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Na última quarta-feira, 29, o TRE-SC convocou reunião com partidos, coligações e representantes da imprensa para tratar sobre o horário eleitoral gratuito. Após sortear a distribuição de tempo e ordem dos programas, a Justiça Eleitoral tratou sobre as “novidades” da campanha de 2018, ou seja, os entraves adicionais que a elite inventa para dificultar a participação popular nas eleições.

Neste ano, cada vídeo precisa ser entregue à emissora em pendrive individual, o qual não será devolvido. Para grandes coligações, a exigência não faz muita diferença. Candidatos ricos estão acostumados a entregar arquivos em separado, pois modificam as inserções diariamente. Mas partidos pequenos têm inserções curtas, que caberiam num só dispositivo. Mesmo assim, tendo divulgação para governador, senador, deputado federal e estadual, e intervalos variáveis, mesmo uma chapa pequena pode precisar entregar de duas a três dezenas de pendrives à TV. É de fazer qualquer um sentir saudades da época do CD-ROM.

Outro avanço na propaganda eleitoral televisionada são os recursos como legenda, tradução para Libras (Língua Brasileira de Sinais) e audiodescrição. Em teoria, a tecnologia facilita a comunicação dos partidos com o público portador de necessidades especiais. Mas na sociedade capitalista, a burguesia se apropria da tecnologia para criar entraves à expressão das organizações populares. A Justiça Eleitoral exigiu que os três recursos sejam obrigatoriamente utilizados em cada inserção. Imagine incluir tudo num vídeo de 4 segundos, onde só há tempo de anunciar nome do partido e número. É mesmo preciso contratar um tradutor de Libras, providenciar descrição audiovisual e legenda para, em 4 segundos, informar o que já está escrito e falado na tela? O partido que não se adequar a este padrão pode ter o vídeo vetado. Se a Justiça Eleitoral está mesmo preocupada em expandir a comunicação do partido às minorias, que dê tempo suficiente para os partidos menores se comunicarem com a população .

Mas a burguesia faz o que sempre precisou fazer para assegurar sua natureza exploradora. Ela ordena que se retirem direitos populares, enquanto finge que está provendo benefícios. E seus funcionários executam a ordem pois, sim, acreditam que aplicar proibições é uma forma eficiente de expandir direitos. Em breve, na Justiça Eleitoral, sob o pretexto de garantir a inclusão de deficientes visuais e povos indígenas, proibirá panfletos partidários que não estiverem traduzidos simultaneamente para o Braile e o Guarani.

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