Sabotagem do imperialismo
Levantamento de site Alemão coloca brasileiros de fora das seleções sub-20 e sub-23 dos jogadores mais valorizados, um indício das distorções manobradas no mercado da bola
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Seleção sub-20 brasileira enfrentou as seleções de Bolívia, Chile e Peru em torneio no ano passado | Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Fotos Públicas.
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Seleção sub-20 brasileira enfrentou as seleções de Bolívia, Chile e Peru em torneio no ano passado | Foto: Lucas Figueiredo/CBF/Fotos Públicas.

O site Transfermarkt publica algumas estatísticas e notícias acerca das transferências de jogadores de futebol. Baseado em Hamburgo, na Alemanha, possui uma versão traduzida para o português. Essa foi a referência utilizada pelo colunista do UOL, Rafael Reis, que expôs essa curiosa “seleção Sub-20” dos jogadores mais caros do mundo.

Segundo o ranking do Transfermarkt, o time sub-20 mais caro do mundo teria como base jogadores franceses, ingleses e espanhois. Para completar os 11 titulares, um estadunidense, um albanês, um canadense e um norueguês. Isso mesmo, nenhum brasileiro, argentino ou uruguaio.

Dentre os jogadores sub-20 badalados na Europa, o colunista lembrou por exemplo de Rodrygo e Vinícius Júnior, que jogam atualmente pelo Real Madrid, além do ex-são paulino Antony, que tem tido grandes atuações pelo Ajax no último semestre.

Alguns dias antes, o mesmo colunista realizou um levantamento similar, porém delimitando a idade em 23 anos. Novamente nenhum brasileiro conseguiu entrar nessa seleção dos mais valiosos. Tirando o fator idade, ainda assim aparecem apenas dois brasileiros: Casemiro e Neymar.

É impossível classificar essas “seleções” como algo além de absurdas. O Brasil é simplesmente o maior celeiro de craques da história do futebol. E segue sendo atualmente, mesmo com todos os ataques que sofre do imperialismo. Não é por acaso que as jovens promessas brasileiras são contratadas por empresários estrangeiros cada vez mais jovens.

O chamado “mercado de transferências” do futebol funciona como uma bolsa de valores, é terra fértil para a especulação financeira. A supervalorização de determinados jogadores cumpre essa função de atrair investimentos artificialmente para países pouco expressivos no futebol. Quem em sã consciência poderia acreditar que a América do Norte seja berço de melhores jogadores do que a América do Sul ou ainda da América Central?

Esse tipo de manobra também é facilmente observado nos jogos de videogame e computador, que promovem verdadeiros “perebas” como se fossem as mais prósperas promessas do futebol mundial. Às vezes, isso rende até transferências caras que se tornam grandes fiascos. Esse é um dos aspectos mais perceptíveis dessas distorções, mas o problema vai muito além disso.

Ao valorizar artificialmente vários desses jogadores europeus e agora até norte-americanos, o que está em operação é uma desvalorização generalizada dos mercados de futebol dos países capitalistas atrasados, em especial os sul-americanos. A distorção de valores de mercado dos jogadores é apenas uma frente dessa campanha que tem como principal alvo o futebol brasileiro, que contra tudo isso conseguiu se impor como pentacampeão mundial no esporte mais popular do mundo.

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