Exclusão imperialista
A serviço do capital imperialista, plataformas digitais excluem a Parler e, como de costume, fecham cerco à liberdade de expressão e concorrência
Parler vs Google, Apple e Amazon
A rede social Parler afirma possuir mais de 12 milhões de usuários. | "Foto: Reprodução"
Parler vs Google, Apple e Amazon
A rede social Parler afirma possuir mais de 12 milhões de usuários. | "Foto: Reprodução"

No dia 21 de janeiro a justiça federal dos Estados Unidos rejeitou pedido da Parler para que se hospedasse na plataforma digital Amazon. A Amazon acusa a Parler de violar contrato ao não censurar conteúdo violento e até convocações para assassinato de políticos e personalidades. Por sua vez, a Parler acusa a Amazon de beneficiar politicamente o Twitter e de não ter esse direito contratual para excluí-la, além de não tomar a mesma atitude com outras redes sociais concorrentes.

A decisão que a juíza distrital de Seatle, Barbara Rothstein, proferiu é bem complacente com os monopólios, pois segundo ela a Parler não conseguiu provar o tratamento privilegiado da Amazon ao Twitter. Sabe-se que os conservadores e reacionários estão em todas as plataformas. Como punir uma e não outra? Qual o limite da liberdade de expressão? Quem seria o árbitro para definir o que deve ser dito ou não nas redes sociais?

A Parler, rede social americana lançada em 2018, recentemente fora expulsa das plataformas digitais Apple, Google e Amazon, que alegam que essa rede social não tomou medidas que evitassem a propagação da incitação à violência provocada por apoiadores do ex-presidente Donald Trump. A Parler abriga muitos extremistas e supremacistas brancos apoiadores de Trump. Mas esses mesmos apoiadores sempre serviram aos interesses daquelas plataformas que hoje os censuram.

Sob o domínio dos imperialistas, essas grandes plataformas lançaram uma ofensiva para censurar e bloquear usuários e postagens que eles consideram, hoje como “incitando à violência”. Foi o que acometeu o ex-presidente republicano Donald Trump, tão reacionário e fascista quanto os proprietários dessas plataformas, tornou-se o alvo principal do ataque à liberdade de expressão, tendo sua conta do Twitter extinta e a do Facebook bloqueada. Sitiado nas principais redes sociais, Trump fez propaganda para que seus apoiadores ingressassem na Parler, para escapar da censura dos monopólios da tecnologia, o que colocou a rede social como alvo também da censura.

A imprensa tradicional sempre esteve a serviço da burguesia, apoiando golpes de Estado, opondo-se a políticas sociais e fazendo de tudo para defender a ordem capitalista. Até que o surgimento da internet e sua popularização ameaçou esses monopólios. Com um aumento na diversidade de opiniões e maior participação política por meio da rede mundial de computadores, o monopólio dos telejornais e jornais impressos perdeu força para novos veículos e formadores de opinião na internet e nas redes sociais virtuais.

 

O combate da indústria das “fake news” às “fake news”

Diante da massificação das redes sociais e do alcance cada vez maior delas no mundo, o monopólio tradicional da informação teve a necessidade de combater esses novos setores sociais que ganharam voz entre as massas até então restritas à informação divulgada pelos grandes canais de tv e jornais.

Foi então que a a internet e as redes sociais foram acusadas de “fake news” (notícias falsas) pelos monopólios tradicionais. As notícias falsas, que sempre ocorreram nos meios tradicionais de comunicação, então, foram atribuídas como uma exclusividade da internet. Os canais de tv e jornais, que por séculos, de forma cínica e mentirosa, acusaram personalidades e políticos de serem ladrões, proprietários de mansões que nunca tiveram, de falarem e terem ideias que nunca proferiram, colocaram-se como os combatentes das notícias falsas. Uma estratégia para manter seu domínio, dado que eles sempre pautaram os rumos da sociedade, dizendo ainda o que é verdade e o que é mentira, apoiando e dando sustentação ao regime capitalista.

Esse caso da Parler prova mais uma vez a farsa e demagogia das instituições capitalistas de comunicação, que pregam falsamente a liberdade de expressão e a livre concorrência, mas na verdade o que sustentam mesmo é o pensamento único, usando sempre os fascistas quando convém e os silenciando quando não mais servem, como estão fazendo com os apoiadores de Donald Trump. O ataque a Parler e Trump não é em defesa de nenhum princípio, apenas para resolver a crise do imperialismo americano, a qual o ex-presidente acirra a cada dia dentro do próprio campo imperialista.

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