Justiça, polícias, imprensa: o regime político conspira para eleger Bolsonaro

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Cerca de 30 universidades públicas invadidas a pretexto de recolher material de campanha eleitoral, em uma clara violação à autonomia universitária e à liberdade de expressão no seu interior; uma reitora ameaçada de prisão, na faculdade de Direito da UFF, pela exibição de uma faixa antifascista na frente do prédio; dezenas de sindicatos tomados de assaltos por policiais e “agentes” do TRE, para recolher jornais da esquerda e da imprensa sindical; centenas de casos de espancamento e ameaças contra mulheres, negros e homossexuais por serem ativistas de esquerda, por apoiarem a candidatura de Haddad para presidente ou simplesmente por manifestarem suas preferências sexuais ou aparentarem terem preferências “condenadas” pelos agressores.

Toda esta histeria (à qual se relacionam muitos outros acontecimentos) de uma minoria reacionária, cuja ação é, na imensa maioria das vezes, realizada em bandos fascistas e que agem, quase sempre, com extrema covardia contra pessoas indefesas, isoladas ou sob a escolta de um poderoso aparato policial e sem resistência dos explorados e de suas organizações, evidencia um desespero de um setor que se confronta claramente com um movimento imensamente maior que não consegue dobrar a seu favor: a enorme rejeição popular ao golpe de estado, ao regime dele nascido, seus partidos e chefes políticos, o qual embalou o crescimento dessa onda de fascistas e de toda a movimentação da direita reacionária e pró-imperialista.

Mesmo em condições de fraude política total, com condenação ilegal, sem provas, prisão arbitrária e cassação da candidatura de Lula e, mais ainda, mesmo diante da capitulação das direções da esquerda que buscaram evitar, sem sucesso, um acirramento da polarização política, a rejeição ao candidato (não declarado) do regime golpista cresce a cada dia, ameaçando, inclusive, a fácil vitória eleitoral que se anunciava e que buscava induzir as falsas pesquisas eleitorais, contratada, realizadas e divulgadas por grupos e empresas capitalistas totalmente comprometidos com o regime golpista e com a derrota da esquerda nas eleições.

É por demais evidente, que uma eleição realizada em condições de relativa normalidade, a derrota da direita seria acachapante. Com Lula candidato e/ou em liberdade, por exemplo, não haveria a menor possibilidade sequer da fraude ter chegado aonde chegou sem ter enfrentado uma gigantesca mobilização de milhões de pessoas nas ruas, o que poderia levar a um recuo profundo da direita e dos seus planos contra os explorados e a economia nacional.

Sem Lula e sob a direção de um setor profundamente identificado com a política de colaboração e entendimento com os golpistas, que defenderam largamente o “plano b”, a substituição de Lula, a submissão às ameaças golpistas dos generais e dos juízes servos do imperialismo, a rejeição se expande na forma de atos eleitorais limitados e sem uma clara política de preparar o necessário enfrentamento com a direita, seja qual for o resultado das urnas.

Com os setores mais tradicionais da burguesia golpista (como os seus partidos em decomposição) fingindo aparentar “neutralidade”, todo o regime político conspira para eleger Bolsonaro, tendo destaque a venal imprensa burguesa que procura apresentar um falsa explicação para a sua possível vitória: o antipetismo. Isso poucas semanas depois da própria imprensa golpista ter divulgado que o PT é, de longe, o partido mais popular do País; e quando ninguém com alguma lucidez consegue negar que Lula, se candidato e sem fraude, seria eleito com folgada vantagem no primeiro turno.