Latifúndio de toga
A justiça burguesa se mostra defensora dos interesses do latifúndio e decide pelo despejo, mesmo na pandemia, de 650 famílias.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Nestes tempos de pandemia, todos os problemas sociais ficaram em evidência. Saúde, moradia, saneamento básico, desemprego, pobreza e miséria, só para lembrar alguns, todos eles ganharam relevo e um tratamento mais solidário com a comoção da população diante do sofrimento que geraram as muitas mortes e milhares de infectados. 

Mas, a necessidade de superar todos esses problemas, que deveria mobilizar a todos, não consegue atingir a burguesia, cuja característica é a indiferença e o desprezo a todos que a impeça na sua busca de lucro, mesmo que diante de problemas sociais essenciais com impacto na vida de todos. 

Podemos testemunhar isso com o despejo criminoso que a justiça burguesa providência de mais de 200 famílias, entre elas muitas vivem há mais de 40 anos, na Gleba Xavantinho, situada no município de Porto Alegre do Norte, região do Araguaia (MT).

São mais de 650 pessoas, sendo, 100 crianças e 50 idosos, que, notificados pela justiça, terão que deixar para trás toda uma vida construída em todos esses anos, e ainda com o agravante da pandemia, e o fato de que não têm para onde irem. Certamente um recurso covarde utilizado pela direita no poder para liberar o local para que possam entregá-lo à especulação imobiliária.

A disputa na justiça é por uma área de 50.973 hectares, que está localizada entre a margem esquerda do Rio Xavantinho e a margem direita do Rio Tapirapé. Contra essas pessoas está a Agro Pastoril Vitória do Araguaia S/A, quem se diz “dona”, além das terras das famílias camponesas, também da área da Reserva Indígena Krenrehé, cujo interesse, quando soube disso, chamou a atenção da Funai que entrou no processo para contestar a afirmação da empresa.

O andamento do despejo dessas famílias é um verdadeiro escândalo, não só pela própria falência do estado, que não possibilita solução para o problema da moradia, que frise-se, não é problema local e sim generalizado em todo o país, mas, e acima de tudo isso, pela crise humanitária com o colapso da saúde, uma verdadeira calamidade pública, cuja desgraça é mundialmente sofrida por toda a população do globo, em especial no Brasil.

Pandemia que se abateu e continua a atingir o povo, e que hoje alcança mais de 250 mil mortos, com números de infectados subindo diariamente, e a taxa de ocupação dos leitos de UTIs em todo o Estado de MT chegando a 86%. 

As terras do acampamento geralmente são terras improdutivas, e as famílias de camponeses, que nelas trabalham, lutam por anos na justiça para manter o assentamento. E, além de ter que brigar contra a justiça, que quase nunca ajuda, os camponeses são atacados por pistoleiros e sendo retirados dos assentamentos por decisão judicial, ou são assassinados.

A justiça atua para privilegiar o latifundiário contra o trabalhador do campo, se revelando uma defensora contumaz dos interesses da burguesia. É imperioso que a esquerda e os movimentos sociais se levantem e denunciem essa covardia, organizem a autodefesa dos trabalhadores sem-terra, e acabem com latifúndio nacional.

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