Justiça golpista e Samarco (BHP/Vale) fazem novo acordo para extinguir ações que previam indenizações bilionárias enquanto população afetada pelo desastre continua sem reparações

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Nesta semana o Ministério Público Federal (MPF) fechou acordo com Samarco (BHP/Vale) e extinguiu ações contra um dos maiores crimes ambientais da história do país. O acordo fechado é mais uma tapa na cara da população que foi atingida pelo desastre cometido pela empresa privada Samarco.

Esse acordo veio após a justiça adiar por cinco vezes o cumprimento dos acordos anteriores e mostram que nada será feito para reparar os danos. O novo acordo firmando é um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que extingue um dos processos ajuizados pela União e pelos estados atingidos pela tragédia, Minas Gerais e Espírito Santo, dias após o acidente, no valor de 20 bilhões de reais para reparação dos danos causados.

A outra ação civil pública foi “suspensa”, no valor de 155 bilhões de reais a título de indenização pelos danos sociais, econômicos e ambientais, com mais de 200 pedidos de ações de reparação.

As investigações mostraram que a empresa Samarco negligenciou e apresentou laudos falsos que resultaram no rompimento da barragem e destruiu o distrito de Bento Rodrigues.

É importante lembrar que o desastre ambiental causou a morte de 19 pessoas, destruiu um dos principais rios do país e um dos mais importantes da região sudeste. O rio doce foi destruído por completo, onde 663 km de rios foram esterilizados pela lama tóxica da mineradora, afetando comunidades e cidades por completo que viviam da pesca e do abastecimento de água.

Os pescadores e moradores da foz do rio doce também foram afetados e nem se consegue avaliar o tamanho do impacto da lama nesses locais, que chegou ao litoral do extremo sul da Bahia.

Outro dado importante para essa avaliação do desastre, e que o MPF parece desconhecer, é que foi destruído mais de 1.469 hectares de florestas da Mata Atlântica, ecossistema ameaçado.

Esse novo acordo não é nenhuma novidade em que as mineradoras imperialistas em acordo com o judiciário golpista atuam em conjunto para que a burguesia imperialista continue lucrando à custa da população trabalhadora e dos recursos naturais dos países pobres.

Enquanto os crimes da Samarco são acobertados e os processos bilionários de reparação de danos são extintos, milhares de famílias continuam sem suas residências e sítios, milhares de famílias que dependiam do rio doce e do mar onde é a foz deste estão sem trabalho e milhões de pessoas que vivem nas cidades abastecidas pela água do rio doce foram afetados.