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A esquerda verde-amarela
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Em meio aos atos desse dia 13 de agosto que teve como palavras de ordens centrais o “Fora Bolsonaro” e a “Liberdade de Lula” chamou a atenção a presença de grupos de estudantes empunhando bandeiras do Brasil e com os rostos pintados com o verde e o amarelo.

Um desses estudantes era o presidente recém eleito da União Nacional de Estudantes, Iago Montalvão, que em declaração ao sitio da UOL afirmou: “Hoje, há uma tentativa de colocar esses símbolos a serviço de determinado grupo reacionário. Nós não concordamos com isso. A UNE sempre defendeu a soberania brasileira. A educação precisa servir ao povo brasileiro, e não a interesses estrangeiros”.

Essa tentativa de “resgatar” o verde e o amarelo das mãos da direita e da extrema-direita, em si, já pareceria estranho, uma vez que coxinhatos estão absolutamente vinculados a essas cores, confundir a população de que haveria interesses comuns entre a direita e a esquerda.

Mas o problema vai muito além. Essa é a campanha da burguesia golpista levada à frente pelos seus meios de comunicação venais na tentativa de acabar com a polarização política no país. Dar um tom patriótico às manifestações, pois, no final das contas, todos “somos” brasileiros, encobrir a luta de classes com as “cores da Pátria”. Em resumo, transformar a luta política entre as classes sociais em uma “disputa de ideias”.

A direita brasileira tem pressionado setores da esquerda no sentido de fazer evoluir uma “frente ampla” no País que incorpore desde setores do PT, Psol, PCdoB e partidos da esquerda burguesa até o chamado Centrão, que tem como seu expoente máximo o atual presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia.

Esse “blocão” teria como papel central estabelecer uma oposição ao governo de extrema-direita e seria uma espécie de salvaguarda da “democracia”. Quer dizer, cumpriria o papel de “colocar Bolsonaro na linha”, conter os excessos do capataz do imperialismo no Brasil.

Ou, na pior da hipóteses (para a burguesia é claro), seria uma espécie de sustentáculo do regime saído do golpe diante do agravamento da crise política no Brasil e de uma situação que possa evoluir para o impeachment de Bolosonaro.

Daí a política de “contenção” da luta de classes, principalmente quando se vê que as manifestações cada vez mais assumem por fora das suas direções o Fora Bolsonaro e a Liberdade de Lula como expressões da luta contra o golpe. O que ficou patente nos atos ocorridos nesse dia 13 foi de que há nitidamente uma evolução à esquerda, uma compreensão de que as lutas parciais fracassaram e agora se trata de unir forças diretamente contra a cabeça do golpe, representado, neste momento, por Bolsonaro.

O que está colocado para os partidos de esquerda, a CUT, o MST e todas as organizações populares que lutam contra o golpe é varrer o País com um “tsunami vermelho”, para que toda a população não tenha dúvidas de quem luta contra o golpe e a direita que se veste de verde e amarelo para levar à frente a destruição do País e de todas as conquistas do seu povo.