Vítima do imperialismo
A farsa do julgamento do jornalista Julian Assange deixa às claras que ele está sendo punido pelo imperialismo por fazer o seu trabalho, que é trazer a verdade ao público
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julian assange, 2016 london foto peter nicholls reuters
Julian Assange na sacada da embaixada equatoriana em Londres, 5 de fevereiro de 2016 | Foto: Peter Nicholls/Reuters

A Justiça Britânica retomou o julgamento farsesco do caso do jornalista Julian Assange, interrompido em fevereiro deste ano por causa da pandemia do coronavírus. Assange enfrenta um pedido de extradição para os Estados Unidos onde é acusado de espionagem e de publicação de documentos secretos.

Assange deve se apresentar no Old Bailey, a corte criminal britânica, para a parte final de sua batalha contra a extradição para os Estados Unidos onde ele pode ser condenado a uma sentença de até 175 anos de prisão, somando-se as penas das 18 acusações que pesam sobre ele.

A defesa de Assange chegou a pedir o adiamento do julgamento alegando ter tido muito pouco tempo para construir a defesa do acusado, além de denunciar o caráter de perseguição política do caso, mas esse pedido foi recusado pela corte. A defesa explicou que os documentos que Julian Assange divulgou pelo seu site, o Wikileaks, traziam evidências de que os Estados Unidos cometeram inúmeros crimes de guerra e abusos de direitos humanos.

Numerosas organizações de direitos humanos e da liberdade de expressão tem se manifestado em favor de Assange e contra o pedido de extradição feito pelos Estados Unidos. A Anistia Internacional denunciou o risco que Assange corre de sofrer sérias violações a seus direitos humanos e maus tratos na cadeia americana, além de ser um atentado à liberdade de expressão, criando um precedente onde os jornalistas precisem se autocensurar pelo medo de sofrer retaliações.

O histórico de Assange

Julian Assange é um jornalista e editor australiano que fundou o sítio Wikileaks em 2006. O sítio atraiu a atenção internacional em 2010 quando publicou uma série de vazamentos de documentos fornecidos pelo analista de inteligência do Exército Americano Bradley Manning (que viria a se tornar Chelsea Manning em 2010). Dentre os documentos estava o vídeo do ataque de helicóptero Apache em Bagdá ocorrido em 12 de julho de 2007 que acabou recebendo o título de “Collateral Murder”. Nesse vídeo, que foi divulgado em duas versões, uma de 17 de minutos e outra de 39 minutos, ficou documentado que os militares americanos no helicóptero dispararam contra um grupo de mais de uma dúzia de pessoas no solo, matando vários iraquianos incluindo dois jornalistas da agência Reuters.

Outros vazamentos importantes foram os documentos secretos das guerras que os Estados Unidos levaram contra o Afeganistão e contra o Iraque. Esses documentos traziam informações sobre os números de mortos civis e o envolvimento do Paquistão e do Irã. Esses documentos foram compartilhados com jornais como o The Guardian, New York Times e Der Spiegel.

O auge da controvérsia acerca do Wikileaks surgiu em novembro de 2010 quando o sítio publicou cerca de 250.000 telegramas diplomáticos dos Estados Unidos. A maior parte dessas comunicações se focava nas relações entre os Estados Unidos e países do Oriente Médio, mas também com muitas informações de outros países, como se viu na quantidade de telegramas reportando informações sobre os governos de Lula e de Dilma Rousseff.

Em agosto de 2010 Julian Assange visitou a Suécia e durante sua visita foi acusado de assédio sexual por duas mulheres. Inicialmente foi liberado para deixar o país, mas em novembro daquele ano o caso foi reaberto, com a polícia sueca acionando a Interpol para prendê-lo. Em fevereiro de 2011 a justiça britânica ordenou que Assange fosse extraditado para a Suécia.

Em 2012 Assange se refugiou na Embaixada do Equador em Londres. As acusações do caso sueco prescreveram em 2020, sem nunca ter sido comprovada sua culpa.

Mas a acolhida de Assange na Embaixada não foi sem problemas. O governo britânico ameaçou invadir a Embaixada para prender Assange, uma flagrante violação da Convenção de Viena. Policiais ficaram de guarda na porta da Embaixada de junho de 2012 até outubro de 2015 esperando por uma oportunidade de apanhá-lo. O direito ao asilo a Assange foi garantido pelo presidente do Equador, Rafael Correa, que declarou que ele poderia ficar lá indefinidamente.

Nesse período na Embaixada Assange continuou com as atividades do Wikileaks. Em 2013 Assange e outros ativistas ajudaram o ex-analista de sistemas da CIA Edward Snowden a fugir da perseguição do governo americano embarcando-o em um avião comercial da Aeroflot, de Hong Kong com destino a Moscou, sob os cuidados de Sarah Harrison, jornalista britânica e editora do Wikileaks e também parte da equipe que defende Julian Assange.

A virada na sorte de Julian Assange aconteceu na eleição presidencial no Equador de 2017. Lenin Moreno foi o candidato apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa e eleito por uma grande maioria de votos. Mas em pouco tempo demonstrou que sua plataforma de governo era completamente diferente daquela que o elegeu, desse modo causando um racha com Correa. Ele aplicou uma nova política neoliberal no país totalmente de acordo com o imperialismo. Ficou evidente que Moreno havia sido cooptado pelos Estados Unidos e estava pronto para obedecer suas ordens.

Em 2 de abril de 2019 Lenin Moreno declarou que Julian Assange havia violado os termos de seu asilo político e ordenou sua expulsão, que ocorreu no dia 11 de abril de 2019. A polícia metropolitana de Londres foi convidada a entrar na Embaixada para prender Assange.

O julgamento em Londres

A farsa do julgamento de Assange em Londres está sendo conduzida pela juíza Vanessa Baraitser, que sem disfarces mostra que segue religiosamente o roteiro de tortura e esmagamento de Assange que lhe foi confiado pelo imperialismo. Uma das medidas mais evidentes é que a Assange nunca foi permitido ter conversas privadas com seus advogados, na corte e mesmo na prisão de Belmarsh.

A juíza também vetou a saída de Assange da prisão de Belmarsh mesmo sob o risco de ele contrair o Covid-19. É sabido que Assange tem problemas de saúde, alguns deles relacionados com distúrbios pulmonares crônicos. A juíza permitiu ainda a publicação dos nomes das crianças pequenas de Assange, dizendo ser do interesse da “justiça”. Muitas testemunhas oculares afirmam que a juíza já entra na corte com suas sentenças escritas, recusando todos os apartes da defesa.

Fica evidente que Assange é vítima de uma perseguição implacável do imperialismo, liderado pelos Estados Unidos, país que se considera a polícia do mundo e que não permite que ninguém aponte os seus crimes. Assange é vítima de um jogo viciado de xadrez político onde os Estados Unidos e seus parceiros imperialistas, o Reino Unido e a Suécia e mais a Austrália (país natal de Assange que não moveu um dedo para defendê-lo) permanecem unidos pelo objetivo de calá-lo e mostrá-lo como um exemplo para todas as outras pessoas que ousem pensar em denunciar seus crimes.

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