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Fascismo na Europa
Justiça da Espanha autoriza exumação do ditador Franco de monumento
Exumação dos restos mortais do ditador espanhol Franco enfurece a direita espanhola
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Fascismo na Europa
Justiça da Espanha autoriza exumação do ditador Franco de monumento
Exumação dos restos mortais do ditador espanhol Franco enfurece a direita espanhola
“Foto: Reprodução” – O ditador fascista Francisco Franco
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“Foto: Reprodução” – O ditador fascista Francisco Franco

Da redação – A figura representante de uma das mais violentas, sanguinárias e também longevas ditaduras fascistas que a humanidade conheceu em todos os tempos, terá que deixar sua “morada”, por determinação da justiça espanhola. O ditador fascista Francisco Franco, que durante 36 (trinta e seis anos) aterrorizou os espanhóis com perseguições, torturas e assassinatos terá os restos mortais exumados e removidos de um monumento chamado Vale dos Caídos para um cemitério comum perto de Madri, capital da Espanha.

O Vale dos Caídos, local onde o ditador fascista ainda encontra-se sepultado, se tornou um lugar de visitação para simpatizantes e seguidores do franquismo. A decisão e a iniciativa de remover os restos mortais do general direitista foi do primeiro-ministro Pedro Sánchez. A decisão, no entanto, despertou a reação da família do ditador nazifascista e também de três entidades que já entraram na justiça para impedir a remoção da ossada.

Por sua vez, a vice-chefe de governo, Carmen Calvo, em alusão ao que hoje representa o regime político espanhol diante da decisão de transferir os restos mortais de Franco para um outro local, declarou que: “um ditador não poder ter uma tumba de Estado em uma democracia consolidada como a espanhola. É incompatível” (G1, 24/09). Não é bem assim. Em fevereiro de 1981, a “democracia” espanhola sofreu uma tentativa de golpe de Estado, quando um militar, tenente coronel da Guarda Civil, Antonio Tejero Molina invadiu o parlamento do país, armado, mantendo todos os parlamentares sequestrados, onde na sessão se realizava a investidura do presidente chefe de Estado da Espanha, Leopoldo Calvo-Sotelo. O golpe fracassou, mas o sinal de alerta ficou aceso para a “consolidada democracia” espanhola.

A morte do ditador Franco em 1975 não fez desaparecer, todavia, a deletéria herança política do franquismo, que se mantém muito viva na atual Espanha. Não pode deixar de ser registrado que a ‘transição para democracia”, com a morte do Generalíssimo Franco, se deu a “frio”; por “cima”, sem que tenham sido desmantelados os mecanismos essenciais que deram sustentação à ditadura franquista. No rastro do crescimento da extrema direita em todo o continente europeu, a Espanha vem dando sua contribuição para este fenômeno através do surgimento do partido Vox, movimento de inclinação inequivocamente nazifascista, nascido das entranhas do direitista Partido Popular, representante da direita “clássica”, institucional, espanhola. O Vox traz em seus quadros os netos do ditador Francisco Franco, junto a outros setores, fundamentalmente elementos que se desvincularam do PP espanhol para formar um movimento com um programa e uma plataforma abertamente de extrema direita e neofascista.

O crescimento da extrema direita fascista européia é o resultado da política de colaboração de classes da “esquerda” do velho continente que, em seus aspectos essenciais, não se diferencia do programa dos partidos conservadores, imposto pelos banqueiros capitalistas para atacar as condições de vida das massas da Europa.