismo da burocracia soviética era uma tentativa de reestruturar a sua dominação, uma vez que era patente que havia uma crise econômica na URSS, e o regime político não poderia se manter sem nenhum tipo de concessão. Sendo que no fundamental, o regime soviético, apesar do Relatório do XX Congresso, continuava a ser stalinista, até mesmo quando “denunciava” Stálin. Curiosamente, o grande adversário de Stálin, Trótski, na década de 1930, tinha analisado que a burocracia em momento oportuno poderia tentar se desvencilhar da própria mitologia em torno de Stálin, e acusá-lo dos priores crimes. Essa foi mais uma das profecias (na verdade, análises materialistas) de Trótski comprovadas pela História, ao que pese o fato de que isso se deu somente depois da morte de Stálin.

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