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Jovens foram maioria dos mortos no presídio em Pará
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A vida da juventude negra e pobre dentro do capitalismo é um poço de falta de perspectiva. Em geral, o Estado, que deveria dar todo o suporte a esse jovens, acaba sendo o precursor de seus cruéis destinos. O massacre violento que aconteceu no presídio de Altamira, no Pará, é um exemplo claro de como a juventude pobre acaba como vítima de um sistema repressor e assassino, baseado numa gigantesca farsa que é a justiça burguesa. A briga que se deu entre facções dentro do presídio tirou a vida de cerca de 62 presos e pelo menos 25 deles tinham entre 18 e 25 anos.

O desemprego crescente e a destruição do ensino empurram a juventude pobre às margens da sociedade, fazendo com que eles tenham que recorrer à medidas desesperadas para sobreviverem, porque é isso que o sistema os obriga a fazer, sobreviver. Quase metade dos assassinados no massacre no Pará não haviam sido julgados e nem possuíam ensino médio completo, o que é um indicador de baixa renda. Não somente, pelo menos 76% deles eram negros, ou seja, como sempre a juventude negra e pobre é sempre a mais afetada pelo descaso do Estado.

O presídio de Altamira, onde aconteceu o assassinato desses jovens, possuía, segundo o relatório publicado pelo pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na segunda-feira (29) superlotação, péssimas condições e falta de agentes. A penitenciária mantinha cerca de 343 presos, quando sua capacidade máxima era de 163 presos. A unidade era feita para abrigar somente presos em regime fechado, contudo, abrigava cerca de 35 presos em regime semi-aberto. A inspeção também constatou que o presídio não possui enfermaria, biblioteca, centros de trabalho, etc., corroborando a tese de que o Estado não consegue e não quer se responsabilizar por uma população que ele mesmo encarcera e larga como se fossem animais em jaulas.

Enquanto a justiça burguesa e o modelo econômico que se baseia na exploração da população pobre continuarem a guiar a vida da população pobre aos piores destinos possíveis, esse tipo de notícia continuará sendo cotidiana. A população jovem e negra não pode continuar sendo tratada como animais, que no auge do desespero para sobreviverem às armadilhas do Estado burguês, buscam alternativas desesperadas. O capitalismo deve ser derrubado e só então os jovens poderão ter alguma perspectiva de vida que não seja a cadeia ou subempregos.