Baile Funk Não Pode, Metrô Lotado Sim!
Bailes funks e aglomerações nas periferias de São Paulo são usadas como desculpa para o aumento da repressão policial do povo pobre

Por: Redação do Diário Causa Operária

Na madrugada do último sábado (20), dezenas de jovens participaram de um baile funk em Guaianases, na Zona Leste de São Paulo. A festa ocorreu no momento onde o estado entra na segunda fase emergencial do Plano São Paulo de flexibilização econômica, decretado pelo Governador João Dória no dia 15 de março. A denúncia enquadra os jovens na lei que diz que todos podem ser indiciados pela infração de aglomeração por conta das novas medidas sanitárias decorrentes da politica burguesa para a pandemia.

Acontece que esta medida, esta eventual denúncia, seria uma grandíssima hipocrisia por parte do poder público. Se o governo continuar a usar da repressão policial e jurídica para, mais uma vez, prender o povo periférico sob a alegação de que eles estariam promovendo aglomerações, deveria também prender quem é responsável pelo metro de São Paulo. É ali, no transporte público, que acontece a maior aglomeração diária da cidade, só que chancelada pelo próprio Governador. Ora, se a estação da Sé, capaz de servir 100 mil passageiros por hora, passa quase o dia inteiro superlotada e não contribui para o aumento da taxa de contágio do COVID-19, porque 100 jovens na rua contribuiriam?

A lógica do governo golpista é direta: festas são proibidas, entretanto, o trabalhador pode morrer pegando ônibus e trens lotados todos os dias para trazer alimento à própria mesa. E, seguindo este pensamento, o poder público passa a agravar a repressão contra os mais jovens. Instaurou-se um toque de recolher em São Paulo. Das 20h às 5h da manhã não se pode circular nas ruas. É uma medida completamente falha, visto que de nada adianta sem políticas contra a disseminação do corona vírus. Sem leitos, hospitais, campanhas nacionais, testes, o “lockdown” serve somente como palanque político para a direita que tenta reprimir a população pobre.

É necessário que defendamos e realizemos ações voltadas para o desmascaramento deste joguete publicitário. Este que, inclusive, vem sendo aceito e aplaudido por vários setores da esquerda pequeno-burguesa. Tentam, de toda forma, nos passar a impressão que é necessário sentar e esperar a pandemia passar enquanto apontam seus dedos sujos de sangue para aqueles, como os jovens dos bailes funks, que compreendem um pouco mais sobre a real situação do país. É incompreensível que exista ainda pessoas que, por exemplo, aceitem que os 759,000 (setecentos e cinquenta e nove mil) presos do nosso sistema carcerário continuem nos depósitos humanos que chamamos de cadeia, expostos, mais que todo mundo inclusive, à disseminação da doença.

Somente através da oposição prática, nas ruas, através da propaganda política e do trabalho de base, é que será possível lutar pela vida da população trabalhadora, operária, do Brasil. Por mais que a esquerda pequeno-burguesa acredite na balela direitista de que “manifestações agora seria a colaboração com mais mortes”, nunca, em nosso passado recente, foi tão necessário lutar por medidas que coloquem fim nesse tipo de cenário assombroso e contra a repressão que, desde sempre, tenta nos impedir de lutar.

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