Fantasma da censura
Denúncia sobre fraudes quase não foi divulgada por decisão da justiça bolsonarista, que impôs censura prévia sobre reportagem
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Fachada do STF. O Ministério da Verdade bolsonarista | Foto: Arquivo/Causa Operária

Uma reportagem da Rede Globo sobre as fraudes na concessão do auxílio destinado a trabalhadores em situação de penúria quase não foi ao ar por decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que através da desembargadora Maria Isabel de Azevedo Souza, da referida corte, manteve sob censura partes da reportagem que citavam a comerciante gaúcha Ana Paula Brocco, querelante da ação que buscava impedir a divulgação da fraude e de alguns dos fraudadores localizados no estado. A reportagem exibida pelo programa Fantástico foi produzida pela emissora afiliada à Globo no Rio Grande do Sul, a RBSTV.

A censura contra a reportagem havia sido estabelecida em primeira instância e confirmada pela desembargadora, que misteriosamente, mudou seu entendimento acerca da matéria na sexta-feira, permitindo a veiculação da reportagem em seu formato integral, ou seja, com a informação dos fraudadores, que além da comerciante teve também Rosângela de Freire Melo (que na reportagem menciona a intenção de usar o dinheiro do auxílio para comprar um carro novo) e também Neiva Stroher Lechner, mulher de Diego Lechner, vereador da cidade gaúcha de Santa Maria do Herval pelo PDT (que defendeu a esposa dizendo que “esse dinheiro está disponível para quem tem direito. E não pra quem precisa”).

Os casos de uso indevido de um dinheiro destinado a uma parcela da população a qual os três supracitados não pertencem, são grotescos porém igualmente aberrante é a decisão do poder Judiciário de tentar impedir que casos como esse venham a público. Cabe inclusive conjecturas sobre o que teria motivado a burocracia judicial a tentar censurar este tipo de informação. É especulativo, obviamente, mas na história pregressa do setor, sobram razões para desconfiar dos interesses que movem os burocratas de toga.

É emblemático observarmos, por exemplo, que a história do Brasil registra casos onde o Executivo fora derrubado e até o Congresso Nacional fechado porém o poder Judiciário permanece incólume em todas as tempestades políticas que assolaram o País, e turbulência política é o que não falta na história brasileira. São elementos concretos para percebermos que historicamente, o judiciário brasileiro é uma das instituições mais ferrenhamente reacionárias, dominada por setores de extrema-direita com forte propensão ao fascismo, com tudo o que acompanha o pacote, incluindo aí a perseguição aos mais elementares direitos da população, entre os quais, ser informado, especialmente sobre questões que finalmente dizem respeito ao interesse público.

A força do Grupo Globo prevaleceu sobre o interesse regional porém o caso é um alerta para a forte tendência apresentada no país e defendida por setores mais desorientados da esquerda, que pretendem dar ao mais reacionário dos poderes da República burguesa, o caráter de Ministério da Verdade, o que pode decidir quais informações podem ser divulgadas e quais não são. Em tempos de “fake news” e “gabinetes do ódio”, cabe a dúvida sobre qual teria sido o desfecho da reportagem caso o órgão de imprensa fosse um menos influente no regime político.

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